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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Conheça o Grupo Aprendiz


Dr. Cristiano Gomes, coordenador do Grupo Aprendiz, explica como nasceu a iniciativa de criar o grupo


O Grupo Aprendiz -  Grupo de Apoio aos Pais de Crianças e Adolescentes com Dificuldade de Aprendizagem  de São Caetano do Sul - foi criado com a missão de ajudar todos os envolvidos no assunto dificuldades e transtornos de aprendizagem.  Reúne mensalmente pais, professores, profissionais da área de saúde e demais interessados para troca de experiências visando sempre ajuda mútua.

O Grupo foi criado em março de 2012 e já ganhou um prêmio nacional na categoria de melhor projeto:  o IV Prêmio Inovação em Saúde Pública Medical Services da empresa Sanofi Avenits.


As reuniões são abertas ao público em geral e acontecem atualmente no auditório do SEMEF – Segunda Escola Municipal de São Caetano do Sul – Rua José Benedetti, 550, Cerâmica, SCS, SP.  Não é necessário pagar nenhuma taxa ou mensalidade para fazer parte do grupo.

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Para saber mais sobre o  prêmio conquistado pelo Grupo Aprendiz, clique aqui

Para entrar em contato com o Grupo e ficar por dentro das reuniões, você pode:

-         Assinar a página do Grupo no Facebook, clique aqui   
-         Entrar em contato pelo tel.: xx 11 - 4221-7004 ou 4221-6820


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

“Remédio para TDAH ajuda crianças ou escolas?”


                      Heloisa Villela. Foto: Vanessa Gasquez


Heloisa Villela, jornalista, correspondente internacional e mãe de um garoto diagnosticado TDAH, foi convidada a participar do II Seminário Internacional “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos” para falar sobre sua história pessoal e os motivos que a levaram a pesquisar e escrever sobre o TDAH.

Começou a fala com uma pergunta: - Remédio para TDAH ajuda crianças ou escolas? Logo depois, contou  como foi ter ouvido dos educadores que seu filho apresentava “algo de errado” e que por isso era preciso buscar ajuda médica. Relatou ainda como foi a “via-crúcis”:  ouviu vários especialistas nos EUA e Brasil e como alguns deles recomendaram o uso do metilfenidato, decidiu pesquisar mais sobre o tal  remédio e como é feito o diagnóstico, elaborado, normalmente, via DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais). 

“Consegui uma entrevista com o Psiquiatra e professor Emeritus da Unversidade Duke, Dr. Allen Francês, que presidiu a força-tarefa que elaborou o DSM-IV.  Está bastante preocupado com os rumos que vem tomando a elaboração do DSM-V. Se antes, era possível diagnosticar o TDAH com apenas 6 dos 10 sintomas previstos pelo DSM-IV, agora com o V, ficará muito mais fácil porque pretendem baixar para apenas 3 sintomas”, afirmou.

Na entrevista, publicada pelo site Viomundo, o Dr. Francês afirma achar que existe um aumento surpreendente e alarmante do número de diagnósticos de TDAH e se segue a isso o excesso de prescrições de estimulantes. “Parte disso tem a ver com mudanças feitas no DSM-V mas é, principalmente, consequência da campanha de marketing agressiva da indústria farmacêutica, que começou três anos depois da publicação do DSM-V. E foi incentivada por dois motivos: trazer para o mercado novas drogas que ainda estavam sob patente e por isso mesmo poderiam ser vendidas por um preço alto. Em segundo lugar, nos Estados Unidos houve uma mudança na regulamentação que permitiu à indústria farmacêutica fazer propaganda direta ao consumidor, permitindo a eles colocar anúncios na TV, divulgar informação na internet, atingir pais, crianças, professores e médicos, especialmente clínicos gerais que foram encorajados a ver TDAH em comportamentos que antes não eram considerados parte do TDAH. Isso incentivou diagnósticos fáceis e um grande aumento no número de prescrições. O DSM-V promete piorar isso tudo ainda mais”, afirmou.

Por mudanças,
abaixo-assinado!

De acordo ainda com a entrevista, o Dr. Francês afirmou existir um abaixo-assinado circulando e que cerca de 5.000 profissionais da área de saúde mental já o assinaram logo na primeira semana. Na opinião dele, se esse abaixo-assinado decolar e centenas de milhares de pessoas o assinarem, acredita que o DSM-V vai ter que tomar conhecimento.


Mais informações...............

A jornalista também escreveu um artigo no site Viomundo onde fala sobre o livro “Anatomia de uma epidemia” (tradução literal para o português já que ainda não existe versão na nossa língua), do escritor Robert Whitaker, ganhador de prêmios na área de jornalismo científico.

Parte do artigo diz o seguinte: ..... Estamos falando em medicar e alterar, talvez para sempre, a química do cérebro de crianças de 6, 7 ou 8 anos de idade. E pior, sem saber exatamente o que está sendo alterado! Os mesmos psiquiatras, que receitam os remédios, não sabem dizer quais serão as consequências na vida daquele paciente mirim, dentro de 12, 15 ou 20 anos. Mas ressaltam que tudo é uma questão de custo/benefício. “Não é melhor a criança conseguir se concentrar para assistir aula e fazer os deveres?”, costumam perguntar. Uma amiga minha ouviu o seguinte: “Você não quer que o ambiente, na sua casa, se torne mais tranquilo?” Mãe de quatro filhos, o mais velho com 9 anos, ela garantiu que não. Se estivesse procurando sossego, não teria uma prole tão vasta.

Se os psiquiatras não sabem dizer o que vai acontecer com as crianças medicadas, as estatísticas já dão motivo de sobra para preocupação. Os estimulantes  usados para tratar a TDAH (ritalina e seus derivados) provocam uma montanha-russa diária nos sentimentos da criança. Ela sente o coração apressado pela manhã, depois de tomar o remédio. Algo estranho se passando por dentro do corpo, que deixa a criança quieta, calada e atenta. No fim do dia, normalmente, existe uma explosão de raiva, choro. É como diz o Whitaker: “Toda criança, sob o efeito de estimulantes, se torna um pouco bipolar”.

O doutor Joseph Biederman e a equipe do Massachussetts General Hospital mostraram, em 1996, que 11% das crianças diagnosticadas com TDHA, quatro anos depois foram diagnosticadas com bipolaridade, doença que não fazia parte do quadro inicial. Em 2003, o psiquiatra Rif ElMallakh, da Universidade de Louisville, costatou que 62% dos pacientes jovens com bipolaridade já haviam sido tratados com estimulantes e antidepressivos antes de apresentarem bipolaridade. E Gianni Faedda descobriu que 84% das crianças tratadas com bipolaridade na Luci Bini Mood Disorders Clinic, de Nova York, entre 1998 e 2000, já tinham sido expostas a remédios psiquiátricos......

E, termina concluindo: .....duvido que professores e diretores das escolas americanas, que descrevem os estimulantes como algo simples e necessário tal qual os óculos para os míopes, tenham alguma noção a respeito das possíveis consequências da medicação no longo prazo. Duvido que saibam diferenciar entre uma criança que tem problemas mentais agudos e talvez precise de remédios, de outra com alguma dificuldade de aprendizagem associada a um momento pessoal difícil, que produz um quadro parecido com a TDAH.

Mas eles são rápidos em sugerir uma visita ao pediatra ou, imediatamente, ao psiquiatra. E a avaliação dos professores, a respeito do comportamento dos alunos, em sala de aula, tem um peso enorme no diagnóstico final. Me parece que o assunto é muito sério e que os professores, por melhores que sejam, não estão capacitados para sugerir a necessidade de algum tratamento psiquiátrico.

