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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A história de Carla e Pedro

Moro em Curitiba, Paraná. Meu filho, o Pedro, sempre foi uma criança muito inteligente, andou uma semana antes de fazer um ano e nunca falou igual ao cebolinha, como a maioria das crianças desta faixa etária. Contudo, as dificuldades dele com leitura e escrita começaram logo na 1ª série e eu mesma procurei ajudá-lo por diversas vezes. Ele sempre escrevia "ao contrário" o número três, o número 8, algumas letras do alfabeto mas, por estar ainda na fase de alfabetização achava ser normal, acreditava que era pelo fato dele estar apenas começando! No entanto, conforme foi passando o tempo essa dificuldade foi aumentando junto com minha angústia.

Para você ter uma ideia, vivia na escola e cobrava a professora porque percebia que alguma coisa não estava certa. Queria entender o que acontecia e o caminho foi torturoso. Quando começou a 3ª série já tinha visto um estrago grande em seu aprendizado, aí resolvi trocá-lo de escola, para ver se em outra escola as coisas melhorassem. Logo nas primeiras semanas de aula a professora me chamou para falar sobre o processo de aprendizagem do Pedro. Fiquei muito feliz pois, alguém tinha percebido alguma coisa diferente em meu filho, mas só ficou naquela conversa, tanto que no meio do ano troquei de escola novamente. Tudo em vão porque a nova escola também deixou a desejar, nunca tinha lição no caderno. Sempre fiz questão de estar sempre presente na escola querendo saber o que acontecia com meu filho. Ficava louca da vida quando olhava o caderno dele e via que tinha feito tudo errado, a professora corrigia como se estivesse certo e aí eu não pensava duas vezes: ia falar com a professora dele e acho que esta professora acabou foi é ficando com raiva de mim porque acabou deixando meu filho de lado. Ela só me falava: - O Pedro vive no mundo da lua, sempre temos que chamar a atenção dele!  O engraçado é que nunca me dizia o que poderia ser, ou então, para eu procurar ajuda especializada! Aí vemos o quanto os professores estão despreparados. Pelo menos no meu caso vivi na pele um sofrimento que poderia ter sido solucionado desde o início, creio eu.

Essa professora era da 4ª série chegou até a dar apelidos ao meu filho: "o lesma da sala" ou então "o lerdinho da sala" coisas desse gênero que hoje, com 13 anos, ele não esquece. E dessa forma, terminou a 4ª série. Sem saber o que acontecia, andei por diversos consultórios de pscicólogos que me diziam que ele era imaturo porque simplesmente era um menino! Gastei algum dinheiro tentando descobrir até que um dia, já quase na metade da 5ª série, em um novo colégio, minha cunhada assistiu uma reportagem sobre Déficit de Atenção (TDA) que chamou a atenção dela, pois parecia que estavam falando sobre o meu Pedro e como ela via minhas reclamações me deu um toque para pesquisar sobre o assunto. Dito e feito! Pesquisei na internet sobre o TDA e parecia que estavam falando do meu filho. Por isso, resolvi consultar um neurologista que diagnosticou além do TDA, a Dislexia e o Distúrbio do sono! Fiquei desesperada, me faltou o chão, não consegui entender o motivo de ser o meu Pedro!

Começei uma nova luta, achar um profissional que soubesse o que estava tratando, outra coisa muito difícil de se conseguir. Cheguei a consultar vários neurologistas e depois desta busca, de encontrar um profissional que soubesse do que se tratava, soube que seria hereditário e que ele herdou do pai. Acabei encontrando ainda uma psicopedagoga que foi um verdadeiro anjo em nossa vida, ela ainda descobriu o motivo de tanta dor de cabeca e naúseas enquanto ele estava em aula e também porque ele não conseguia fazer uma simples cópia. Ele tem uma alteração no processamento visual (SINDROME DE IRLEN) que digamos distorce o que ele vê, hoje ele está em alta da psicopedagoga vai apenas uma vez por mês para uma manutenção, ele toma Ritalina somente nos dias em que vai à escola para poder ter atenção, mas penso que a maioria do sofrimento que passamos poderia ter sido evitada se houvesse mais conhecimento por parte dos profissionais que lidam com crianças, como professores e os da saúde.

Depoimento cedido por Carla via email em 11/08/2011.



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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Relatora da Comissão de Educação da Câmara acata PL sobre Dislexia e TDAH

A Deputada  Federal Mara Gabrilli  (PSDB/SP), designada pela Comissão de Educação da Câmara, como  Relatora do Projeto de Lei 7081/2010, que dispõem sobre o diagnóstico e o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia na educação básica, afirmou em entrevista, concedida por email, em 16/08/2010, ter acatado por completo o texto do Substitutivo do PL.  Agora,  será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça e caso tenha parecer favorável, não precisará ir à votação em Plenário. Trata-se de um “projeto conclusivo de comissões”, conforme explica a Deputada. 


A ENTREVISTA

Vanessa Martos Gasquez  - Como tem sido os trabalhos da Comissão de Educação sobre o PL 7.081/2010? Chegaram a ouvir setores da sociedade civil?

