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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pedagogia e Design






Uma escola sem paredes, quase sem salas e crianças livres para aprender. Podem até utilizar um espaço denominado como “caverna” para poderem ter momentos individuais de concentração, um laboratório repleto de cores e materiais que ficam à disposição de todos.  Essa escola não existe somente na ideologia mas sim na vida real. O endereço? Suécia. 



Ficou curioso para saber mais a respeito da Vitrra? Clique aqui e leia  na íntegra a reportagem que o site Porvir publicou sobre a forma arrojada de ensinar e aqui para conhecer o portal da escola.

Igualzinho aqui no Brasil......................................................


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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

É preciso mudar os paradigmas na Educação








O vídeo acima nos mostra didaticamente o que acontece no atual sistema educacional: as necessidades do presente continuam sendo supridas em odres velhos, diria até, apodrecidos. Fico me perguntando como os políticos pretendem  mudar a educação se tanto a estrutura física quanto a ideológica continuam sendo oferecidas nos velhos padrões do milênio passado? Faça sol ou faça chuva, alunos e professores continuam alí.............. presos.............. entre quatro paredes emolduradas, muitas vezes, com uma velha lousa verde com pedaços soltos de giz de cal, prontos para começarem mais uma sessão de aprendizagem nos mesmos moldes de uma fábrica fordista ou toyotista. E............ aí............. daquele que não conseguir apresentar a produção final nos mesmos moldes da maioria............. com certeza............. esse............ será um candidato a levar para  o resto da vida algum rótulo que trará implícito sempre o significado de burro porque vivemos numa sociedade que ainda é imatura para lidar com as diferenças. Prova disso são as inúmeras leis que obrigam o respeito mútuo. Agora então ... estão até tentando  colocar como crime quem ousar desacreditar que os transtornos como a Dislexia e o TDAH não existem...............

E.............. falando nestes transtornos................. quando voltamos o olhar a eles vejo que nada disso apresentado pelo vídeo é levado em conta. Parece que é mais fácil e mais barato rotular um ou outro do que propiciar o ambiente adequado às necessidades de um ou de outro.  Talvez seja por esse motivo que a ciência não consiga nos dar respostas precisas e concretas sobre a existência da Dislexia e do TDAH.  Encontrar um ponto de equilíbrio no meio deste labirinto é como tentar achar uma agulha no meio de um palheiro. Não me espanta nada saber que dependendo do consultório médico o laudo pode sair diferente............
  

Por isso............acredito.............. que o caminho esteja nas verdadeiras revoluções científicas, que são aquelas que além de ampliar os conhecimentos existentes, se fazem também acompanhar de uma mudança nas ideias básicas sobre a realidade. A realidade de hoje não pode ser comparada com a realidade de ontem. Isso é insano e o vídeo exemplifica muito bem este conceito.

Pesquisas científicas do século passado não podem ser simplesmente repetidas como papagaios fazem quando aprendem uma nova palavra. O alemão Werner Heisenberg revolucionou os conceitos da física quântica com sua teoria do Princípio da Incerteza. De acordo com esse princípio, não podemos determinar com precisão e simultaneamente a posição e o momento de uma partícula........................tá na hora disso acontecer no meio educacional.........afinal........... não é nesse meio que estes transtornos manifestam-se mais intensamente????????????????


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Para saber mais sobre o Princípio da Incerteza, clique aqui.

quinta-feira, 15 de março de 2012

"É preciso ter tesão", afirma educadora




Com mais de 25 anos de experiência na rede pública de ensino, principalmente em escolas que atendem à comunidade carente, a pedagoga Sonia Silvério Pereira afirma que somente com  amor e muito tesão é que conseguiremos elevar o nível educacional de nosso país. 
Para a educadora, os testes de mensuração são necessários. “Só assim os governos poderão saber como e onde investir”, diz.  Ela  acredita ainda  que um bom teste de mensuração  deve ser capaz de conseguir medir outras variáveis como a cultura, a vida social dos alunos e também o peso que estes testes tem quando se trata das dificuldades de aprendizagem e dos transtornos,  caso do TDAH e da Dislexia.
E, isso, está longe de acontecer. Afinal, a maioria destes testes só mensura as habilidades que os alunos desenvolveram nas áreas do conhecimento acadêmico  e esquecem de colocar no “pacote” outras variáveis  importantíssimas para dectectar onde está a “falha” na aprendizagem. É consenso entre os principais pesquisadores da área educacional  que a afetividade tem fator fundamental neste processo. E então.............................????? como conseguir mensurar um item tão "subjetivo"????????????  e a família??? outro papel importantíssimo..... como fazer?????  e  o acesso à infra-estrutura???? .........  o acesso à renda ??????? .......... quantas questões relacionadas que não estão relacionadas nestes testes.....  Entendo a necessidade desses  mecanismos de avaliação contudo discordo da forma como vem sendo feito estes testes em nosso país conforme já escrevi no post Corrida paralugar nenhum