Os remédios, com certeza, tornam mais administrável a sala de aula com quase 30 crianças. Já pensou se várias forem levadas da breca? Não pararem sentadas um minuto? Todas levam para a classe os problemas que trazem de casa. Mas eu sempre me pergunto o que faziam a Tia Rosa e a Tia Bela (juro que esses eram os nomes das minhas professoras primárias!). Também tínhamos uma sala de aula cheia. E me lembro bem de ter de sentar ao lado do pestinha da turma e chegar em casa com as maria-chiquinhas destroçadas de tanto que ele puxava meu cabelo, tentando sair da carteira. O que será que essas Tias-professoras têm a dizer dessa epidemia de TDAH?
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Para ler na íntegra a entrevista com o Dr. Allen Francês,  clique aqui.

Para ler na íntegra o artigo da jornalista Heloisa Villela, clique aqui.

Para saber sobre o Seminário, clique aqui. 

Para saber sobre o  DSM-V, clique aqui.  
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Richard Branson e Christine D’Ornano: ´"É preciso mudar a escola"




O vídeo acima mostra um breve depoimento de um dos empresários mais bem sucedidos do mundo, Richard Brason, presidente da Virgin. Ele relata  as dificuldades que  vivenciou  na escola por ser disléxico e como é necessário realizar mudanças.  

"Você não pode educar hoje como ontem”


Mesma opinião compartilha a herdera do império de cosmético Sisley, Elisabeth d'Ornano, que por muitos anos foi a garota propaganda da marca. Em entrevista ao portal de notícias do jornal epanhol El País, em 05/09/2011,  ela chegou a afirmar que os hiperativos estão acelerando as mudanças na escola. Disse ainda que por ter vivido o TDAH na  própria família, sabe muito bem da necessidade que essas crianças precisam  em ter apoio familiar para conseguir superar suas dificuldades. É um dos motivos que a inspirou a criar a “Asociación Elisabeth d'Ornano para el Trastorno de Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH)”. 

De acordo com ela, é fundamental que  pais e  educadores tratem essas crianças com muito amor.     "É importante que os pais não pensem que seus filhos têm um problema ou transmitam  rejeição. Você precisa se sentir amado, o amor lhe dará a base do  apoio necessário. Muitas vezes o suporte psicopedagógico também é inevitável”, afirmou ao portal.

D'Ornano defende ainda a tese  "do potencial das diferenças". “Você não pode educar hoje como ontem. Essas crianças são freqüentemente acusadas ​​de serem vagas, desinteressadas, mas a dificuldade é real. Por causa de sua desordem, elas precisam de um outro tipo de educação e sem dúvidas, mostram a necessidade de inovar a escola. Com elas, os professores não podem dormir”, finalizou. 

TDAH e Dislexia

A corrente que defende a existência dos transtornos afirma que embora o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade seja diferente da Dislexia muitas vezes eles ocorrem de forma simultânea e ocasionam a mesma circunstância: dificuldades de aprendizagem.

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Quer conhecer a “Asociación Elisabeth d'Ornano para el Trastorno de Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH)”? Clique aqui e entre direto no site da associação.


Para ler na íntegra a entrevista de Elisabeth d'Ornano ao portal do El País, clique aqui.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"Eu me achava uma burra" afirma psiquiatra diagnosticada com TDAH



Psiquiatra é entrevista no programa do Jô


"Eu me achava uma burra" afirma psiquiatra diagnosticada com TDAH 

"Quando tive o diagnóstico e comecei o tratamento, eu me senti como um míope que põe o primeiro par de óculos e percebe que o mundo é cheio de detalhes", afirmou a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Filho, autora do best-seller Mentes Inquietas, que fala sobre o TDAH, à edição 2132 da revista Veja. De acordo com a médica, "quem tem TDA presta uma atenção acima da média naquilo que desperta seu interesse verdadeiro. É o que a gente chama de hiperfoco. Por isso, acho injusto falar de déficit de atenção. O que existe é uma atenção instável", afirmou.

Questionada sobre a cura do TDAH, a médica foi enfática: "Não tem cura, mas há grandes chances de um final feliz. No momento em que você entende sua engrenagem, passa a dominá-la em vez de ser dominado por ela. Aí pode até levar vantagens. O excesso de pensamento – que causa exaustão, desorganização e esquecimento – também traz ideias. Existem ideias boas e más. O grande aliado de quem sofre de TDAH é um caderninho. Em qualquer lugar, eu anoto pensamentos que já deram origem a capítulos de livros. Mesmo para ideias sem sentido, é vital ter organização. Dalí pode sair algo realmente inovador". explicou.

  Sobre o sucesso de seu livro Mentes Inquietas, que chegou a vender mais de 200 mil cópias, a médica afirmou que começou sem nenhuma pretensão. "Aliás, o diretor da primeira editora que procurei, quando viu o livro, disse que o tema déficit de atenção não vendia e queria me convencer a escrever sobre compulsão por compras. Fiquei muito brava e, de maneira impulsiva, rasguei o contrato que já havia assinado. Decidi vender meu Peugeot 205 e mandei fazer 3.000 exemplares do livro. Minha ideia era colocar no site da clínica e vender pela internet. Em um mês o livro vendeu 20 mil cópias", disse.

Dislexia


De acordo com a psiquiatra, além do TDAH, ela também tem Dislexia. "Quando eu era pequena, tinha um diário, mas escrevia tudo errado. Trocava ou repetia as sílabas. Eu adorava escrever na máquina Olivetti. Meu pai, que era professor de português, vinha e corrigia tudo. No final, o texto só tinha vermelho. Ele brincava: "Filhinha, ainda bem que você não vai ser escritora". Minha mãe já era o contrário. Ela dizia: "Adorei o conteúdo, mas, filha, você precisa prestar atenção nas palavras, nos acentos", contou.

Excesso de diagnósticos e tratamento

Em matéria veiculada pelo caderno Folha Equilíbrio a psiquiatra afirmou que concorda que exista um grande excesso de diagnosticos e tratamento de TDAH. "Recebo muitas crianças cujos pais chegam ao consultório dizendo que os filhos têm TDA. Teve uma mãe que dizia que o filho tinha TDA porque era muito "criativo" e citou o fato dele ter ateado fogo em pererecas para parecerem fogos de artifício. Aquilo não era criatividade e sim perversidade. Também tem pai achando que o filho tem TDAH porque está disperso na época do vestibular. Mas ele pode estar apaixonado ou usando drogas. Há exames que mostram se a pessoa usou drogas nos últimos três meses. Ela não precisa dizer", disse.


Snopse do livro Mentes Inquietas

Distraído, avoado, enrolado, esquecido, desorganizado, impulsivo, agitado, inquieto, vive a "mil por hora". Estes são alguns adjetivos mais comuns usados para descrever o comportamento de pessoas que, injustamente, são tidas como preguiçosas, irresponsáveis e rebeldes. Na realidade, elas possuem um funcionamento cerebral diferente denominado Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade  (TDAH), caracterizado por distração, impulsividade e hiperatividade. Escrito com clareza, espontaneidade e muito bom humor, Mentes Inquietas soa como uma conversa na sala de estar de nossas casas, trazendo um alento ao coração das pessoas que por muito tempo se sentiram como "peixes fora d'água".
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Quer saber mais sobre a psiquiatra?Visite o site dela clicando aqui.

Para ler a da Folha Equilíbrio, clique aqui.

