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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Instituto ABCD: a resposta chegou

Desta vez não demorou! A resposta sobre como é feito o aporte financeiro ao Instituto ABCD,  uma organização social de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua no apoio aos profissionais da saúde e educadores que trabalham em prol das dificuldades e dos distúrbios de aprendizagem, especialmente a Dislexia, chegou em minha caixa postal no dia 06/07/2011.

De acordo com informações da assessoria, o Instituto ABCD desenvolve suas atividades conforme define o Estatuto Social e a receita financeira é gerada por meio de contribuições associativas; acordos; doações; convênios; termos de parceria; entre outras  fontes de recursos que estão buscando um planejamento de mobilização de recursos voltado ao terceiro setor. “ Desta forma, aqueles que praticam investimento social privado como forma de participar de nossa causa e autorizam a visibilidade como contrapartida são divulgados no nosso material de comunicação. Entendemos ainda que a prática do investimento social privado como mecanismo de sustentabilidade das organizações do terceiro setor é algo que ainda precisa ser melhor desenvolvido em nossa sociedade”, afirmou Ana Luiza Navas, presidente do Instituto ABCD.
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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Instituto ABCD oferece verba financeira aos Centros de Diagnóstico que conquistam título de Referência

Fundado no Brasil em 2009, o Instituto ABCD é uma organização social de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua no apoio aos profissionais da saúde e educadores que trabalham em prol das dificuldades e dos distúrbios de aprendizagem, especialmente a Dislexia.

Atua também no financiamento e apoio técnico de projetos educacionais e sociais, destinados às instituições e organizações que passam por uma seleção feita periodicamente e que confere aos selecionados o título de Centro de Referência e verba financeira.
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Tomei conhecimento da existência do Instituto ABCD quando realizei minhas pesquisas no Núcleo Especializado em Aprendizagem (NEA) da Faculdade de Medicina do ABC, que na época, 2010, acabara de conquistar o título de Centro de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Dislexia e Problemas de Aprendizagem, pelo próprio Instituto ABCD.

Conforme release divulgado pela assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina do ABC, em 14/04/2010, o contrato com a Faculdade foi assinado em  13 de abril de 2010 e informava que a  organização não-governamental havia iniciado, cerca de um ano atrás, seleção de projetos de todo o país nas áreas de dislexia e dificuldades escolares e que foram eleitos somente cinco Centros de Referência no Brasil. Cada um deles receberia verba financeira para desenvolvimento de projetos com duração de dois anos. Além da Medicina ABC, foram escolhidas a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a UNESP de Marília/Botucatu, o Instituto CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O release afirmava ainda que o Instituto ABCD é uma organização recém instalada no Brasil, braço nacional de uma ONG inglesa dedicada ao atendimento e ao incentivo às pesquisas na área de Dislexia e que o projeto selecionado da Medicina ABC contemplava atendimento à população, reforma de áreas físicas e aquisição de equipamentos, contratação de pessoal, capacitação de pais e educadores de escolas básicas, além de pesquisa clínica.

Dislexia


O Instituto ABCD considera que a Dislexia é um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, de origem neurofuncional, caracterizado por um inesperado e substancial baixo desempenho da capacidade de ler e escrever, apesar da adequada instrução formal recebida, da normalidade do nível intelectual e da ausência de déficits sensoriais.

De acordo com o Instituto, o portador de Dislexia responde lentamente às intervenções terapêuticas e educacionais específicas. Porém, somente com as intervenções adequadas pode melhorar seu desempenho em leitura e escrita. Afirma ainda que o prognóstico depende de diversos fatores facilitadores, como por exemplo, a precocidade do diagnóstico e o ambiente familiar e escolar.