E, você? Também concorda ou discorda?
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Corrida para lugar nenhum






Ser criança ou adolescente hoje em dia pode ser sinônimo de agenda cheia. Não de brincadeiras e nem de tempo para descobertas, mas repleta de compromissos de gente adulta que exigem um grau de amadurecimento que  elas ainda não atingiram. O vídeo acima é um exemplo concreto desta crua realidade. Embora sejam entrevistas com alunos dos Estados Unidos, elas refletem o sentimento unânime de pressão, vivenciado por alunos tanto de lá como daqui e de qualquer outro país no mundo que utiliza provas de mensuração para dizer qual escola ou aluno é melhor que outro.  Talvez a única diferença que possa ser citada é o fato de que nos EUA as crianças também recebem um saco de vômito junto com o kit da prova, conforme relatou o neurologista infantil Steven Lawrence Strauss, do Franklin Square Hospital, durante o II Seminário Internacional sobre “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”, que aconteceu entre os dias 11 a 14 de novembro na Universidade Paulista (UNIP).

Essas avaliações fazem com que todo o sistema educacional mire os esforços não na formação sadia de um futuro cidadão, mas sim na formação voltada a um conteúdo formatado em padrões que são os exigidos por essas provas.

O índice de mensuração internacional mais conhecido é o PISA, do qual o Brasil faz parte e está na 53ª  posição.  Em nível federal temos a Prova Brasil e o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). Cada Estado também pode elaborar sua prova de mensuração. Em São Paulo, por exemplo, temos o SARESP.  Para o Ensino Fundamental I,  o SARESP realiza provas para as turmas do 3º e 5º ano, ou seja, envolve crianças com idades  de 8 e 10 anos.

Para as crianças dos 5º anos, as provas são aplicadas como se fossem um verdadeiro concurso público, com direito a todos os requisitos. Vejam só se não tenho razão: não é a professora da turma quem aplica as provas, quem aplica é outra professora, de outra escola, muitas vezes uma completa desconhecida para a turma. Vem também um fiscal externo acompanhar todo o procedimento. Quando as provas são entregues, as crianças são orientadas a não virar antes do tempo determinado, escrito na lousa, igualzinho a um concurso público: horário de início tal, horário de término tal, tempo mínimo  de permanência tal........... e........... caso... queiram ir ao  banheiro ou tomar água................ chama-se o fiscal! É ele quem  acompanhará a criança até o bebedouro ou banheiro...... igualzinho a um concurso público de verdade........com a exigência até de preencher à caneta aqueles gabaritos lidos por computador... a única diferença é que não assina a prova..... apenas escreve o nome completo rs... .e isso porque estamos falando de crianças cuja idade gira em torno de 10 anos!!!!!! 

Será que isso não foi levado em conta? Nossa.................. tenho tanta curiosidade de saber desses profissionais que elaboram todo esse esquema de provas se por acaso eles lembraram-se de que se trata de crianças, que de acordo com Jean Piaget, ainda encontram-se transitando entre a fase final operatória e a operatória concreta do desenvolvimento cognitivo? Traduzindo: isso significa na prática que ainda não estão maduras o suficiente para encararem um procedimento que envolve responsabilidades de adulto e que em muitos casos, dependendo do resultado final, decide valores de verbas e bônus financeiros às escolas e professores.

Não é muita pressão?

Concorda comigo?

Peraí que ainda não terminei......


Sabia também que já está rolando um teste  para crianças de creche e de educação infantil? É verdade! Crianças de 0 a 6 anos estão sendo avaliadas via ASQ (Ages & Stages Questionnaires), teste elaborado pelos EUA, importado pelo governo brasileiro e sendo testado em  fase piloto no estado do Rio de Janeiro.

De acordo com reportagem publicada no site da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, para cada faixa de idade existe um questionário com 30 perguntas que avalia o desempenho da criança em diferentes quesitos: comunicação, coordenação motora, resolução de problemas e capacidade de socialização. Além de medir o estágio de desenvolvimento infantil, o ASQ traz sugestões de atividades a serem desenvolvidas pelos educadores com crianças que apresentaram déficit de desenvolvimento em cada faixa etária.

Aonde vamos parar???????

Alguém aí arrisca uma resposta?

Eu acho que um dos motivos do aumento de diagnósticos de TDAH e Dislexia tem relação com essa pressão toda. Cria-se um padrão de excelência que exige a homogeneidade nos saberes adquirida nos mesmos moldes de uma linha de produção fordista e toyotista...... quando............ na............ verdade.............. o que  precisamos mesmo  é voltar a atenção a que tipo de ser humano os governos  pretendem que as escolas possam formar..................


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Para saber mais sobre o projeto piloto brasileiro do teste ASQ clique aqui.