Mara Gabrilli :  A presidente da Comissão de Educação designou-me como Relatora do Projeto de Lei 7.081 de 2010. O Relatório de minha autoria foi enviado à Comissão no dia 3 de agosto, no retorno do recesso parlamentar. Para entender a minha posição com relação ao Projeto é preciso antes lembrar que a Comissão de Seguridade Social e Família, através de sua Relatora, a Deputada Rita Camata, fez um trabalho de reestruturação do Projeto, na forma de um Substitutivo (um novo texto). Esse substitutivo foi feito a partir do diálogo com diversos setores da Sociedade Civil Organizada, e instituições que trabalham com o assunto. Foram especialistas, educadores e profissionais ligados à fonoaudiologia, pedagogia, psicologia e outras áreas, que contribuíram para a elaboração do Substitutivo.

Acatei por completo o texto do Substitutivo, e em meu Relatório darei outras contribuições para defender a aprovação do Projeto e sua conversão em Lei. No trabalho de construção de meu Relatório também mantive contato com Setores da Sociedade Civil Organizada como a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) e a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, entre outros.


VMG - Deputada há alguma data limite para que a Comissão de Educação apresente o relatório?

MG -  Não há uma data limite para a apreciação do Projeto. Projetos de Lei podem tramitar por anos - e, por incoerente que possa parecer, até mesmo por décadas - na Câmara dos Deputados. A decisão de colocar ou não um Projeto na pauta da Comissão é EXCLUSIVA da presidência da Comissão, na forma do Regimento da Câmara dos Deputados.


VMG – Com relação a determinadas proposições ou Projetos de Lei, as Comissões se manifestam emitindo opinião técnica sobre o assunto por meio de pareceres, antes de o assunto ser levado ao Plenário da Câmara para votação.  Porém,  existe algumas proposições/Projetos de Lei que  não precisam passar pela votação na Câmara caso tenham pareceres favoráveis das Comissões.  Caso seja aprovado pelas demais  Comissões qual será o próximo passo deste PL? Ele não precisará passar em votação pelo Plenário da Câmara para efetivamente tornar-se uma Lei?

MG: Nenhum Projeto de Lei jamais será aprovado pela Câmara dos Deputados sem passar por Comissões, e nem todo projeto precisa passar pelo Plenário. A esses Projetos nós chamamos de "conclusivos das Comissões". No caso deste Projeto de Lei 7.081 de 2010, ele não terá que ir à votação em Plenário. A última Comissão à avaliá-lo será a de Constituição e Justiça.


VMG – A Comissão de Seguridade Social e Família votou favorável alegando que tanto o TDAH quanto a Dislexia podem gerar prejuízos envolvendo a vida social, familiar, afetiva, acadêmica e profissional. No entanto, esses argumentos não levam em consideração a situação atual do próprio sistema de ensino e nem a realidade do povo brasileiro. Na educação, os índices de mensuração apontam desempenho em língua portuguesa e matemática  aquém do esperado e na parte social sabemos que a pobreza também acarreta em tais circunstâncias. A Comissão de Educação está analisando outros fatores ou irá seguir a mesma linha de argumentação da Comissão de Seguridade Social e Família?

MG: Não entendo exatamente em que medida os argumentos da Comissão de Seguridade Social e Família "não levam em consideração a situação atual do próprio sistema de ensino e nem a realidade do povo brasileiro". Pelo contrário, me parece justamente que o projeto se justifica à luz de dados que conformam um diagnóstico claro: não há uma política sistemática para identificação e atendimento desses alunos e ela se faz necessária. Um Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 6, de 5 de junho de 2008, do Ministério da Educação, debruçou-se sobre o tema dos Transtornos Funcionais Específicos - TFEs (dentre os quais se inclui a Dislexia e o TDAH). O documento elaborado pelo Grupo de Trabalho reconhece que “uma das tarefas das redes de ensino e suas escolas é a de construir um projeto e ambiente escolar que promovam o pleno desenvolvimento humano e escolar dos educandos com TFEs”, e recomenda a “elaboração de políticas, programas e ações dirigidas especificamente à inclusão e acompanhamento dos educandos com TFEs”.

Estamos falando de universo de milhões de educandos. Logo, o diagnóstico da Comissão de Seguridade Social e Família está respaldado simultaneamente em números estatísticos, estudos técnicos e apoio da Sociedade Civil. Falar que tal diagnóstico ignorou a realidade brasileira causa estranheza - o que não significa que aprimoramentos não possam ser feitos, afinal ninguém é infalível. Quando construímos um Projeto de Lei jamais podemos garantir (ter a certeza) de que estamos fazendo exatamente a melhor Lei. O legislador está tão sujeito ao erro quanto qualquer pessoa. Por isso o que podemos e devemos fazer é tomar todos os cuidados possíveis para que cheguemos tão perto da melhor Lei quanto possível, através da consideração de dados estatísticos, estudos técnicos e questões orçamentárias. É justamente o que temos aqui.