A entrevista publicada na Veja está disponível na versão online. Clique aqui e leia na íntegra.



 
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E, você? Já leu o livro Mentes Inquietas? O que achou? Deixe um comentário..........

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sou Disléxico, e Daí?


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Reprodução/pxhere



Sou Disléxico e Daí? é o título do livro de Hélio Magri Filho, especialsita em Dislexia e membro da Associação Brasileira de Dislexia, da International Dyslexia Association e da Associação Brasileira do Déficit de Atenção. De acordo com entrevista publicada no Blog da Família e das Mães, Hélio afirma por ser disléxico viveu várias dificuldades, como discalculia (dificuldades com números), desatenção e outros "dis" que o fizeram sempre viver se questionando, como seria se tivesse que mentalizar todos os seus movimentos, suas ações e reações antes de manifestá-los. "Isso é desgastante, muito estressante, mas também enriquecedor. Sempre sentia que era diferente, não conseguia me inserir no cenário e questionava, interna e incessantemente minha postura. Isso para quem está tentando assimilar os caminhos do mundo é um peso extra que carregamos. Se não entendemos quem somos e como somos, como poderemos entender a vida como ela é?" afirmou ao portal.

1- O que é dislexia?
A definição oficial, aceita pela Associação Brasileira de Dislexia: Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária.
Minha definição: Nosso cérebro, quando visto de cima, lembra duas metades de uma noz. Cada metade recebe o nome de hemisfério cerebral. Os hemisférios comunicam-se através de um feixe de fibras nervosas denominado CORPO CALOSO. A grande maioria das pessoas foi acostumada a pensar e agir de acordo com o paradigma cartesiano, baseado no raciocínio lógico, linear, sequencial, deixando de lado suas emoções, a intuição, a criatividade, a capacidade de ousar soluções diferentes. Utilizando mais o hemisfério esquerdo, considerado racional, deixamos de usufruir dos benefícios contidos no hemisfério direito, como a imaginação criativa, a serenidade, visão global, capacidade de síntese e facilidade de memorizar, dentre outros. Eu costumo dizer que não tenho "atleticidade" cerebral suficiente para cruzar a "ponte" (corpo caloso) do hemisfério esquerdo para o direito, e vice versa, do meu cérebro. Tenho uma tendência maior em permanecer no lado direito, ou seja, mais no mundo da "lua", comprometendo atenção, concentração e aprendizagem.
2- Conte-nos um pouco da sua experiência de vida como disléxico.
A vida com dislexia, discalculia (dificuldades com números), desatenção e outros "dis" me deixou sempre numa posição de questionamento, é como se eu tivesse que mentalizar todos meus movimentos, minhas ações e reações, antes de manifestá-los. Isso é desgastante, muito estressante, mas também enriquecedor. Sempre sentia que era diferente, não conseguia me inserir no cenário e questionava, interna e incessantemente minha postura. Isso para quem está tentando assimilar os caminhos do mundo é um peso extra que carregamos. Se não entendemos quem somos e como somos, como poderemos entender a vida como ela é? Como tudo na vida parece ter sempre um jeito, eu criava estratégias para lidar com números, evitava leituras em voz alta, alegava sempre algum mal estar súbito e outras tantas desculpas. E nessa introspecção eu fui descobrindo quem realmente sou… e daí escolhi manifestar isso todos os dias da minha vida.
3- O que foi mais difícil em sua infância?
A mais difícil na infância, e na vida adulta, são os rótulos. Entendo que as pessoas não têm a paciência suficiente, e nem o conhecimento necessário para entender que somos diferentes. A crueldade destes rótulos, mais a incapacidade de desempenhar tarefas consideradas normais para as outras crianças deixaram suas marcas na auto-estima. A frustração de uma criança que não consegue se ajustar é algo silencioso e pessoal. Uma batalha constante. Isso foi o mais difícil: Cada dia era uma luta para se inserir nos cenários e corresponder às expectativas da família, da escola e etc.
4- Como pode ser identificado precocemente que uma criança tem Dislexia
A Dislexia pode ser identificada já nos primeiros anos escolares, sendo que a primeira condição para o diagnóstico é que a criança já tenha sido alfabetizada e que a criança já tenha tido uma vivência com a leitura e escrita de, pelo menos, dois anos para que seja possível a caracterização das dificuldades disléxicas. NNecessita de um tratamento apropriado. Por não ser um problema que passa com o tempo, a dislexia merece atenção para não passar despercebida. É importante que o diagnóstico seja efetuado o quanto antes, assim, as crianças tratadas desde cedo, têm grandes chances de superar ou conviver melhor com os sintomas. São vários os sinais que identificam a dislexia: Dificuldade com cálculos mentais, dificuldade em organizar tarefas, dificuldades com noções espaço- temporais, entre outras. Podemos observar também um desempenho inconstante com relação à aprendizagem da leitura e da escrita; Dificuldade com os sons das palavras e, consequentemente, com a soletração; Escrita incorreta, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas; Relutância para escrever; Confusão entre letras de formas vizinhas, como "moite" por "noite", "espuerda" por "esquerda"; Confusão entre letras foneticamente semelhantes: "tinda" por "tinta", "popre" por "pobre", "gomida" por "comida"; Omissão de letras e/ou sílabas, como "entrando" por "encontrando", "giado" por "guiado", "BNDT" por "Benedito"; Adição de letras e/ou sílabas: "muimto" por "muito", "fiaque" por "fique", "aprendendendo" por "aprendendo"; União de uma ou mais palavras e/ou divisão inadequada de vocábulos: "Eraumaves um omem" por "Era uma vez um homem", "a mi versario" por "aniversário"; Leitura e escrita em espelho; Existem ainda outros sinais importantes de dislexia na idade escolar: Lentidão na aprendizagem dos mecanismos da leitura e escrita; Trocas ortográficas, dependendo do tipo de dislexia; Problema para reconhecer rimas e alterações; Desatenção e dispersão; Desempenho escolar abaixo da média, em matérias específicas, que dependem da linguagem escrita; Melhores resultados nas avaliações orais, do que nas escritas; Dificuldade de coordenação motora fina (para desenhar, escrever e pintar) e grossa (é descoordenada); Dificuldade de copiar as lições do quadro, ou de um livro; Problema na lateralidade (confusão entre esquerda e direita, ginástica) Dificuldades de expressão: vocabulário pobre, frases curtas, estruturas simples, sentenças vagas; Dificuldades em manusear mapas e dicionários; Esquecimento de palavras; Problema de conduta: retração, timidez excessiva e depressão; Desinteresse ou negação da necessidade de ler; Leitura demorada, silabadas e com erros. Esquecimento de tudo o que lê; Salta linhas durante a leitura, acompanha a linha de leitura com o dedo; Dificuldade em matemática, desenho geométrico e em decorar sequências; Desnível entre o que ouve e o que lê. Aproveita o que ouve, mas não o que lê; Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa; Não gosta de ir à escola; Apresenta "picos de aprendizagem". Em alguns dias parece assimilar e compreender os conteúdos e em outros, parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente; Pode evidenciar capacidade acima da média em áreas como: desenho, pintura, música, teatro, esporte, etc;
Quando um aluno demonstra contínua dificuldade com os problemas acima, deverá ser imediatamente encaminhado aos profissionais especializados, estes farão averiguações concretas. O diagnóstico deve sempre ser feito por uma equipe multidisciplinar composta de fonoaudiólogos, neuropsicólogos, psicólogos, e etc.
5- Como devem agir os pais ao perceber que o filho tem dislexia?
Tudo deve ser feito em PARCERIA com a escola. Constatado a dislexia, é fundamental que o professor esclareça em sala de aula quanto às dificuldades do colega, para que se mantenha um ambiente de respeito e consideração sem rejeições. Quero enfatizar a importância do acompanhamento dos pais com o disléxico, estes devem ser esclarecidos para que possam entender melhor as dificuldades que seu filho demonstra e ajudá-lo a contorná-las. A Associação Brasileira de Dislexia (ABD) através de seu site: www.dislexia.org.br disponibiliza ferramentas, apoio e recursos que os pais podem usar para lidar com o problema. Além de tudo isso, os pais devem encontrar uma escola que possa atender as necessidades do seu filho disléxico. As escolas devem oferecer adaptações do sistema escolar às necessidades do aluno disléxico, para que ele possa entrar em contato com experiências e informações, para a construção de sua aprendizagem. Não há uma escola perfeita, o fundamental então é selecionar uma escola que mais se adapte às prioridades da Criança, e acompanhar sistematicamente sua aprendizagem, contando com o auxílio de uma equipe multidisciplinar. A busca por uma escola é essencial, pois no Brasil, a maioria dos modelos de escola que conhecemos, públicas e particulares, geralmente não foram feitas para disléxicos. Um bom programa educacional para crianças disléxicas precisa estabelecer objetivos específicos de progresso para o ano letivo. É necessário dedicar muita atenção para que a dislexia seja superada; sendo assim, seja paciente com um aluno ou filho disléxico, e não deixe que ele sofra de baixa auto-estima. Incentive-o a buscar novas atividades e interesses, tais como esportes ou música, e sempre o recompense quando ele progredir em seus estudos.