Para saber mais sobre o resultado brasileiro no PISA, clique aqui

Para conhecer a Prova Brasil, clique aqui

Para saber sobre o SARESP, clique aqui



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Aprendizado de outro idioma


Exibindo File:English textbook.jpg - Wikimedia Commons
Fonte: Wikimedia Common

File:English




Independente das discussões acerca da existência ou não do TDAH e da Dislexia quem leciona sabe muito bem que uns aprendem mais rápido e outros nem tanto. Agora imagine essa diversidade na aprendizagem de um segundo idioma. Difícil, com certeza! Pensando nisso, convidei um amigo meu, professor de língua inglesa, Vinícius Reis Cordeiro, para compartilhar sua experiência. Ele leciona para crianças aproximadamente há um ano na rede municipal de Santo André, onde os alunos do Ensino Fundamental contam com aulas semanais de língua inglesa .   “A experiência com crianças tem sido uma grande surpresa, pois nessa fase  possuem uma facilidade incrível para decorar vocabulários novos e também para assimilarem a pronúncia em inglês, cujo som não estão acostumados. Minhas aulas são apenas orais, pois a parte de leitura e escrita pode atrapalhar o aluno, justamente por estar no processo de alfabetização ainda, porém na parte da oralidade os alunos se saem muito bem e gostam muito, devido ao grande interesse que possuem em aprender outro idioma”, afirma Cordeiro.

O professor fez um intercâmbio nos EUA  e afirmou que o método que usam lá é praticamente o mesmo utilizado aqui para o aprendizado da língua inglesa e que antes de assumir o cargo teve treinamento para lecionar para crianças especiais e com distúrbios de aprendizagem. “A língua inglesa é algo totalmente novo para a criança. Ela não está inserida no contexto formal, porém nos dias de hoje, músicas; filmes; jogos de computador; vídeo games; redes de fast food etc, estão todas cheias de palavras em inglês e é algo que faz parte do cotidiano do aluno informalmente. O intuito das aulas para crianças é fazer com que elas tenham contato com a língua, com que a mente delas fique familiarizada com a fonética do inglês. Para os alunos com dificuldades de aprendizagem, primeiramente é necessário dedicar um tempo maior. É preciso entender e respeitar que esse aluno não tem o mesmo ritmo dos outros colegas, mas tem condições de alcançar a mesma aprendizagem”, argumentou.

Para Cordeiro, os alunos aprendem muito com o visual, por isso é de extrema importância levar figuras; vídeos; músicas; coisas que despertem o interesse desse aluno. “O que conta muito é fazê-los desenhar, sentir-se participando da aula e para isso é preciso motivá-lo, incentivá-lo, oferecer exemplos pessoais que despertam o interesse. Isso vale para todos, inclusive alunos especiais. É importante também revisar o conteúdo e de maneiras diferentes. É necessário um tempo a sós com alunos com dificuldades de aprendizagem, fazê-los pronunciar as palavras com calma, ouvir histórias em inglês, onde o mesmo pode  acompanhar apenas as figuras, assim sua mente assimilará o que ele ouve em inglês. Acredito que todo esse processo é visando o futuro desse aluno. Inseri-lo desde pequeno no universo da língua inglesa propiciará, quando chegar na fase adulta, que seu consciente esteja muito mais familiarizado com o novo idioma e ele terá muito mais facilidade para realmente aprender uma nova língua, com questões gramaticais, escrita, leitura, etc”, finalizou.



Dislexia e uma segunda língua


Para o  pedagogo  Juan Uribe  alunos disléxicos também aprendem línguas. “Aprendem quando o método pelo qual a língua é apresentada é apropriado a forma como eles melhor aprendem”, afirma. Para ele, disléxicos aprendem melhor quando se movimentam, falam sobre si, desenham, criam, participam com o que melhor fazem. “Cada disléxico têm suas características, sua história e suas habilidades que representam desafios pedagógicos para o educador”, afirmou em artigo publicado no site da Associação Brasileira de Dislexia.

Segundo ele, o educador que trabalha afetivamente com um aluno disléxico consegue atuar melhor quando discute com o aluno formas de planejar, registrar e avaliar o estudo, tanto em seu conteúdo quanto em sua forma. “Este diálogo e a construção desta parceria é fundamental para que possamos ter um clima de transparência e confiança entre aluno e educador. Este clima fortalece o processo de aprendizagem  nos momentos de devolutiva e discussão sobre como ambos se sentem e como o progresso é sentido. Este educador deve ser um pesquisador curioso que estude a Dislexia e que registre o processo pelo qual passa com este novo aluno, para que possa também organizar seus pensamentos e agir de uma forma consciente e reflexiva. Uma ação espontaneísta priva o aluno disléxico de progredir. Trabalhar a auto-estima mostrando que ele também é capaz, porém aprende de outra forma e em outro ritmo aliado a um trabalho conjunto com a família são ingredientes fundamentais. O disléxico aprende e trabalhar com ele é um desafio”, afirmou.