Apenas concluindo, estive em agosto em um congresso internacional sobre déficit de atenção no Rio de Janeiro e o número de mães, pais, crianças e adultos que relataram as dificuldades sofridas devido ao transtorno era grande. Foram muitos os depoimentos de jovens expulsos de escolas e adultos que não conseguiam concluir os estudos antes do diagnóstico. E ali estávamos com um grupo de famílias mais esclarecidas, com acesso a profissionais de saúde e educação para ajudá-los a superar as dificuldades de socialização e escolarização. Agora, imagine uma criança que nasceu de uma família humilde, de pais que não concluíram o ensino fundamental, que divide com mais 6 irmãos uma casa de 2 cômodos e que sempre dá problema na escola, é agitada, não se concentra, não obedece. Ela muito provavelmente irá apanhar todos os dias de seus pais por isso. Se não fugir de casa para viver nas ruas, já será uma vitória. É justamente para essas crianças que a Lei teria seu maior propósito. A realidade dela já é dura e será ainda pior se não houver uma política na escola para diagnóstico e atenção para seu transtorno. 

Uma Lei que tenha foco no atendimento aos transtornos referidos aqui não está negando que existam fragilidades e deficiências do sistema educacional que atinjam toda a população. Seria como dizer que uma política focada na educação sexual de jovens e adolescentes ignora que pessoas em idade adulta também são vítimas de DSTs. O jovem brasileiro que não é diagnosticado com Dislexia ou TDAH também precisa ser objeto de uma política pública educacional mais eficiente - e isso não repele a pertinência da presente proposição, creio.


VMG- O PL propõe que o poder público mantenha programa de diagnóstico e tratamento de estudantes da educação básica com Dislexia e TDAH por meio de equipe multidisciplinar composta, entre outros, por educadores, psicólogos, psicopedagogos, médicos e fonoaudiólogos. Na prática como isso será viabilizado? Porque se for via SUS, o sistema terá como garantir esse tipo de atendimento? Há equipes multidisciplinares operando no sistema com essa qualificação?

MG: A pergunta é muito pertinente, mas é preciso fazer uma ressalva: existe uma diferença entre fazer uma Lei (atribuição do Poder Legislativo) e regulamentar a aplicação desta Lei (atribuição do Poder Executivo). Um Poder simplesmente não pode usurpar a atribuição do outro, e nosso sistema, de tripartição dos Poderes, se apoia nessa premissa.

Portanto, neste caso - como em qualquer caso, na verdade - o Poder Executivo é quem deverá estabelecer a regulamentação através de um Decreto Federal (é literalmente uma obrigação do Poder Executivo). De que forma o serviço criado por essa Lei será prestado é algo que precisará ser discutido, e muito. Essa discussão trará a tona discordâncias conceituais e problematizações de ordem prática, não tenho dúvidas.

Nada disso significa, entretanto, que não devemos fazer a Lei. A dificuldade em estruturar um serviço não afasta a necessidade de criá-lo. Em países como os EUA e a Inglaterra o serviço de atendimento educacional está obviamente dentro do próprio sistema de ensino (portanto fora do "SUS", naqueles países). O trabalho multidisciplinar pode também exigir atenção de diferentes setores do próprio Governo. Por hora, prefiro não me posicionar em definitivo sobre o modelo do serviço. Esse será um segundo momento.


VMG - A Deputada tem conhecimento das divergências na área científica a respeito da existência ou não destes transtornos? Como não há marcadores biológicos que os caracterizem o fechamento do diagnóstico é controverso. Já entrevistei pais de alunos que passaram por vários especialistas e cada um emitiu um diagnóstico diferente. Por isso, gostaria de saber como a Comissão vem analisando essa questão.

MG - Acredito que haja controvérsias e divergências sobre o correto diagnóstico, porém esses transtornos existem segundo a Organização Mundial de Saúde, havendo os números dos CIDs correspondentes. Muitos transtornos genéticos também são de difícil diagnóstico, mas isso não impede de propormos uma política de diagnóstico e acompanhamento destes transtornos.

Como já disse, acredito que tudo possa evoluir e ser aprimorado para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Até 2010, por exemplo, a Síndrome Pós-Poliomielite (SPP) não era reconhecida e não existia no CID. Foi uma iniciativa de profissionais brasileiros da Unifesp e encaminhada a um comitê internacional que conseguiu incluir a SPP no CID. Antes disso, havia o entendimento generalizado de que os danos causados pela poliomielite não evoluíam e centenas de milhares de pessoas estavam desamparadas de políticas de atendimento.

Reitero que percebo que a proposta deste projeto de lei é que se encontrem soluções para o desenvolvimento educacional dessas crianças e não simplesmente rotulá-las. Trecho de meu relatório: “A proposição determina que as escolas assegurem aos alunos com dislexia e TDAH acesso aos recursos didáticos adequados ao desenvolvimento de sua aprendizagem e, simultaneamente, que os sistemas de ensino garantam aos professores formação própria sobre a identificação e abordagem pedagógica das referidas disfunções, para que os docentes possam contribuir para a efetividade do trabalho realizado pela equipe multidisciplinar.”


VMG – De acordo com matéria veiculada pelo jornal Globo News, em 12/11/2010, o Brasil já é o segundo maior consumidor do Metilfenidato (Ritalina), medicação utilizada em tratamento do TDAH, que é da mesma família da cocaína e está listada na Anvisa como entorpecente. É um remédio forte cujas consequências são completamente desconhecidas a longo prazo porque trata-se de um remédio novo no mercado. Por isso, gostaria de saber se a Comissão de Educação também tem levado em conta este aspecto.