6- Porque em pleno 2011, os educadores e as escolas ainda têm dificuldade em identificar a dislexia numa criança?
Eu tenho um sonho: O ideal seria que toda criança fosse testada para detectar se ela sofre de dislexia. Porém, o sistema educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de recursos na maioria das escolas do País. Apesar das salas de aula estarem lotadas e apesar da falta de recursos para pesquisas, a dislexia precisa ser combatida. Muitos casos de dislexia passam despercebidos em nossas escolas por causa da falta de conhecimento dos educadores, dos pais e pelo próprio sistema de ensino que ignora as necessidades mais básicas de alfabetização. Eu morei no exterior por mais de vinte anos, e em minhas pesquisas descobri que em outros países a questão da dislexia, e de outros distúrbios de aprendizagem, está ligada aos assuntos de SAÚDE. Aqui no Brasil, insistimos que isso tudo é do ENSINO. Muitas vezes, crianças inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se envergonham de suas dificuldades acadêmicas, abandonam a escola e se isolam de amigos e familiares. Muitos pais, ainda por falta de conhecimento, se envergonham de ter um filho disléxico e evitam tratar do problema. Isso é lamentável, pois crianças disléxicas que recebem um tratamento apropriado podem não apenas superar essa dificuldade, mas até utilizá-la como benefício para se sobressair pessoal e profissionalmente.
Não é suficiente incluir uma criança disléxica em sala de aula, precisamos, antes de tudo, de professores e coordenadores capacitados em dislexia para atender com eficiência as necessidades que estas crianças apresentam. A abrangência da inclusão escolar é muito ampla. Uma educação para todos precisa valorizar a diversidade em todos os sentidos, dinamizando e enriquecendo as relações e interações, despertando nos alunos o desejo de conhecer e conviver com grupos diferentes do seu. A escola é um lugar privilegiado de encontro com o outro, onde o respeito às diferenças deve prevalecer. Fica aqui um desafio para os professores: VOCÊ, COMO EDUCADOR, É CAPAZ DE ENSINAR DE ACORDO COM A NECESSIDADE DA CRIANÇA, OU ACHA QUE A CRIANÇA DEVE APRENDER DE ACORDO COM O SEU MÉTODO DE ENSINO?
7- Qual caminho os pais devem seguir ao constatar que o filho tem dislexia?
Além do que já falamos anteriormente quero acrescentar ainda que, assim como qualquer criança, os disléxicos necessitam do apoio dos pais. Não só para a satisfação das suas necessidades imediatas e físicas, mas também para ajudar na criação de mecanismos para superar suas dificuldades.
Usar exercícios criativos que envolvam a memória, tais como recitar poemas infantis em conjunto, ler poemas, utilizar mímica, teatro, falar de imagens, utilizar a ação, os jogos de tabuleiro, e cantar músicas, podem ser muito úteis.
Estas são algumas dicas/estratégias que também poderão ser importantes:
* Incentivar a prática de exercício físico, em que se promova o atirar, capturar, chutar bolas, saltar e treinar o equilíbrio;
* Incentivar a prática de atividades lúdicas e artísticas, como dança, pintura ou outra que a criança se sinta inclinada;
* Incentivar o gosto pela leitura, usando a linguagem dos livros — as imagens, as palavras e as letras — para perceber que os livros podem ser analisados, lidos e desfrutados;
* Mostrar como segurar um livro, de que forma ele abre, onde começa a história, onde é o topo da página e que direção segue o texto, apreciar as imagens;
* Promover o aspecto cultural: visitar museus, assitir peças de teatro ou musicais, conhecer outras cidades, etc
* Ajudar a criança disléxica a aprender a seguir instruções, por exemplo, "por favor pegue no lápis e coloque-o na caixa", e fazer gradativamente sequências mais longas, por exemplo, "ir à prateleira, encontrar a caixa vermelha, trazê-la para mim".
Incentive sempre a criança disléxica a repetir a instrução antes de realizar a tarefa desejada.
8- Existe alguma metodologia de ensino específica para crianças disléxicas?
O professor, quando preocupado com o desempenho e o progresso de um aluno, deve consultar os pais e a própria escola a fim de obter maiores informações sobre a vida escolar do aluno. Se a preocupação e os sinais persistirem, o professor deve sugerir, juntamente com o psicólogo da escola, um acompanhamento clínico especializado. Desta forma, tornará sua ajuda muito valiosa, já que não é o professor que fará as terapias e tratamento necessários, mas tem o dever de identificar e posteriormente dedicar-se de maneira especial ao aluno disléxico em sala de aula, resgatando também, sua autoconfiança.
O professor de um aluno disléxico deve rever suas estratégias metodológicas e descobrir habilidades nestes alunos, para que eles possam descobrir-se, conhecer-se e possivelmente destacar-se em outras áreas, pois se os disléxicos fracassarem no período escolar, significa que não fracassaram sozinhos: a escola, desde o gestor até o professor, também fracassou.
Não há um só tratamento, ou intervenção escolar, que seja adequado a todas as pessoas. Contudo, a maioria dos tratamentos e intervenções enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos e intervenções ajudam o disléxico a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. É aconselhável que a criança disléxica leia em voz alta com um adulto para que ele possa corrigi-la. É importante saber que ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção e repetição. Mas um bom tratamento e intervenção adequados, certamente rendem bons resultados. Alguns estudos sugerem que quando administrados ainda cedo na vida escolar de uma criança, podem amenizar e até mesmo corrigir as falhas nas conexões cerebrais.
9- O que fazer para facilitar a vida de uma criança disléxica?
Crianças precisam de amor… Uma criança disléxica precisa de muito amor e da conscientização, pelos pais e professores de três regras básicas: Nunca julgue; Nunca critique e Nunca condene!
Se os pais e professores sabem que a dislexia persiste, apesar da boa escolaridade. É necessário que estejam cientes de que um alto número de crianças sofre de dislexia. Se você julgar, certamente confundirá dislexia com preguiça ou má disciplina. E, se critica, certamente verá que as crianças disléxicas expressam sua frustração por meio de mal-comportamento, dentro e fora da sala de aula. Portanto, pais e educadores devem saber identificar, sem condenar, os sinais que indicam que uma criança é disléxica – e não preguiçosa, pouco inteligente ou mal-comportada.
10- Para finalizar deixe-nos as suas considerações finais sobre o tema ‘Dislexia’ que julgar importante ser esclarecido.
Nunca é tarde demais para ensinar disléxicos a ler e a processar informações com mais eficiência. Entretanto, diferente da fala – que qualquer criança acaba adquirindo – a leitura precisa ser ensinada. Utilizando métodos adequados de tratamento e com muita atenção e carinho, a dislexia pode ser derrotada. Crianças disléxicas que receberam tratamento desde cedo apresentam uma menor dificuldade ao aprender a ler. Isso evita com que a criança se atrase na escola ou passe a detestar estudar.
O primeiro sinal de possível dislexia pode ser detectado quando a criança, apesar de estudar numa boa escola, tem grande dificuldade em assimilar o que é ensinado pelo professor. Crianças cujo desenvolvimento educacional é retardatário podem ser bastante inteligentes, mas sofrer de dislexia. O melhor procedimento a ser adotado é permitir que profissionais qualificados examinem a criança para averiguar se ela é disléxica. A dislexia não é o único distúrbio que inibe o aprendizado, mas é o mais comum.
São muitos os sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande freqüência. Entretanto, esse indicativo não é totalmente confiável, pois muitas crianças, inclusive não-disléxicas, freqüentemente confundem as letras do alfabeto e as escrevem de lado ou ao contrário. No Jardim de Infância, crianças disléxicas demonstram dificuldade ao tentar rimar palavras e reconhecer letras e fonemas. Na primeira série, elas não conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Da segunda à quinta série, crianças disléxicas têm dificuldade em soletrar, ler em voz alta e memorizar palavras; elas também freqüentemente confundem palavras. Esses são apenas alguns dos muitos sinais que identificam que uma criança sofre de dislexia.
Um último esclarecimento: A dislexia é tão comum em meninos quanto em meninas.
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A história de Carla e Pedro