Abaixo algumas formas que o pedagogo Juan Uribe utiliza e que segundo ele tiveram bons resultados com alunos disléxicos:

Utilize movimento entre atividades curtas;
Faça projetos de interesse do aluno;
Mostre seus objetos pessoais, suas fotos, fale de você;
Desenvolva projetos de artes que tenham produtos;
Valorize e incorpore atividades nas quais o aluno tem sucesso;
Tenha momentos de relaxamento e descontração no inicio e no fim de aulas;
Faça revisões freqüentes, de formas diferentes;
Trabalhe o conteúdo de diversas formas;
Utilize diferentes cores e associe figuras a palavras;
Use músicas e ritmos;
Escreva com giz grande e use massinha;
Use o computador e jogos para fixação.


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Para saber mais sobre o projeto de aulas de inglês no Ensino Fundamental,  desenvolvido pela rede municipal de educação de Santo André, clique aqui

Para conhecer o trabalho de Juan Uribe, clique aqui 

O portal da BBC, mantido pelo governo britânico, oferece plataforma interativa e gratuita  para o aprendizado da língua inglesa. O portal é dividido para dois públicos: alunos e professores que podem acessar material estruturado para a elaboração de aulas.

Clique aqui e acesse o portal para alunos.

E aqui para professores.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Caso UFABC : Acadêmico da ABL, Bechara, compartilha de minha “perplexidade”

Divulgação/Evanildo Bechara, imortal da ABL
Semana passada, mais precisamente na segunda-feira, dia 27/06/2011, logo pela manhã, recebi um telefonema de Evanildo Bechara, atual ocupante da Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Confesso que fui pega de surpresa e demorou alguns minutos para a ficha cair. Sinceramente não tinha muitas expectativas de êxito ao pedido de entrevista feito há mais de um mês em um momento de puro “surto”. Explico: você lembra do caso da UFABC? Quando fui procurar o núcleo de neurociência cognitiva para encontrar respostas às minhas pesquisas sobre a polêmica em torno da existência ou não da Dislexia e do TDAH? E aí resolvi participar do processo seletivo para o mestrado e acabei  deparando com uma situação inusitada porque o processo de seleção simplesmente apontou diversos fatos estranhos, entre eles, o  desprezo à Língua Portuguesa em prol da Língua Inglesa?

Então.............acabei ficando bastante perplexa e de cabeça zonza por alguns dias. Afinal, trata-se de uma Universidade pública que faz parte de uma rede federal, como pode permitir que alunos estrangeiros possam participar do processo seletivo utilizando única e exclusivamente a língua inglesa enquanto os brasileiros eram obrigados a prestarem exame de proficiência em língua inglesa?????????????  Apesar de entender a importância da língua inglesa, não acho certo isso. Afinal, a língua oficial do nosso país  (((ainda))) é o Português!!!!!!

Embora exista o teste de proficiência em Língua Portuguesa a LDB/96 permite às Universidades poder utilizar de critérios próprios de seleção. Comecei a pesquisar na internet o assunto e acabei caindo na página da ABL. Após ler o estatuto, não pensei duas vezes! Escrevi para eles solicitando apoio baseando meus argumentos no Art. 1º - A Academia Brasileira de Letras, com sede no Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional.

Como o estatuto determina a cultura da língua, por que não arriscar um contato solicitando apoio? Isso foi no dia 26/05/2011 e já estava bastante desmotivada com as tentativas frustradas de contato com vários parlamentares na esperança de tomarem alguma providência (esforço em vão). A ideia funcionou. Pelo menos, encaminharam o caso ao professor Evanildo Bechara, um dos mais importantes filólogos da Língua Portuguesa Brasileira. Autor de inúmeros livros, coube a ele também decidir sobre alguns problemas deixados sem solução no acordo ortográfico, firmado em 1990, entre Brasil e Portugal.

Durante a entrevista, realizada  por telefone, o professor Bechara disse que infelizmente a ABL pouco podia fazer pela causa, mas que ele compartilhava da minha perplexidade. Citou como exemplo uma revista que a ABL está dirigindo, sem fins lucrativos, e que o CAPES exige deles que o sumário venha escrito tanto em português como em inglês e de que tem conhecimento que muitas universidades estão utilizando o inglês como língua padrão nos exames de seleção.  “É angustiante isso porque acham que nós, brasileiros, somos polilíngues, quando na realidade os índices de mensuração mostram uma realidade totalmente diferente. Nem a Língua Portuguesa nossas crianças estão aprendendo direito ”, refletiu..........

Falou inclusive, que nenhum documento oficial pode sair do país em língua estrangeira. “Uma prova é um documento oficial. Além disso, como cidadão brasileiro, defendo que todas as provas devem ser realizadas primeiro em língua portuguesa e aí sim, depois, se houver necessidade, em inglês”.

Terminou a entrevista perguntando-me se havia ficado sabendo sobre o fechamento do Instituto Benjamin Constant, de educação para surdos e mudos no Rio de Janeiro. “É um absurdo o que estão querendo fazer. O Instituto existe há mais de 157 anos! Vão piorar a formação e isso caracteriza-se, em minha opinião, como propaganda enganosa. Afinal, não usam a educação como bandeira de eleição? Não dizem ser importante a enaltação da língua pátria porque ela  exalta  o sentimento de identidade nacional? O que vemos na prática? Estes fatos lamentáveis!