MG - A preocupação é válida e inafastável. Contudo, associar imediatamente a metodologia de diagnóstico e atendimento educacional de crianças com tais transtornos à prescrição de ritalina pode ser enganoso. O Brasil, sem dúvida, é um país que tolera a prática da automedicação de maneira sistemática e o consumo de medicação é de fato abusiva (mesmo das controladas). Mas a abordagem a partir do Projeto de Lei não é necessariamente medicamentosa. Novamente reforço que a proposta, especialmente sob o ponto de vista da Comissão de Educação, é favorecer o desenvolvimento da aprendizagem por meio de recursos pedagógicos adequados. Queremos que a investigação para o diagnóstico seja bem detalhada e que outros problemas psicológicos sejam excluídos – como depressão e ansiedade, por exemplo. Por isso a proposta de uma equipe multidisciplinar. Acreditamos que já existem órgãos, normas e legislação que zelam tanto pela clareza do diagnóstico quanto pelo combate à prescrição indiscriminada de medicamentos.

VMG  – Como psicóloga a Deputada poderia nos fornecer uma opinião particular sobre o TDAH e a Dislexia?

MG - Nunca atendi ou diagnostiquei uma pessoa com os transtornos, por isso não tenho uma experiência ou vivência particular. Porém percebo que há dois lados nessa questão: uma clara necessidade em atender as pessoas cuidadosamente diagnosticadas. Por isso, o cuidado em haver uma equipe multidisciplinar. E outro lado, das mães ou pais que procuram um profissional – seja psicólogo ou psiquiatra – e chegam com o diagnóstico pronto: “meu filho é hiperativo, faça alguma coisa”. É necessário uma avaliação cuidadosa, inclusive do meio familiar. Não queremos rotular pessoas tampouco medicá-las. Queremos a possibilidade de que sejam incluídas e tenham seus talentos desenvolvidos, respeitando suas características.

Por muito tempo, as pessoas diferentes do padrão simplesmente eram excluídas até elas próprias se adequarem. Hoje, o conceito de inclusão inverte essa lógica perversa e a obrigação passou a ser do MEIO. São as cidades, seus espaços e serviços que devem estar preparados para receber toda a diversidade humana. Não podemos jamais ter pena ou criar aparatos isolados para atendimento, circulação e atividades. Isso é segregação. A inclusão, diferentemente, não impõe condições - se melhorar, se puder subir, se acompanhar... Essa é a minha luta: de chegarmos a uma sociedade que acolha a todos, em que ninguém seja discriminado por motivo de doença, deficiência ou transtorno. Por isso, uma modificação ou ajuste razoável, que não provoque ônus indevido, como a que estamos propondo neste PL ou em tantos outros, que atendam às necessidades de pessoas cegas, surdas, com deficiência intelectual ou física, permitirá o exercício de cidadania em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

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Para saber mais sobre  o PL, clique aqui

Quer saber mais sobre o congresso internacional que a Deputada participou? Então, clique aqui.
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Entendendo a Dislexia com o filme: Somos todos diferentes: Como Estrelas na Terra



O trecho acima faz parte do filme Somos todos diferentes: Como Estrelas na Terra, do cineastra indiano Aamir Khan.  Relata a história de um garoto indiano, Ishaan Awasthi, de 9 anos, que já havia repetido o ano escolar por duas vezes consecutivas.

Ishaan apresenta muita dificuldade de aprendizagem e não consegue acompanhar a turma. Por isso, é taxado de burro, preguiçoso, indisciplinado e outros adjetivos impublicáveis. O próprio pai também o julga assim, tanto é que após várias queixas resolve mandar o menino para um internato. Ishaan ficou muito triste com a decisão e o sofrimento aumentava cada vez mais por conta dos pré-julgamentos de seus professores e colegas de turma.

Longe da família, acaba isolando-se ainda mais e perdendo totalmente a vontade de aprender e viver, refugiando-se em um mundo de muita tristeza, dor e falta de vontade de viver.

Quando um novo professor de artes chega para substituir outro, logo percebe que Ishaan passava pelos menos apuros que, um dia, ele próprio já vivenciou. Começa a ajudá-lo a superar os obstáculos e aos poucos o menino foi aprendendo a amar a vida, as letras, a recuperar a dignidade bem como a alegria e vontade de viver.

O filme emociona. Retrata o preconceito, a marginalização de uma sociedade que exige beleza e perfeição intelectual em cima de um "modelo" pré-estabelecido. Quem foge desse "modelo" e não se enquadra no perfil, é "lido" pelos integrantes do "modelo" com os adjetivos descritos acima. Faz-nos refletir sobre nossos atos para que não deixemos que nosso preconceito apague a estrela de uma criança especial.......de qualquer criança que seja................... e nem a rotule de qualquer nome ....................por mais "pomposo" que seja.............................

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Plasticidade cerebral e o TDAH





Fonte: wikipedia/commons




De acordo com os estudos relacionados à neurobiologia da aprendizagem, toda vez que ocorre uma nova informação o sistema nervoso central (SNC) aciona o cérebro, produzindo novas conexões as quais podem gerar novos aprendizados. Se a informação já existe, a área acionada é a da memória.