Moro em Curitiba, Paraná. Meu filho, o Pedro, sempre foi uma criança muito inteligente, andou uma semana antes de fazer um ano e nunca falou igual ao cebolinha, como a maioria das crianças desta faixa etária. Contudo, as dificuldades dele com leitura e escrita começaram logo na 1ª série e eu mesma procurei ajudá-lo por diversas vezes. Ele sempre escrevia "ao contrário" o número três, o número 8, algumas letras do alfabeto mas, por estar ainda na fase de alfabetização achava ser normal, acreditava que era pelo fato dele estar apenas começando! No entanto, conforme foi passando o tempo essa dificuldade foi aumentando junto com minha angústia.

Para você ter uma ideia, vivia na escola e cobrava a professora porque percebia que alguma coisa não estava certa. Queria entender o que acontecia e o caminho foi torturoso. Quando começou a 3ª série já tinha visto um estrago grande em seu aprendizado, aí resolvi trocá-lo de escola, para ver se em outra escola as coisas melhorassem. Logo nas primeiras semanas de aula a professora me chamou para falar sobre o processo de aprendizagem do Pedro. Fiquei muito feliz pois, alguém tinha percebido alguma coisa diferente em meu filho, mas só ficou naquela conversa, tanto que no meio do ano troquei de escola novamente. Tudo em vão porque a nova escola também deixou a desejar, nunca tinha lição no caderno. Sempre fiz questão de estar sempre presente na escola querendo saber o que acontecia com meu filho. Ficava louca da vida quando olhava o caderno dele e via que tinha feito tudo errado, a professora corrigia como se estivesse certo e aí eu não pensava duas vezes: ia falar com a professora dele e acho que esta professora acabou foi é ficando com raiva de mim porque acabou deixando meu filho de lado. Ela só me falava: - O Pedro vive no mundo da lua, sempre temos que chamar a atenção dele!  O engraçado é que nunca me dizia o que poderia ser, ou então, para eu procurar ajuda especializada! Aí vemos o quanto os professores estão despreparados. Pelo menos no meu caso vivi na pele um sofrimento que poderia ter sido solucionado desde o início, creio eu.

Essa professora era da 4ª série chegou até a dar apelidos ao meu filho: "o lesma da sala" ou então "o lerdinho da sala" coisas desse gênero que hoje, com 13 anos, ele não esquece. E dessa forma, terminou a 4ª série. Sem saber o que acontecia, andei por diversos consultórios de pscicólogos que me diziam que ele era imaturo porque simplesmente era um menino! Gastei algum dinheiro tentando descobrir até que um dia, já quase na metade da 5ª série, em um novo colégio, minha cunhada assistiu uma reportagem sobre Déficit de Atenção (TDA) que chamou a atenção dela, pois parecia que estavam falando sobre o meu Pedro e como ela via minhas reclamações me deu um toque para pesquisar sobre o assunto. Dito e feito! Pesquisei na internet sobre o TDA e parecia que estavam falando do meu filho. Por isso, resolvi consultar um neurologista que diagnosticou além do TDA, a Dislexia e o Distúrbio do sono! Fiquei desesperada, me faltou o chão, não consegui entender o motivo de ser o meu Pedro!

Começei uma nova luta, achar um profissional que soubesse o que estava tratando, outra coisa muito difícil de se conseguir. Cheguei a consultar vários neurologistas e depois desta busca, de encontrar um profissional que soubesse do que se tratava, soube que seria hereditário e que ele herdou do pai. Acabei encontrando ainda uma psicopedagoga que foi um verdadeiro anjo em nossa vida, ela ainda descobriu o motivo de tanta dor de cabeca e naúseas enquanto ele estava em aula e também porque ele não conseguia fazer uma simples cópia. Ele tem uma alteração no processamento visual (SINDROME DE IRLEN) que digamos distorce o que ele vê, hoje ele está em alta da psicopedagoga vai apenas uma vez por mês para uma manutenção, ele toma Ritalina somente nos dias em que vai à escola para poder ter atenção, mas penso que a maioria do sofrimento que passamos poderia ter sido evitada se houvesse mais conhecimento por parte dos profissionais que lidam com crianças, como professores e os da saúde.

Depoimento cedido por Carla via email em 11/08/2011.



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quinta-feira, 28 de julho de 2011

"A terapia e a religião me deram base e suporte para enfrentar a situação e apoiar minha filha" diz médica pediatra

Cláudia Renata Carneiro Sardenberg mora em São Caetano do Sul, São Paulo, é graduada em Medicina pela Universidade São Francisco, tem especialização em Pediatria , em Terapia Intensiva Pediátrica e também em Homeopatia pelo Instituto de Cultura e Escola Homeopatica (ICEH). É mãe de duas filhas, hoje com 9 e 6 anos. Acabei conhecendo a doutora por um desses "acasos da vida" e ao conversarmos sobre minhas pesquisas a respeito da polêmica em torno da existência ou não da Dislexia e do TDAH, ela confidenciou-me ter vivido a mesma situação que milhares de pais enfrentam ao serem convocados pela escola para ouvirem: "Seu filho apresenta dificuldades de aprendizagem e não está acompanhando a turma".
A experiência relatada abaixo é um exemplo do que ocorre na prática. O diagnóstico é difícil de fechar e, muitas vezes, dependendo do especialista, é dado de forma diferente. Fato que torna ainda mais doloroso a situação para os pais, para as crianças e para a escola que ao intermediar o processo fica entre a cruz e a espada.
 