Eu também concordo com o professor. E você? O que acha disso tudo?____________________________________________________________________
  
Para saber mais sobre o professor Evanildo Bechara clique aqui.

Ficou curioso em saber mais a respeito do Instituto Benjamin Constant? Clique aqui.

Não leu ainda o post sobre o caso da UFABC? Clique aqui então.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Modelo “VHC”

O sistema educacional de Cingapura, um pequeno país localizado no sudeste da Ásia, está entre os melhores do mundo, de acordo com o último relatório do PISA – o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, de 2009. O país está em quinto lugar em leitura, segundo lugar em matemática e quarto lugar em ciências. O segredo? Investimento na capacitação dos professores  e ousadia em mudar a metodologia pedagógica, a qual denominaram “Modelo VHC”.  O V significa Valores, o H, Habilidades e o C, Conhecimentos.

Em entrevista à Revista Educação deste mês, Lee Sing Kong, que comanda o Instituto Nacional de Educação, órgão ligado ao Ministério da Educação, afirmou que o país investe pesado em formação de professores e ao perceber ritmos diferentes de estudo de aluno para aluno, não pensaram duas vezes: instituíram um modelo que forma grupos de estudantes diferentes,  ou seja, eles são agrupados em turmas que  tem um mesmo ritmo. Conforme a reportagem, os alunos que são muito bons seguem para escolas tradicionais, com programas mais autônomos e os mais lentos são designados às escolas específicas, onde podem ser beneficiados com um currículo mais customizado cuja base são atividades práticas.

Sonho de aprendizagem

Com base nas minhas pesquisas e entrevistas com alunos com dificuldades de aprendizagem, diagnosticados TDAH e disléxicos, posso afirmar que esse modelo educacional seria o sonho de quase a totalidade deles para conseguir alcançar a tão sonhada aprendizagem. Por que digo isso? Além de existir um ponto de consentimento entre as correntes que defendem a existência destes transtornos com as que acreditam que estes transtornos não existem: em ambos os casos, concordam que a aprendizagem ocorre em ritmo bem diferenciado da maioria, geralmente mais lento, as pesquisas científicas apontam essa realidade: essas crianças aprendem de forma diferente sim! 

Veja agora como funciona na prática essa teoria pedagógica de Cingapura: a reportagem citou um exemplo, dado pelo próprio Kong: o professor desse tipo de escola descobre que um grupo de alunos adora andar de esqui. Se ele diz que a velocidade é o tempo sobre o espaço, os estudantes entendem o que ele quer dizer porque o docente, então, os leva para andar de esqui e pede a eles que meçam a distância e o tempo que andaram. Por fim, explica o conceito de velocidade. O fato deles terem participado da experiência, a vivenciado,  faz com que aprendam. Kong frisou ainda que os alunos mais lentos não são alunos que não podem aprender, pelo contrário, eles podem, mas precisam de atividades diferenciadas. Não há um estímulo apenas intelectual, mas também da prática. Ficou evidente, comprovado, que eles aprendem quando fazem vivenciando o que os professores estão dizendo, estão tentando ensinar.

E aqui, bem neste ponto – atividades diferenciadas – pode estar a pílula mágica do processo cognitivo cujo efeito não ocorre por conta de um princípio farmacológico ilusório, mas sim por conta de um princípio mental contudente: o despertar do interesse. E, quando o professor consegue despertar o interesse destas crianças, elas surpreendem a todos porque mostram que são capazes de romper os próprios limites.

Outro fato abordado pela reportagem diz respeito a questão da política de bonificação, aquela que nós, brasileiros, começamos a conhecer bem quando nossos governantes resolveram incorporar ao mundo educacional práticas empresariais, bonificando com prêmios financeiros escolas e professores. Engraçado que essa prática vem acontecendo mais intensamente depois da década de 90, quando justamente a educação passou a ser considerada como mercadoria pelo GAT – Acordo Geral sobre Comércio de Serviço no âmbito da Organização Mundial do Comércio do qual o Brasil é signatário e que nos faz refletir sobre qual educação queremos de fato.

Enquanto em Cingapura a educação estimula os alunos a saírem do processo de aquisição e conquistarem o conhecimento por meio da inovação, aqui no Brasil, ficamos reféns de uma outra realidade a qual força a todos seguirem um mesmo padrão para que assim possam ser consumidores de um único sistema mesmo que para isso seja necessário usar de uma droga tão pesada como o Metilfenidato, a Ritalina. Sai mais barato....................mesmo que as consequências a longo prazo sejam totalmente desconhecidas. Afinal, o futuro a quem pertencerá?

Ainda não leu sobre a farmacologia deste medicamento? Então não perca tempo, clique aqui e confira o post.
  
Caso tenha ficado interessado em ler a matéria da Revista Educação, ela está disponível na  versão online, clique  aqui .