Entrei em contato com a assessoria do Instituto para saber mais detalhes do programa. Achei bastante legal a iniciativa desenvolvida por eles, mas, infelizmente, naquela época, quando recebi, em 19/04/2010, a resposta do meu pedido de entrevista, informaram-me que eles não tinham a intenção de aparecer na mídia e que iriam focar para que o trabalho desenvolvido pelos Centros de Referência fossem divulgados e não o deles.

Nova tentativa


Recentemente, entrei novamente em contato com o Instituto para saber se a posição inicial havia mudado. O email de retorno que recebi, em 31/05/2011, informou apenas sobre o trabalho desenvolvido pelos Centros de Referência e que em breve iriam publicar novos documentos com as atividades realizadas.

Continuo achando um desperdício não divulgar como é feito o aporte e a distribuição financeira dos recursos, afinal a informação é o melhor remédio.

Quem será esse anjo caridoso que ajuda milhares de crianças a descobrirem ser portadoras de Dislexia ou de outro distúrbio de aprendizagem, como o TDAH?

Queria conhecer seu rosto, seu nome para agradecer-lhe a iniciativa. Acho muito importante a difusão da informação e a ampliação do debate a respeito da existência ou não destes transtornos, principalmente quando envolve o uso de medicamento e neste caso é o Metilfenidato, aquele mesmo que menciono em outro post, da mesma família da cocaína. (clique aqui e leia a respeito)

Quem sabe nos próximos dias; meses ou anos, posso vir a receber outro email do Instituto ABCD com a tão esperada informação. Afinal, saber quem está por detrás dessa iniciativa poderá fazer toda a diferença nas discussões acerca da existência ou não destes transtornos. 

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Para conhecer melhor como é feita a seleção dos Centros de Referência, clique aqui.

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A resposta chegou! Clique aqui e confira o post

Como funciona um centro de diagnóstico multidisciplinar e o convênio com a Prefeitura de Santo André

Quando estava terminando meu trabalho de conclusão do curso de Pedagogia, o famoso TCC, sobre os Transtornos de Aprendizagem, com recorte na Dislexia, descobri que na região onde moro, Grande ABC, várias prefeituras mantêm convênio com o Núcleo Especializado em Aprendizagem (NEA), departamento ligado ao setor de neurologia da Faculdade de Medicina do ABC, que atende casos suspeitos de Dislexia e TDAH, de alunos oriundos da rede municipal de ensino ou particular.

Em Santo André, onde realizei as entrevistas e os estágios obrigatórios, caso a professora note dificuldades de aprendizagem em algum de seus alunos,  um contato com a coordenadora pedagógica é feito e se após discussão do caso chegarem à conclusão de ser necessário encaminhar a criança ao NEA, os pais dela são chamados para uma conversa.

Caso concordem, a criança é encaminhada para ser avaliada pela equipe multidisciplinar do Núcleo, formada por neuropediatras, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos. Não é cobrado valor algum dos pais, inclusive, se for necessário, o convênio fornece vale-transporte para a locomoção. Os valores só são cobrados quando o atendimento acontece via opção particular.

No primeiro encontro é realizado a anamnese, ou seja, os pais são entrevistados sobre a vida da criança desde o período de gestação, se houve algum problema durante o parto, abuso de drogas etc. Depois desta etapa, a criança realiza, normalmente, uns cinco testes específicos, como por exemplo: os de mapeamento cerebral, teste de QI (WISC-III – Escala de inteligência Wechler para Crianças), fonoaudiológicos, entre outros. Após todos os testes realizados, a equipe de profissionais reúne-se e discute o caso. Fechado o diagnóstico, os pais são chamados novamente para receber o resultado do laudo e ele também é encaminhado à coordenadora pedagógica, responsável pela escola de onde o aluno foi encaminhado.

Caso acuse TDAH, a criança é encaminhada tanto ao tratamento medicamentoso, com acompanhamento de um neuropediatra, quanto à terapia com psicólogos. A coordenadora pedagógica junto com a professora desse aluno também são orientadas a  utilizarem  métodos de ensino diferenciados. Agora, se for diagnosticado com Dislexia, o tratamento é feito apenas mediante intervenção pedagógica e terapêutica uma vez que não há remédio para tratar deste transtorno.