A ENTREVISTA

Vanessa Martos Gasquez – Como ficou sabendo que sua filha provavelmente seria portadora do TDAH e da Dislexia? Já tinha ouvido falar sobre isso?
Cláudia Renata Carneiro Sardenberg  – Sim, já tinha conhecimento sobre o TDAH e a Dislexia pois, sou médica pediatra. No entanto, não tinha experiências pessoais no assunto. Quando minha filha mais velha estava no 1º ano (aos 6 anos de idade) fui chamada na escola devido as suas dificuldades de comportamento que refletiam em sua alfabetização.

Vanessa - Então, foi a escola dela que indicou a necessidade de encaminhá-la a algum especialista médico?
Cláudia - Como eu já achava que as dificuldades no comportamento dela necessitavam de avaliação e por orientação da psicopedagoga da escola decidimos consultar uma neuropsicóloga. Isso foi em 2008, quando ela estava com 6 anos, e esta profissional fez várias avaliações em 4 ou 5 sessões. Detectou Déficit de Atenção e indicou terapia com fonoaudiologa. Não fomos à neuropediatra e o uso de Ritalina não foi questionado naquele momento. De qualquer forma, já havia manifestado minha opinião em despeito à Ritalina, sou a favor da Homeopatia.
Em 2010, decidimos fazer o diagnóstico na ABD (Associação Brasileira de Dislexia). No laudo que recebemos, eles não colocaram explicitamente o TDA (Transtorno do Déficit de Atenção). Foi apenas escrito: .... com base na desatenção, das dificuldades descritas na avaliação fonoaudiológica, na alteração do processamento auditivo central e nos dados obtidos na avaliação neuropsicológica podemos concluir que a menina apresenta transtorno especifíco de leitura (Dislexia) associado ao quadro de desatenção"...


Vanessa- Qual decisão vocês tomaram?
Cláudia - Iniciamos a terapia com fonoaudiologa e continuamos o tratamento homeopático.

Vanessa – Em algum momento a escola propôs uma metodologia pedagógica diferente para a menina  poder superar as dificuldades de aprendizagem?
Cláudia - Tive problemas com a escola. Ao sentir suas dificuldades, minha filha apresentava atitudes de rebeldia ou fazia coisas pra chamar atenção, como por exemplo, fugia das atividades. Então, a escola colocava ela de castigo. Quando estava para iniciar o 3º ano, eu e meu marido resolvemos trocá-la de escola, o que renovou os ânimos. Nesta segunda escola, a suspeita de Dislexia foi fortemente levantada pela fonoaudióloga que a acompanhava. Por isso, resolvemos procurar a ABD para confirmar o diagnóstico. Nesta escola, eles não diferenciam a metodologia porém, a ajudam quando ela não consegue acompanhar a turma e aplicam e corrigem as provas de forma diferenciada.

Vanessa – Quando a escola chamou vocês para uma "conversa particular" como foi esse momento?

Cláudia - Na primeira conversa, não foi uma surpresa mas, é claro que balança a estrutura. Eu, particularmente, me sentia sem chão pois, é um distúrbio difícil de conviver. Tive que trabalhar uma paciência que desconhecia e ao mesmo tempo que "perdia a paciência" sentia uma angústia muito grande. Queria ajudá-la mas, sabia que não podia tirar "este problema" da vida dela, apenas apoiar e "tentar" ajudar. Logo depois do diagnóstico, acredito que a melhor coisa que eu fiz foi iniciar a terapia (eu mesma). A terapia e a religião (da qual me reaproximei) me deram base e suporte para enfrentar a situação e apoiá-la.

Vanessa – Qual sua opinião sobre o TDAH e a Dislexia?

Cláudia - Acho que estes distúrbios existem sim. Não concordo com algumas opiniões de que  foram inventados porém, acredito que o diagnóstico necessite uma avaliação multidisciplinar de forma gradual e não em apenas uma consulta, diagnosticá-los e tratá-los. Essas dificuldades, acredito, aparecem para uma família com o objetivo de unir e modificar conceitos. Essas crianças precisam, antes de qualquer medicamento ou terapia, da dedicação de pai e mãe. Acredito ainda que muitos precisam de medicação mas, apenas a medicação não resolve.

Vanessa - Na condição de mãe e de médica pediatra e homeopata poderia deixar um conselho, até mesmo um desabafo, aos pais que vivem o mesmo drama vivenciado por vocês?
Cláudia - Meu conselho é que os pais voltem as atenções aos filhos. Também acho que a terapia familiar é fundamental no processo porque mais do que o tratamento do TDAH e da Dislexia, a ACEITAÇÃO PELA FAMÍLIA é o principal, sem a qual, nenhuma medicação ou terapia resolverão o problema.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011

“Fui diagnosticado aos 43 anos com Dislexia”

Conheci  o Krenak de Souza (nome de batismo) durante um evento realizado pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), no Parque Ibirapuera, no dia 05/12/2009. Era uma manhã de um sábado meio nublado e todos os inscritos ganharam uma camiseta amarela florescente com os dizeres na frente: Você sabe o que é Dislexia? e nas costas o logo da ABD e o site da entidade. Resolvi participar da atividade para ampliar minhas pesquisas e ter a oportunidade de conhecer outras pessoas. 

Cerca de 60 pessoas participaram da atividade e conforme íamos caminhando pelo  parque muitos nos paravam e questionavam sobre o que é a Dislexia, relatando que nunca haviam ouvido falar a respeito.  Durante o percurso  acabei conversando bastante com o Krenak e logo ficamos amigos.  Fiquei impressionada com os relatos ouvidos e mesmo diante de tantas dificuldades encontradas tanto na escola como na vida, ele não se entregou. Continuou  e continua lutando por seu merecido espaço ao Sol.
Por ser uma pessoa batalhadora, extremamente inteligente e de não ter desistido de seus ideais,  conseguindo, inclusive, conquistar o diploma de bacharel em Sociologia em uma das primeiras faculdades de São Paulo, a Faculdade de Sociologia e Política, convidei-o a compartilhar conosco sua história. Para alegria, o convite foi aceito com uma só exigência: solicitou-me que corrigisse os erros de português alegando  ser essa uma dificuldade ainda não superada “ é um grande empecilho, ou melhor, um elefante em meu caminho”, argumentou.   O que posso contar a vocês é que no texto original realmente os erros de ortografia e gramática são comuns e as trocas de letras são regras e não exceção.  Fato que está  me fazendo  refletir muitas coisas. Afinal, para que dominar plenamente as regras ortográficas se a essência da comunicação, daquilo que se pensa, se sabe, consegue-se expressar e pode muito bem ultrapassar os limites do senso comum? E, com certeza as ideias do Krenak superam em muito as teorias que já andei lendo por aí no campo da Sociologia. Ideias que em breve espero poder compartilhar com vocês porque ele já me prometeu uma outra entrevista  só para falar sobre suas ideias e a polêmica a respeito da existência ou não da Dislexia.

O depoimento...........................


"A vida é uma fantasia que todos nós gostamos de vestir". Ultimamente essa tem sido a minha citação preferida. Talvez seja pelo fato de toda a minha vida ter sido uma mistura de busca e decepção. Desde o convívio em família  até os grupos secundários as coisas sempre foram  muito difíceis para mim.

Apesar da incapacidade de compreender os motivos que me levavam sempre à demissão nos empregos, nunca desisti.  Insistia sempre.  A persistência tornou-se o principal motor vetor de minha vida e tem sido a responsável em conduzir  meus passos.