Mas como o cérebro guarda as novas informações?  Como relaciona as antigas com as novas? Com base em estudos da neurociência,  resumidamente, a resposta está na base genética da aprendizagem: ela causa alterações neuroquímicas provocadas durante a aprendizagem por meio de um processo ligado à plasticidade cerebral.

O artigo Caminhos da informação no cérebro, publicado pela edição, nº 217, de fevereiro de 2011, da revista Mente e Cérebro, afirma que a plasticidade cerebral pode ser melhorada. É tudo uma questão de treino. E isso vale tanto para jovens como idosos.

Mesmo que as es­truturas cerebrais degenerem com a idade, os neurocientistas afirmam que isso não significa que a capacidade cognitiva sofra. Afinal, o cérebro pode se adaptar a novas condições - ele aprende a aprender. E ainda mais, caso o desempenho de algumas regiões cerebrais piore, outras áreas reforçam sua atividade para compensar as deficiências.

Estes neurocientistas chegaram a esta conclusão realizando um experimento científico com jovens em torno de 20 anos e idosos com mais de 65 anos. No entanto, os pesquisadores ainda sabem muito pouco a respeito do que exatamente acontece durante o processo de aprendizagem. Não há como saber, por exemplo, se as informações já existentes das células cerebrais são adaptadas a cada situação ou unidades de processamento completa­mente novas são criadas e integradas, ou seja, a pesquisa não responde se  apenas a comunicação entre os neurônios se altera ou toda a estrutura do cérebro também se modifica durante a aprendizagem.

Eis o mistério a ser desvendado.................

As células neurais funcionam como unidades processadoras de informações. Seus corpos formam a substância cinzenta, o córtex, que compõe a camada externa do cérebro. Cada neurônio pode receber sinais de outras células, transmitidos pelos pontos de contato, as sinapses, e depois encaminhados ao longo de extensões, chamadas axônios. Eles ficam dentro do cérebro, ou seja,  embaixo do córtex, e são chamados substância branca. Sua função é ligar os neurônios por longas distâncias, permitindo  comunicação entre diversas áreas.

Embora o aprendizado baseia-se em uma alteração da comunicação entre as células do cérebro, a questão principal é: qual a plasticidade cere­bral "disponível" para que o órgão reaja a um novo aprendizado? Já se sabe que há um aumento da substância cinzenta toda vez que ocorre um novo aprendizado. Ainda resta pesquisar se a massa branca também se altera no cérebro. A única certeza que se tem até agora é que um misto de aprendi­zagem e atividade física parece ser bastante útil e  que é possível adquirir outras habilida­des que estimulam a plasticidade neural. Dançar, aprender outro idioma, nadar, praticar arvorismo, luta marcial, jogar tênis, xadrez etc. O que conta mesmo é não parar de aprender. Independente da idade ...............

Mas e o TDAH?

Em entrevista publicada no portal da ABDA (Associação Brasileira de Défict de Atenção), o psiquiatra holandês Joseph Sergeant, coordenador da Rede Europeia de Pesquisa em TDAH e professor emérito de Neuropsicologia Clínica da Universidade Vrije, afirmou que como a plasticidade cerebral diminui por volta do 24º aniversário, indivíduos diagnosticados como sendo portadores do  TDAH devem ser  tratado o mais cedo possível.

De acordo com ele, a habilidade de inteligência depende do desenvolvimento neural do cérebro e como as redes neurais, responsáveis em  conectar diferentes partes do cérebro, são as que nos dão flexibilidade, nos permitem desenvolver novas funções, detectar erros e corrigi-los, as crianças com dificuldades de aprendizagem possuem um menor número de conexões entre os dois hemisférios cerebrais. Argumentou seu ponto de vista dizendo ser sabido que pelo menos 40% das crianças com TDAH têm dificuldades de aprendizagem, pois o cérebro delas se desenvolve mais lentamente.
 

E, agora? Ficou confuso?

Seus neurônios estão em guerra??????????

Calma!!!! É  assim mesmo!!! A ciência não é exata... uns vão te dizer uma coisa e outros irão te dizer outra e se você não dominar o idioma de Babel.. apele......  para a oração porque quando o assunto envolve TDAH as respostas são múltiplas e confusas.... Afinal, a língua que mais se fala nesta terra é a da dúvida.

Veja: o psiquiatra Sergeant afirma que a plasticidade cerebral diminui com o tempo e por isso é urgente tratar o TDAH para não prejudicar a “aprendizagem” dos portadores porque eles têm um cérebro que se desenvolve mais lentamente... então.....

1º  pergunta: se o cérebro TDAH desenvolve mais lentamente porque a urgência?  Se é mais lento, como pode, em alguns casos, ser hiperativo?  Pela lógica não teria que ser o contrário?

2º pergunta: essa teoria já não está ultrapassada? A neurociência vem comprovando que não importa a idade  para que  a plasticidade cerebral desenvolva-se, desde que se pratique?

3º pergunta: onde está a evidência científica provando que a rede neural do cérebro TDAH é mesmo diferente dos ditos "normais" e também onde está a evidência científíca que comprove o desenvolvimento lento?