Para saber mais sobre o PISA, clique aqui


Ah, mas você ficou curioso mesmo em saber mais sobre o GATT? Não tem problema! Sugiro a leitura de um artigo publicado pelos professores João dos Reis Silva Junior e Carlos Lima, acesse clicando aqui

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Einstein não seria “tão” Einstein assim se vivesse nos dias de hoje


Que tal iniciarmos um  jogo de “passadologia”?  Imagine a década de 1900. Agora pense na Alemanha e dê uma volta pelas ruas de Munique. A tarefa de você é encontrar um menino, franzino, cabisbaixo, de cerca de uns sete anos de idade. Neste momento, provavelmente, ele deve estar sentado na sarjeta, usando seus livros como suporte para a bunda não sujar, pensando no que iria dizer quando chegasse em casa. Ele acabou de ser expulso da aula porque não conseguia ler da lousa a lição que a professora tanto queria que fizesse.  Ela perdeu a paciência porque não era a primeira vez que isso acontecia. O garoto sempre recusava a escrever e ela estava perdendo literalmente a paciência em suas tentativas frustradas de alfabetizá-lo.
Chegando em casa, a mãe logo lhe põe de castigo e começa a falar palavras como preguiçoso, vagabundo, desleixado, deixando o menino ainda mais triste e magoado. Ele fecha a porta do quarto, abre a janela e fica admirando o céu. Quer conhecer o Universo.
No outro dia, a professora já está de prontidão, na porta da escola. Enquanto o menino corre em direção aos amigos, ela diz à  mãe que ele anda dando muito trabalho na aula e não tem nenhum interesse pelas letras. Aconselha que seja enérgica com ele porque senão terá de expulsá-lo de vez da escola. Lá, não era lugar para preguiçosos e vagabundos.

Agora, passemos à segunda etapa do nosso jogo: a próxima casa a mover-se no tabuleiro da vida  é a da“presentologia”. Imagine nosso querido Brasil e procure por um aluno que esteja na altura dos seus sete anos, estudando em alguma escola pública ou particular. Ele também não copia as lições da lousa e tão pouco presta atenção no que a professora fala. Quer saber mesmo é de ficar olhando a janela, imaginando o Universo. A professora já não sabe o que fazer. Se estiver trabalhando na rede pública, sabe que logo chegará a época daquelas benditas  provas de mensuração que os governos tanto adoram aplicar para distribuir mais ou menos verbas financeiras a esta ou aquela unidade escolar e bonificar este ou aquele professor.  Ela teme por represálias por parte da diretora e também pensa em seu contra-cheque. Agora se ela estiver na rede particular, engana-se quem acha que o drama será diferente. Pode ser um pouco mais “oculto”, mais “velado”.  Provavelmente ela irá deparar-se com duas possíveis situações: ou os pais desse garoto vão lhe chamar de péssima professora, que não tem “talento” para educar seu filho ou a diretora, a dona da escola,  vai fazer de tudo para convencê-la a dizer aos pais desse aluno que o melhor que tem a fazer é trocá-lo de escola.  Não é interessante para ela ter um aluno que apresenta tanta dificuldade de aprender porque sabe que a vida é dura. Ele dá gastos e trará prejuízos. Faz a professora perder muito tempo e o rendimento da turma toda pode ficar prejudicado. Ela sabe que precisa mesmo é de alunos brilhantes, que possam  no futuro servir de vitrine humana para a publicidade que a exposição dos primeiros colocados nos vestibulares famosos proporciona.
O que faz então a professora? Pressionada contra a parede, contra o sistema, não tem muita opção. Acaba mesmo por esquecer-se de sua função, das modernas práticas pedagógicas, que afirmam que cada um tem seu próprio ritmo de aprender e muitos não aprendem da mesma forma que os outros. Acaba chamando a mãe para uma conversa particular e se estiver na rede particular, pode ficar jogando indiretas de que o filho  não é bem vindo naquela escola, mas se estiver na pública, não terá  muita opção. A única que enxerga é sugerir à mãe que leve seu filho ao médico e diz também que não aprender como os outros, no mesmo ritmo e da mesma forma que a maioria, pode  ainda ser uma  doença.

Chegamos agora à última casa do tabuleiro. Aqui há uma encruzilhada onde as casas da “passadologia” e a da  “presentologia”  apresentam um enigma. Para continuar andando no tabuleiro da vida será necessário  decifrá-lo. A dica é : o  nome da próxima casa é  “futurologia”......

Tá difícil de encontrar a resposta? Vou tentar ajudar.....mais uma dica:

Dificilmente a Humanidade será agraciada com outros Einsteins da vida...
   
E, você? Já descobriu o por quê?  

Então.... conte  para nós...  