Nasci em Olinda, Pernambuco, e  aos três anos de idade meus pais mudaram-se para Aquidauana (MS).  O fato de ter perdido  meu pai cedo  e a dificuldade de relacionamento com a minha mãe impulsionaram-me a buscar  prematuramente uma independência e aos 16 anos resolvi sair de casa e tentar a sorte na cidade grande. Vim para São Paulo e hoje moro em Cananeia, no litoral sul.
Em  2006, aos  43 anos, descobri que minhas dificuldades tinham um nome até então  desconhecido: Dislexia. 
Em relação à  escola, passei por muitos momentos  fracassados.  Várias vezes me vi forçado  a desistir dos meus propósitos para dedicar-me a outros fins onde eu pudesse ver resultados. Um dos períodos mais tristes foi quando ingressei na escola técnica para cursar eletrotécnica, onde grande parte do curriculum era de exatas. Apesar de querer muito continuar os estudos, não sentia aptidão para tal e não conseguia acompanhar. Isso quase me levou  ao  desespero, sem contar que nos dias de exames sentia febre, calafrios. Com muito esforço e determinação  consegui  chegar ao fim do curso mas,  em 89, quando iniciei o curso de engenharia, as coisas complicaram-se de vez.  Lutei por quase dois anos até não aguentar mais tanta pressão e acabei desistindo por me sentir impossibilitado  de continuar. Essa  desistência nutriu um sentimento de fracasso que só o tempo permitiu a digestão. Tudo isso acontecia sem que eu tivesse a mínima ideia do que se tratava, sempre acreditei que era simplesmente uma deficiência na base escolar, onde não foi nada planejado e direcionado para mim.
Um dia tive a felicidade de conhecer uma senhora que trabalhava como psicopedagoga e logo ela percebeu uma anormalidade em mim e comentou sobre a Dislexia e como era o comportamento dos portadores. Infelizmente logo em seguida ela veio a falecer.
Em  2005, quando iniciei o curso de Sociologia e Política, as coisas se afunilaram de tal maneira que eu não sabia se chorava ou se sumia. No primeiro semestre, quando as notas foram fechadas, percebi na cara dos professores algo nada agradável. Aí, no  decorrer do segundo semestre  fui chamado para uma conversa particular na coordenadoria.  Fizeram-me vários questionamentos  sobre o que acontecia, queriam saber  se era falta de condições para acompanhar o curso ou falta de interesse por minha parte. Aí, neste instante,  me vi diante de um paradoxo a ser desvendado e confesso que foi um dos piores momentos da minha vida.
Algum tempo depois conheci uma garota que  me disse ser  disléxica e que havia passado pela ABD. Foi quando  tomei conhecimento da existência da Associação e fui procurar ajuda. Como  você sabe, passei por todos os procedimentos e testes e foi confirmado a existência dessa disparidade com um agravante:  meu quadro é irreversível  e  meus problemas sociais e outras dificuldades somadas com a Dislexia  contribuíram  para que o meu emocional chegasse a um  estágio bem fragilizado. Por isso,  fui aconselhado a  passar por um acompanhamento terapêutico.  Após a confirmação do diagnóstico procurei a faculdade, apresentei o laudo à coordenadora e o tratamento em sala de aula mudou. Os professores passaram a me entender melhor e a cooperar para que eu pudesse superar minhas dificuldades e conseguir me formar.  
Dispensei tratamento específico porque não tenho ilusões de resultados milagrosos. Perdi  meu grupo de trabalho e passei a realizar todas as tarefas de forma independente.
Ter sido diagnosticado como disléxico  não mudou quase nada em minha vida. Para falar a verdade, poucas mudanças  ocorreram.  Ainda sinto-me como se eu fosse uma  borboleta que embora tenha desenvolvido asas  continua presa ao casulo, proporcionando fortes sentimentos de angústia. É  claro que busquei novos conceitos e não trago mais aquela mania de viver 24 horas cobrando algo de mim mesmo. Lutar e não ver progresso só contribui para o agravamento do meu desempenho e desenvolvimento pessoal e cultural. Contudo tenho esperanças. Sei que o tempo, como senhor das coisas, me proporcionará meios e caminhos para que um dia, eu, por mim  mesmo, consiga  montar meu próprio mosaico.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Relato de um jovem rapaz diagnosticado com TDAH e Dislexia



                                                                    Crédito: pixnio.com/es/gente/hombres/tristeza-hombre-dentro-sentarse-retrato


Olá Vanessa, tudo vem? Vou contar minha história com a dislexia e o TDAH, desculpe os erros de português, pois ela (no caso aqui, a dislexia) não me deixa escrever muito bem e com boa coesão textual.

Tenho dezoito anos moro em Luziânia Goiás. Bem! Minha historia com a dislexia começa quando comecei a cursar a segunda série do primeiro grau. Eu percebia que não conseguia acompanhar a turma, todo mundo entendia tudo e eu lá boiando, parecendo que a professora fala grego comigo, eu me sentia diferente como se eu fosse retardado mental, não consegui fazer minhas tarefas principalmente de português e matemática.

Quando eu ia fazer tarefa de português ou ler um texto parecia que as palavras não faziam sentindo, como se eu olhasse mais elas não me falassem nada, igual você montar uma equação matemática e não entender o que você fez.

O tempo foi passando e eu não aprendia nada. Na quinta série eu aprendi a ler bem. 

A quinta série!  Nossa me lembro como se fosse hoje os professores explicando e eu sem saber o que eles estavam falando, foi ai que minha mãe (minha salvadora) resolveu me levar em uma neurologia, depois disso eu descobri meu pesadelo, foi como acordar de um sonho e ver que o sonho virou um inferno!
Comecei a tratar da dislexia tomando ritalina a 5mg , quando eu tomei a primeira vez eu achei que ela ia me ajudar cem por cento, mais ela só me ajuda a concentrar, ela não me ajuda a entender as coisas escrita.
Passado um tempo comecei a evoluir vi que eu tinha um dom para a informática, pois sem fazer curso nenhum eu já sabia mais do que pessoas  que já faziam  curso. Chegado meu ensino médio a que lastima, mudei de colégio minha mente começou a mudar, não conseguia tirar boas notas os professores não me orientavam tudo mais...  Depois de um tempo colégio se adequou a min., mas não me da à devida assistência em sala de aula, mas acho que isto é porque se um professor for parar para me explicar ele vai perder muito tempo, ai nisso eu me ferro nas minhas notas, mais tem uma coisa boa, eu faço prova separado ai consigo me concentrar mais mesmo assim não resolve meu problema, pois acho que a prova deveria ser 50% escrita e 50% oral mais tudo bem eu me viro.

Agora vem outra lastima na minha vida, a faculdade, eu já andei me informando e as faculdades que eu quero não têm apoio a desleixos, a única que tem apoio, eu acho que não consigo passar que é a UnB, pois a prova dela tem muita interpretação e eles só oferecem leitor na prova, não oferecem uma pessoa pra me explicar à questão. Por causa disso estou sofrendo muito, pois não sei do meu futuro.

A dislexia tem muita coisa ruim, mais ela tem uma coisa boa, eu vejo o universo de uma forma diferente, eu sinto mais as coisa ao me redor, eu amo mais intensamente, eu vejo tudo de uma forma diferente como se eu vivesse em um universo paralelo a esse!

Depoimento cedido por Flavio, em junho de 2011 e transcrito conforme escrito pelo próprio depoente.