Entendo que a ciência deveria fornecer provas concretas de sua teoria. Como ainda não as tenho resta continuar investigando esse idioma confuso de Babel. Durante esta prática linguística acabei descobrindo uma pesquisa  que, na minha opinião, aponta para a unicidade da língua: a biologia das emoções. Um dos neurocientistas mais respeitados neste campo é o português António Damásio, que afirma ser a emoção a responsável por modular constantemente a forma de armazenamento dos dados na memória.  

Concluindo............. como a afetividade está ligada às emoções e  as emoções têm relação com à memória, talvez seja esse o motivo da medicação não influir no processo de cognição..... clique e aqui e leia o post sobre "Pesquisa da USP aponta: Ritalina não melhora cognição".

Curiosidades

Você sabia que o sistema cerebral humano possui apro­ximadamente 100 bilhões de células? Que os cursos neurais que as conectam atingem juntos um comprimento com o qual poderíamos percorrer a linha do equador pelo menos 15 vezes? E que as células, porém, não estão conectadas entre si de forma fixa, diferentemente do que acontece, por exemplo, no ambiente eletrônico, no interior de um computador? Realmente a natureza é muito sábia!!!!


Quer saber mais?

Para ler na íntegra a entrevista com o psiquiatra holandês Joseph Sergeant, clique aqui.

A revista Época, edição de 01/07/2011, publicada a reportagem: Como a idade faz nosso cérebro florescer. A matéria afirma que a ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria e que a partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes. Clique aqui e leia na íntegra a reportagem, disponível em versão online no portal da revista.

Ficou interessado nas pesquisas do neurocientista António Damásio? Clique aqui e conheça o Brain and Creativity Institute, fundado por ele.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

"A terapia e a religião me deram base e suporte para enfrentar a situação e apoiar minha filha" diz médica pediatra

Cláudia Renata Carneiro Sardenberg mora em São Caetano do Sul, São Paulo, é graduada em Medicina pela Universidade São Francisco, tem especialização em Pediatria , em Terapia Intensiva Pediátrica e também em Homeopatia pelo Instituto de Cultura e Escola Homeopatica (ICEH). É mãe de duas filhas, hoje com 9 e 6 anos. Acabei conhecendo a doutora por um desses "acasos da vida" e ao conversarmos sobre minhas pesquisas a respeito da polêmica em torno da existência ou não da Dislexia e do TDAH, ela confidenciou-me ter vivido a mesma situação que milhares de pais enfrentam ao serem convocados pela escola para ouvirem: "Seu filho apresenta dificuldades de aprendizagem e não está acompanhando a turma".
A experiência relatada abaixo é um exemplo do que ocorre na prática. O diagnóstico é difícil de fechar e, muitas vezes, dependendo do especialista, é dado de forma diferente. Fato que torna ainda mais doloroso a situação para os pais, para as crianças e para a escola que ao intermediar o processo fica entre a cruz e a espada.
 
A ENTREVISTA

Vanessa Martos Gasquez – Como ficou sabendo que sua filha provavelmente seria portadora do TDAH e da Dislexia? Já tinha ouvido falar sobre isso?
Cláudia Renata Carneiro Sardenberg  – Sim, já tinha conhecimento sobre o TDAH e a Dislexia pois, sou médica pediatra. No entanto, não tinha experiências pessoais no assunto. Quando minha filha mais velha estava no 1º ano (aos 6 anos de idade) fui chamada na escola devido as suas dificuldades de comportamento que refletiam em sua alfabetização.

Vanessa - Então, foi a escola dela que indicou a necessidade de encaminhá-la a algum especialista médico?
Cláudia - Como eu já achava que as dificuldades no comportamento dela necessitavam de avaliação e por orientação da psicopedagoga da escola decidimos consultar uma neuropsicóloga. Isso foi em 2008, quando ela estava com 6 anos, e esta profissional fez várias avaliações em 4 ou 5 sessões. Detectou Déficit de Atenção e indicou terapia com fonoaudiologa. Não fomos à neuropediatra e o uso de Ritalina não foi questionado naquele momento. De qualquer forma, já havia manifestado minha opinião em despeito à Ritalina, sou a favor da Homeopatia.
Em 2010, decidimos fazer o diagnóstico na ABD (Associação Brasileira de Dislexia). No laudo que recebemos, eles não colocaram explicitamente o TDA (Transtorno do Déficit de Atenção). Foi apenas escrito: .... com base na desatenção, das dificuldades descritas na avaliação fonoaudiológica, na alteração do processamento auditivo central e nos dados obtidos na avaliação neuropsicológica podemos concluir que a menina apresenta transtorno especifíco de leitura (Dislexia) associado ao quadro de desatenção"...


Vanessa- Qual decisão vocês tomaram?
Cláudia - Iniciamos a terapia com fonoaudiologa e continuamos o tratamento homeopático.

Vanessa – Em algum momento a escola propôs uma metodologia pedagógica diferente para a menina  poder superar as dificuldades de aprendizagem?
Cláudia - Tive problemas com a escola. Ao sentir suas dificuldades, minha filha apresentava atitudes de rebeldia ou fazia coisas pra chamar atenção, como por exemplo, fugia das atividades. Então, a escola colocava ela de castigo. Quando estava para iniciar o 3º ano, eu e meu marido resolvemos trocá-la de escola, o que renovou os ânimos. Nesta segunda escola, a suspeita de Dislexia foi fortemente levantada pela fonoaudióloga que a acompanhava. Por isso, resolvemos procurar a ABD para confirmar o diagnóstico. Nesta escola, eles não diferenciam a metodologia porém, a ajudam quando ela não consegue acompanhar a turma e aplicam e corrigem as provas de forma diferenciada.