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domingo, 29 de maio de 2011

Visão pedagógica entre avaliação, aprendizagem, TDAH e Dislexia

Independente da polêmica  sobre a existência ou não do TDAH e da Dislexia, na área pedagógica temos uma certeza: existe sim crianças que realmente não conseguem aprender no mesmo ritmo e do mesmo modo que a maioria.
Até agora, em todas as minhas entrevistas com pais de crianças que foram diagnosticadas TDAH ou disléxicas, a informação que me dão é a seguinte: só foram procurar por ajuda médica após orientação dos professores de seus filhos. Então, se os sinais destes transtornos manifestaram-se primeiramente na escola e é por causa dela  que estas crianças estão indo parar em consultórios neurológicos e psiquiátricos e tomando ritalina, o papel da escola é importantíssimo nesta discussão.
Em busca de mais respostas, fui entrevistar meu professor de avaliação e aprendizagem do curso de Pedagogia, dr. Ivo José Both,  para saber dele uma opinião sobre o que “nós” professores podemos fazer quando deparamo-nos em sala de aula com essa situação. 

A ENTREVISTA

Autor de vários livros, entre eles  Avaliação planejada, aprendizagem consentida: é ensinando que se avalia, é avaliando que se ensina, Ivo José Both  é membro do Conselho Editorial da PUC do Paraná e professor titular nos cursos de graduação e pós da Faculdade Internacional de Curitiba. É  licenciado em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo, mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Educação pela Universidade do Minho, Portugal. É também avaliador de cursos e avaliador institucional do MEC.


  
Vanessa Martos Gasquez   - Professor, como deveria ser uma avaliação para crianças diagnosticadas portadoras de Dislexia e de  TDAH? A avaliação deveria ser diferenciada como sugere a maior parte dos especialistas que defende a existência destes transtornos? 

Ivo José Both:  Entendo que tanto a Dislexia quanto o TDAH refletem transtornos de aprendizagem e variações comportamentais. A Dislexia manifesta-se genericamente pela dificuldade de ler. No entanto, a dificuldade de leitura vem normalmente acompanhada pela disgrafia, que é a dificuldade de escrever corretamente as palavras. Já o TDAH  é um transtorno neurobiológico, de causa genética.
Em nível escolar, a criança disléxica e a criança com TDAH, mesmo que em convivência com os demais colegas num mesmo ambiente escolar, também merecem acompanhamento pedagógico específico por profissionais habilitados e experientes no trato com crianças que manifestam tais transtornos. Como fica então a questão do ensino-aprendizagem e da avaliação escolar? Em ambiente escolar, o professor não deve adotar medidas pedagógicas diferenciadas e nem preferências porque algum de seus alunos manifesta ou foi diagnosticado com algum transtorno que resulte em dificuldades de aprendizagem. O ensino-aprendizagem e a avaliação constituem mútua cumplicidade, em que ensina-se avaliando e avalia-se ensinando. Não existe ensino-aprendizagem sem avaliação, nem avaliação sem ensino-aprendizagem para crianças com e sem necessidades educacionais especiais.

VMG - O senhor acredita haver alguma relação entre a implantação do sistema de ciclos com as dificuldades de aprendizagem? Porque se analisarmos a linha da história, nos Estados e Municípios que adotaram este sistema, é possível  levar esse dado como sendo uma hipótese válida para entender o grande número de diagnósticos de TDAH e Dislexia, provenientes via escola?  Não sei se estou certa, mas, a impressão que ficou para mim durante minhas entrevistas é a de que os professores que estão  há muito tempo lecionando, principalmente  nas redes públicas (municipal e estadual), não estão sendo capacitados para lidarem com a nova realidade que o sistema de ciclos requer e por isso entre os pais o que mais ando escutando é o velho e conhecido ditado popular: “para quê estudar,  aprender, se não se repete?”

Ivo - O sistema pedagógico escolar, seja qual sistema  for, por si só não facilita nem dificulta a aprendizagem do aluno. A diferença de aprendizagem do aluno num ou noutro sistema está na qualificação dos professores para atuarem num ou noutro sistema pedagógico escolar.
Aqui no caso específico da pergunta que se refere à escola ciclada, sabe-se que ela objetiva incluir todas as crianças na escola, a fim de evitar a evasão e a reprovação, bem como melhorar a aprendizagem educacional. Nesse contexto, cabe à escola e à família atuarem de forma complementar e interativa, dado que ocorre no interior da família a primeira experiência educacional da criança.
No entanto, por si só a escola ciclada não poderá dar conta como sistema pedagógico se não ocorrer a necessária conivência entre escola e família, apregoada e recomendada.

Vanessa - O Brasil já é o segundo maior consumidor mundial de Ritalina, droga  prescrita para tratamento do TDAH. Um dos principais objetivos do tratamento é proporcionar uma melhor condição para a aprendizagem. Enquanto educador, qual sua opinião sobre a utilização da medicação quando ela é prescrita com esse objetivo? 