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terça-feira, 31 de maio de 2011

Dar ou não dar? Eis a questão...............

Eu dei e não funcionou.....

Meu drama começou  quando minha filha, a Yasmin, entrou para o 1º ano. Foi matriculada numa escola da rede pública. Depois de alguns meses, fui convocada para comparecer à escola para uma conversa “particular” com a  professora dela. Ao começar a ouvir tantas reclamações, acabei abaixado a cabeça. Contive as lágrimas para não chorar. Foi muito difícil ouvir tudo aquilo, todas aquelas reclamações sobre o comportamento de minha única filha, ansiosamente esperada por longos anos de tentativa em engravidar. 

Sei de seu comportamento. Não tem mesmo uma personalidade fácil, é  forte, é daquelas que sabem muito bem o que querem, mas daí a dizer que minha garota, de pouco mais de 7 anos, era  capaz de tudo aquilo, era difícil de acreditar. Seria possível mesmo ela ser a responsável em promover uma verdadeira baderna na escola e ninguém conseguir contê-la? Não tive voz para argumentar, defender minha filha. Acho que a escola foi muito autoritária comigo e praticamente me obrigou a aceitar levá-la para realizar uma avaliação médica com vários profissionais que iriam fazer um diagnóstico envolvendo especialistas de áreas como: fonoaudiologia; psicopedagogia; psicologia; neuropediatria etc.

Quando cheguei nesta clínica, neste local onde a escola tem convênio,  realmente minha filha passou um dia inteiro com diversos  especialistas que aplicaram nela vários testes e conversaram também comigo e com meu marido. Chegaram à conclusão de que ela é portadora do TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e a encaminharam ao neuropediatra. Logo na primeira consulta, o médico me deu uma receita de Ritalina. Confiei nele e comecei a dar o tal remédio para minha filha. Só sei que durante um ano inteiro ela tomou essa droga e como as reclamações na escola não terminavam, sempre recebia em casa bilhetinhos da professora me chamando para uma daquelas “conversas particulares”, resolvi trocar de escola. Não agüentei tanta pressão. Matriculei  ela em outra unidade do mesmo  município e no começo até que houve uma pequena melhora mas, em pouco tempo, vieram  novamente as mesmas reclamações e outras “convocações” para comparecer à escola.

Só sei que a cada nova reclamação anotada em sua ficha, o neuropediatra aumentava a dose da Ritalina. Eu dava o remédio cada vez mais forte e mesmo assim, as reclamações na escola continuavam. Resultado? Parei de dar o remédio porque vi na prática que não surtiu o efeito esperado pela escola. Minha filha continuava e continua  recebendo as mesmas reclamações: não para quieta em sala de aula , é muito agitada , vira e mexe não faz o que as professoras pedem, como por exemplo: copiar as lições da lousa e fazer as tarefas propostas para a turma toda, dizem que ela gosta mesmo é de brincar, de que ela atrapalha e muito a aula e que não apresenta concentração nenhuma.

Deixei de levá-la ao neuropediatra e ao pessoal da clínica porque durante um ano inteiro segui as orientações,  sem sucesso. Não sei o que pensar, o que fazer. Só sei que estou a mais de meses na fila de espera por uma consulta com a psicóloga do posto de saúde perto de casa na esperança de encontrar alguma solução. 
Gostaria de terminar esse desabafo dizendo a vocês que depois de toda esta luta, nada mudou. Tudo ficou exatamente igual, como era antes. Não tenho encontrado nenhuma resposta para o problema dela nem mesmo um diagnóstico  certo porque se fosse o problema dela ser TDAH creio que o remédio deveria ter funcionado e não funcionou.

Depoimento cedido em maio/2011 por Katia Cristina, São Caetano do Sul, São Paulo.


Eu dei e funcionou ..................


O Lucas foi diagnosticado com TDAH aos 7 anos. Ele estuda numa mesma escola, da rede particular,  desde o maternal, quando tinha 5 anos. Quando começou a primeira série,  a coordenadora me chamou para uma conversa particular e  pediu-me  que o levasse para uma avaliação com um neuropediatra porque ele apresentava vários indícios de ser TDAH. Segui as orientações e busquei um médico de confiança. Logo  na primeira consulta, após uma conversa de 40min com o Lucas e algumas perguntas feitas à mim, a neuropediatra  confirmou as suspeitas da escola: meu garoto apresentava sim todos os sintomas característicos de TDAH. A médica então solicitou exames para ver se ele tinha alguma outra alteração no organismo e o  Lucas foi fazer então o exame de sangue completo e o de eletroencefalograma. Com os resultados em mãos, voltei ao consultório e a médica conversou comigo sobre a Ritalina e seu uso. Mesmo assustada, confiei nela, e começamos a usar a medicação. Junto com o remédio foi indicado tratamento multidisciplinar com terapeuta ocupacional e psicóloga.

Depois de ler a bula do remédio, mesmo assustada com o que li, de saber que não se tratava de medicamento simples, resolvi arriscar o tratamento e logo no começo notamos claramente a mudança no comportamento do meu filho.  A Ritalina  não o deixa "abobado", mas lhe dá a condição de fazer a coisa certa.  Ele ficou mais concentrado na escola e suas ações, menos explosivas. Quando ele não toma a Ritalina, notamos claramente o quanto fica acelerado e tem suas ações e reações geralmente de uma forma diferente de quando toma o remédio.

No dia que comprei o remédio e li a bula, chorei feito criança. Um conflito imenso tomou conta de mim. Qual seria a melhor decisão?!? Sim, porque nós, mães, só queremos o melhor para nossos filhos. Após voltar a  conversar com a pediatra do meu filho, com meu esposo e outros amigos da área médica, resolvemos fazer um teste de 45 dias para ver qual seria a reação do meu garoto.  Essa fase foi uma tortura pra mim. Cheguei a escrever  num caderno um relatório diário, desde o horário que ele tomou a Ritalina até quais foram os sintomas que estava tendo, a alimentação que fazia, enfim anotava tudo. No final dos 45 dias, voltei ao consultório com a certeza de que tinha encontrado uma "saída" para meu filho e estava segura quanto ao uso da medicação. Para o organismo dele não viciar, a médica o deixa um mês inteiro sem tomar o remédio. Escolhemos o mês de férias, que é quando podemos ficar de olho nele.

Em julho de 2010, ele teve "alta" da terapia. As psicólogas que o acompanhavam notaram uma melhora importantíssima no comportamento dele. No começo do tratamento, durante os três  primeiros anos, ele chegou a participar das sessões de terapia  2x por semana, cada uma com  duração de 1h. Durante o quatro ano de tratamento, as sessões diminuíram para uma consulta por semana. Em 2009, ele ficou o ano inteiro sem tomar a Ritalina, para dar uma limpada no organismo, e hoje ele só toma durante a semana de aula, não damos mais aos finais de semana.

Não concordo com o uso indiscriminado de medicamentos, mas alguns pacientes realmente precisam de medicação. Acho que o TDAH é um deles. Meu filhote tem hoje 14 anos, continua tomando o remédio e é um adolescente normal, até para os padrões da sociedade. Muitos nem acreditam quando digo que ele é TDAH.  Mas depois de tantos anos já conhecemos o "universo" do transtorno, a visão de quem sofre e a visão da família que participa junto dessa "luta" porque infelizmente é uma "doença" que não se vê fisicamente  e, talvez por isso, ainda haja tanto preconceito sobre sua existência ou não.

Depoimento cedido em maio/2011 por Catia Bastos, Anápolis, Goiás.


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