Vanessa – Quando a escola chamou vocês para uma "conversa particular" como foi esse momento?

Cláudia - Na primeira conversa, não foi uma surpresa mas, é claro que balança a estrutura. Eu, particularmente, me sentia sem chão pois, é um distúrbio difícil de conviver. Tive que trabalhar uma paciência que desconhecia e ao mesmo tempo que "perdia a paciência" sentia uma angústia muito grande. Queria ajudá-la mas, sabia que não podia tirar "este problema" da vida dela, apenas apoiar e "tentar" ajudar. Logo depois do diagnóstico, acredito que a melhor coisa que eu fiz foi iniciar a terapia (eu mesma). A terapia e a religião (da qual me reaproximei) me deram base e suporte para enfrentar a situação e apoiá-la.

Vanessa – Qual sua opinião sobre o TDAH e a Dislexia?

Cláudia - Acho que estes distúrbios existem sim. Não concordo com algumas opiniões de que  foram inventados porém, acredito que o diagnóstico necessite uma avaliação multidisciplinar de forma gradual e não em apenas uma consulta, diagnosticá-los e tratá-los. Essas dificuldades, acredito, aparecem para uma família com o objetivo de unir e modificar conceitos. Essas crianças precisam, antes de qualquer medicamento ou terapia, da dedicação de pai e mãe. Acredito ainda que muitos precisam de medicação mas, apenas a medicação não resolve.

Vanessa - Na condição de mãe e de médica pediatra e homeopata poderia deixar um conselho, até mesmo um desabafo, aos pais que vivem o mesmo drama vivenciado por vocês?
Cláudia - Meu conselho é que os pais voltem as atenções aos filhos. Também acho que a terapia familiar é fundamental no processo porque mais do que o tratamento do TDAH e da Dislexia, a ACEITAÇÃO PELA FAMÍLIA é o principal, sem a qual, nenhuma medicação ou terapia resolverão o problema.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011

“Fui diagnosticado aos 43 anos com Dislexia”

Conheci  o Krenak de Souza (nome de batismo) durante um evento realizado pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), no Parque Ibirapuera, no dia 05/12/2009. Era uma manhã de um sábado meio nublado e todos os inscritos ganharam uma camiseta amarela florescente com os dizeres na frente: Você sabe o que é Dislexia? e nas costas o logo da ABD e o site da entidade. Resolvi participar da atividade para ampliar minhas pesquisas e ter a oportunidade de conhecer outras pessoas. 

Cerca de 60 pessoas participaram da atividade e conforme íamos caminhando pelo  parque muitos nos paravam e questionavam sobre o que é a Dislexia, relatando que nunca haviam ouvido falar a respeito.  Durante o percurso  acabei conversando bastante com o Krenak e logo ficamos amigos.  Fiquei impressionada com os relatos ouvidos e mesmo diante de tantas dificuldades encontradas tanto na escola como na vida, ele não se entregou. Continuou  e continua lutando por seu merecido espaço ao Sol.
Por ser uma pessoa batalhadora, extremamente inteligente e de não ter desistido de seus ideais,  conseguindo, inclusive, conquistar o diploma de bacharel em Sociologia em uma das primeiras faculdades de São Paulo, a Faculdade de Sociologia e Política, convidei-o a compartilhar conosco sua história. Para alegria, o convite foi aceito com uma só exigência: solicitou-me que corrigisse os erros de português alegando  ser essa uma dificuldade ainda não superada “ é um grande empecilho, ou melhor, um elefante em meu caminho”, argumentou.   O que posso contar a vocês é que no texto original realmente os erros de ortografia e gramática são comuns e as trocas de letras são regras e não exceção.  Fato que está  me fazendo  refletir muitas coisas. Afinal, para que dominar plenamente as regras ortográficas se a essência da comunicação, daquilo que se pensa, se sabe, consegue-se expressar e pode muito bem ultrapassar os limites do senso comum? E, com certeza as ideias do Krenak superam em muito as teorias que já andei lendo por aí no campo da Sociologia. Ideias que em breve espero poder compartilhar com vocês porque ele já me prometeu uma outra entrevista  só para falar sobre suas ideias e a polêmica a respeito da existência ou não da Dislexia.

O depoimento...........................


"A vida é uma fantasia que todos nós gostamos de vestir". Ultimamente essa tem sido a minha citação preferida. Talvez seja pelo fato de toda a minha vida ter sido uma mistura de busca e decepção. Desde o convívio em família  até os grupos secundários as coisas sempre foram  muito difíceis para mim.

Apesar da incapacidade de compreender os motivos que me levavam sempre à demissão nos empregos, nunca desisti.  Insistia sempre.  A persistência tornou-se o principal motor vetor de minha vida e tem sido a responsável em conduzir  meus passos.