Muitas vezes acontece do laudo apontar para a combinação dos dois casos: Dislexia e TDAH, com algum tipo de comorbidade.  Em linguagem médica isso quer dizer sintomas secundários, causados em virtude do transtorno. Os mais comuns são: ansiedade; depressão; bipolar; abuso de drogas; tourette; transtornos opositor desafiador e de conduta.

De acordo com o professor da disciplina de Neurologia e coordenador do NEA, o neuropediatra Rubens Wajnsztejn, em 2009, foram realizados cerca de 15 mil atendimentos, não só na rede de Santo André, mas no todo. Deste total,  15% apresentaram algum tipo de transtorno do aprendizado e cerca de 20% TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Consegui agendar uma entrevista com  Wajnsztejn para saber dele uma opinião a respeito da polêmica sobre a existência ou não destes transtornos. Começou a entrevista fazendo outra pergunta: - Como desacreditar em fatos? E, logo em seguida, respondeu: - Impossível! Começou citando exemplos da própria  História da medicina. “Observando a linha do tempo, encontramos vários casos semelhantes como o que está acontecendo agora. Doenças como a Esquizofrenia e a Síndrome de Down, por exemplo, eram motivos  de tabus e preconceitos. Crianças portadoras de qualquer tipo de necessidade especial eram, além de estigmatizadas, excluídas das escolas ditas “normais. Infelizmente setores importantes da sociedade ainda lutam para manter o preconceito e a estigmatização de patologias que tanto a ciência quanto à prática médica demonstram ser reais”, afirmou. A entrevista com Wajnstejn aconteceu na sede do NEA no dia 07/06/2010.


Falta de formação

Em abril de 2009, entrevistei também a coordenadora do Centro de Atenção ao Desenvolvimento Educacional da Prefeitura de Santo André, Rosemeire Aparecida Ferreira Lima, responsável por gerenciar um núcleo de escolas municipais que encaminham alunos para diagnóstico no NEA. Na opinião dela, os transtornos de aprendizagem são uma realidade e ela não tem dúvidas quanto à sua existência. “É necessário entender sobre esses transtornos para podermos cumprir com o nosso papel de educadores. Não há como intervir pedagogicamente se não soubermos o que a criança tem de fato”, destacou.  Com mais de 20 anos de experiência na área, Rosemeire citou ainda que de cada cinco alunos encaminhados para avaliação (isso em 2009), um apresenta laudo positivo, seja para os Transtornos Globais de Aprendizagem, no qual se insere a Dislexia, ou para o TDAH.

Para a pedagoga Priscila de Giovanni, coordenadora do  Serviço Educacional do Centro de Atenção ao Desenvolvimento Educacional (CODE), departamento ligado à Secretaria Municipal de Ensino de Santo André, o grande problema envolvendo as dificuldades de aprendizagem está é na má formação dos professores. Com mais de quinze anos de experiência em docência e trabalhando no departamento que traça as diretrizes educacionais às crianças portadoras de necessidades especiais, ela avalia que os alunos portadores de algum tipo de distúrbio de aprendizagem, provocado, por exemplo,  pelo TDAH e Dislexia, não podem ser enquadrados naqueles que apresentam algum tipo de deficiência. “Eles não estão nem na área da deficiência física e nem na da mental”, afirma.

Giovanni concedeu entrevista na sede do CODE no dia 08/06/2010 e questionada sobre a polêmica a respeito da existência ou não destes transtornos, afirmou: “Se tiver que escolher entre as duas correntes, escolho a que defende a tese da não existência destes transtornos. Independente do que a criança possa ter ou vir a ter, o professor precisa é de boa formação, saber como vai ensinar, como vai lidar com as diferenças em sala de aula”.