Nasci em Olinda, Pernambuco, e  aos três anos de idade meus pais mudaram-se para Aquidauana (MS).  O fato de ter perdido  meu pai cedo  e a dificuldade de relacionamento com a minha mãe impulsionaram-me a buscar  prematuramente uma independência e aos 16 anos resolvi sair de casa e tentar a sorte na cidade grande. Vim para São Paulo e hoje moro em Cananeia, no litoral sul.
Em  2006, aos  43 anos, descobri que minhas dificuldades tinham um nome até então  desconhecido: Dislexia. 
Em relação à  escola, passei por muitos momentos  fracassados.  Várias vezes me vi forçado  a desistir dos meus propósitos para dedicar-me a outros fins onde eu pudesse ver resultados. Um dos períodos mais tristes foi quando ingressei na escola técnica para cursar eletrotécnica, onde grande parte do curriculum era de exatas. Apesar de querer muito continuar os estudos, não sentia aptidão para tal e não conseguia acompanhar. Isso quase me levou  ao  desespero, sem contar que nos dias de exames sentia febre, calafrios. Com muito esforço e determinação  consegui  chegar ao fim do curso mas,  em 89, quando iniciei o curso de engenharia, as coisas complicaram-se de vez.  Lutei por quase dois anos até não aguentar mais tanta pressão e acabei desistindo por me sentir impossibilitado  de continuar. Essa  desistência nutriu um sentimento de fracasso que só o tempo permitiu a digestão. Tudo isso acontecia sem que eu tivesse a mínima ideia do que se tratava, sempre acreditei que era simplesmente uma deficiência na base escolar, onde não foi nada planejado e direcionado para mim.
Um dia tive a felicidade de conhecer uma senhora que trabalhava como psicopedagoga e logo ela percebeu uma anormalidade em mim e comentou sobre a Dislexia e como era o comportamento dos portadores. Infelizmente logo em seguida ela veio a falecer.
Em  2005, quando iniciei o curso de Sociologia e Política, as coisas se afunilaram de tal maneira que eu não sabia se chorava ou se sumia. No primeiro semestre, quando as notas foram fechadas, percebi na cara dos professores algo nada agradável. Aí, no  decorrer do segundo semestre  fui chamado para uma conversa particular na coordenadoria.  Fizeram-me vários questionamentos  sobre o que acontecia, queriam saber  se era falta de condições para acompanhar o curso ou falta de interesse por minha parte. Aí, neste instante,  me vi diante de um paradoxo a ser desvendado e confesso que foi um dos piores momentos da minha vida.
Algum tempo depois conheci uma garota que  me disse ser  disléxica e que havia passado pela ABD. Foi quando  tomei conhecimento da existência da Associação e fui procurar ajuda. Como  você sabe, passei por todos os procedimentos e testes e foi confirmado a existência dessa disparidade com um agravante:  meu quadro é irreversível  e  meus problemas sociais e outras dificuldades somadas com a Dislexia  contribuíram  para que o meu emocional chegasse a um  estágio bem fragilizado. Por isso,  fui aconselhado a  passar por um acompanhamento terapêutico.  Após a confirmação do diagnóstico procurei a faculdade, apresentei o laudo à coordenadora e o tratamento em sala de aula mudou. Os professores passaram a me entender melhor e a cooperar para que eu pudesse superar minhas dificuldades e conseguir me formar.  
Dispensei tratamento específico porque não tenho ilusões de resultados milagrosos. Perdi  meu grupo de trabalho e passei a realizar todas as tarefas de forma independente.
Ter sido diagnosticado como disléxico  não mudou quase nada em minha vida. Para falar a verdade, poucas mudanças  ocorreram.  Ainda sinto-me como se eu fosse uma  borboleta que embora tenha desenvolvido asas  continua presa ao casulo, proporcionando fortes sentimentos de angústia. É  claro que busquei novos conceitos e não trago mais aquela mania de viver 24 horas cobrando algo de mim mesmo. Lutar e não ver progresso só contribui para o agravamento do meu desempenho e desenvolvimento pessoal e cultural. Contudo tenho esperanças. Sei que o tempo, como senhor das coisas, me proporcionará meios e caminhos para que um dia, eu, por mim  mesmo, consiga  montar meu próprio mosaico.
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Instituto ABCD: a resposta chegou

Desta vez não demorou! A resposta sobre como é feito o aporte financeiro ao Instituto ABCD,  uma organização social de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua no apoio aos profissionais da saúde e educadores que trabalham em prol das dificuldades e dos distúrbios de aprendizagem, especialmente a Dislexia, chegou em minha caixa postal no dia 06/07/2011.

De acordo com informações da assessoria, o Instituto ABCD desenvolve suas atividades conforme define o Estatuto Social e a receita financeira é gerada por meio de contribuições associativas; acordos; doações; convênios; termos de parceria; entre outras  fontes de recursos que estão buscando um planejamento de mobilização de recursos voltado ao terceiro setor. “ Desta forma, aqueles que praticam investimento social privado como forma de participar de nossa causa e autorizam a visibilidade como contrapartida são divulgados no nosso material de comunicação. Entendemos ainda que a prática do investimento social privado como mecanismo de sustentabilidade das organizações do terceiro setor é algo que ainda precisa ser melhor desenvolvido em nossa sociedade”, afirmou Ana Luiza Navas, presidente do Instituto ABCD.
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