Terminou a entrevista enfatizando que o convênio com o NEA é uma boa parceria porque  propicia formação e conhecimento.  Fatores, que na minha opinião, fazem toda a diferença porque entendo que a informação ainda é o melhor remédio. A partir do momento em que a escola sabe o que está acontecendo com aquele aluno tem condições de intervir, de cumprir efetivamente com o seu papel: o de propiciar a aprendizagem e a formação de um futuro cidadão, sem rótulos, sem estigmas. 

É uma pena que estão medicando logo de cara essas crianças diagnosticadas como TDAH sem antes dar chance à elas de tentarem percorrer um caminho diferente do da maioria, mas que leva à mesma aprendizagem.  Ele existe. Basta saber conduzi-lo. 

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ritalina + ecstasy = balada hiperativa - As facilidades da compra

Matéria veiculada pela Folha Equilíbrio, em  28/09/2010, já denunciava o uso da Ritalina misturada com ecstasy em baladas para promover uma noite “hiperativa” e “inesquecível”. Nenhuma novidade para a polícia e quem atua na área sabe muito bem que o uso “virado aos avessos” da ritalina já é praticamente rotina, encontrada noite adentro, durante as blitzs em busca de drogas.

Se para a polícia é difícil conter as drogas ilícitas, imagina agora com a facilidade de acesso a uma droga similar à cocaína (ritalina/metilfenidato).  A compra deste medicamento/droga, que faz parte da categoria dos entorpecentes, pode ser feita em qualquer  farmácia de esquina cujo preço médio varia em torno de R$ 25,00. Basta apresentar uma receita amarela (é aquela que só comercializa dois tipos de drogas: a própria ritalina e a morfina e que explico em outro post). Você deve estar se perguntando então como é feito o diagnóstico do TDAH que dá autoridade ao médico poder prescrever um medicamento desta categoria.   

Vamos lá entender o processo ...........

Até o momento, pelo que sei, não existe exame físico que possa comprovar a existência do TDAH como sendo uma doença, ou seja, é diferente, por exemplo, do diabetes. Você vai lá no laboratório, tira o sangue e o resultado do exame indica se tem ou não tem. Não há erro. Não há dúvidas. Por isso, existe tanta polêmica em torno da existência ou não deste transtorno. Enquanto a ciência não consegue dar uma resposta mais conclusiva, apontando uma “evidência física incontestável”, o diagnóstico é feito, na maioria dos casos, por meio de um tal de questionário, conhecido no meio médico como SNAP-IV, formulado a partir dos sintomas do Manual de Diagnóstico e Estatística – IV Edicação (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria.  É daí a expressão “diagnóstico clínico” porque é feito em cima deste questionário e de uma conversa entre médico e paciente.  Caso o paciente responda 6 das 10 perguntas, o médico já pode indicar o uso da Ritalina. Isso é o procedimento padrão e não vão brigar com os médicos! Eles estão apenas cumprindo o seu papel diante das ferramentas a que tem acesso e que foram aprovadas pelos governos. Se decidem prescrever ou não, já é outra história. O fato é que é assim que funciona a lógica do diagnóstico clínico para o TDAH que gera acesso ao medicamento.     

Não é por acaso que o Brasil já é o segundo maior consumidor de Ritalina no mundo. É muito simples consegui-la pelas vias oficiais. Um remédio tão forte não deveria poder ser prescrito com tanta facilidade numa única consulta, com um único especialista, por mais experiente que ele seja, em cima de um questionário, que na minha opinião parece mais um daqueles testes de revista feminina para saber se ele tá afim de você ou não. Duvida? Sugiro que leia o tal questionário, ele está disponibilizado na página da ABDA - Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Clique aqui e veja com os próprios olhos.

Enquanto as autoridades fazem vista grossa à gravidade do assunto, a indústria farmacêutica comemora o grande sucesso de seu produto.  
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Caso queira ler a matéria da Folha Online, clique aqui.

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