Ivo - Na verdade, remédio algum por si só melhora a aprendizagem. Pelo fato de o TDAH ser um  transtorno neurobiológico, tanto os remédios à base de produtos químicos como os homeopáticos, não contêm a faculdade de cura, mas, entendo que oferecem a possibilidade de provocar quadros de certa serenidade ao seu portador, enquanto os efeitos de tais remédios perdurarem. Assim sendo, durante esse ínterim de relativa serenidade, o aluno poderá estar mais propenso, não somente à aprendizagem, como, também, à normal convivência com as pessoas do seu regular relacionamento ou não.

Vanessa - Em sua opinião, como seria um modelo de educação capaz de atender às exigências do mundo contemporâneo?

Ivo  - A educação para o mundo contemporâneo é a que contempla acesso democrático e social aos saberes a todos os níveis sociais que dela quiserem se valer. Trata-se de educação ao alcance de todos, mas, em três dimensões complementares: educação com domínio dos principais conhecimentos aos quais o mundo científico dá sustentação na qualidade de promotor do saber; educação popular com conhecimentos ao alcance de todas as pessoas de qualquer nível social; tanto os conhecimentos de domínio científico quanto os ao nível popular estão disponibilizados a todos os interessados.

Observação: estas são apenas chamadas aos princípios de educação contemporânea, ainda sem as diretrizes curriculares.   

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Emir Sader opina sobre o caso da UFABC

Entrei hoje em contato com o professor Emir Sader, que é  mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo, autor de vários livros, com uma longa experiência na área da Educação,   para saber dele uma opinião a respeito da possibilidade  que os candidatos ao curso de mestrado em neurociências cognitiva da Universidade Federal do ABC (UFABC) tiveram em poder escolher participar da seleção usando única e exclusivamente a  língua  inglesa.

Esse “detalhe”, de poder trocar a língua portuguesa em prol da língua inglesa,  ainda está me deixando de cabeça zonza. Confesso que até agora parece que a ficha ainda não caiu direito e eu devo ter tido um daqueles pesadelos que te deixam fora da realidade. Por isso, está muito difícil de digerir toda essa “experiência”, vivenciada porque eu só queria encontrar respostas às minhas pesquisas sobre os transtornos de aprendizagem (TDAH - Dislexia). Ledo engano. O buraco mostrou-se mais embaixo.
  

A ENTREVISTA

Vanessa Gasquez- É sabido por todos que a língua é a expressão máxima de cultura de um povo e como sendo uma Universidade, deveria, a priori, respeitá-la e exigir dos candidatos estrangeiros conhecimentos da língua oficial, assim como acontece em outros países. Qual é sua opinião a respeito desta prática, de permitir a troca da língua portuguesa pela inglesa?

Emir Sader -  Eu considero saudável o critério de trazer estudantes estrangeiros para cá, da mesma forma que estudantes brasileiros possam ir estudar em outros países. Deveria, inclusive, reservar vagas para candidatos estrangeiros, dando prioridade aos latinoamericanos. Porém, a Universidade deveria aplicar  prova de proficiência em nosso idioma, da mesma forma que nós, brasileiros,  somos submetidos quando pretendemos estudar em  outros paises.


Vanessa - Questionei o MEC sobre esse procedimento e novamente, mais uma surpresa. Informaram não existir legislação específica que determine a obrigatoriedade de candidatos estrangeiros dominarem a língua portuguesa e nem das universidades aplicarem prova de proficiência em  Língua Portuguesa. No entanto, na própria página do MEC, podemos verificar que o Brasil tem sim um exame de proficiência em Língua Portuguesa.
A UFABC  nos respondeu que permitiu a troca do português em prol do inglês porque pretende "internacionalizar" o curso. Apesar do MEC disponibilizar o teste de proficiência em língua portuguesa,  a universidade afirmou não ser necessário aplicá-lo e usou como argumento o fato da lei não obrigá-la devido à autonomia universitária. 

Emir :
 Deve-se defender o critério de que os exames sejam feitos em português, para todos os  candidatos.

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Clique aqui  para conhecer o exame de proficiência em Língua Portuguesa

Clique aqui para ler a opinião de Evanildo Bechara, imortal da ABL e um dos principais filólogos do Brasil.

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domingo, 15 de maio de 2011

Enquanto a ciência não se entende...Surge uma terceira via...

Pesquisando na rede encontrei um livro que fala sobre novas práticas pedagógicas, de Maria Antónia Jardim, doutora em Educação pela Universidade do Porto, Portugal, que logo me chamou atenção.  O livro tem sete artigos que abrangem áreas como psicologia, antropologia, pediatria, focando nas  chamadas “crianças índigo” e fala na necessidade de alterar as atitudes pedagógicas para poder lidar com “essas novas crianças”. 

Índigo – TDAH?  Será  que esses universos tão distintos podem  mesmo aproximar-se? Há uma possibilidade concreta de relação  entre eles?  Minha mente não conseguiu acalmar-se até entrevistar uma das responsáveis pela minha mais nova descoberta: a autora do livro. Afinal, sempre soube que essa terminologia:  índigo,  pertencia ao universo místico, esotérico, espiritualista. O que será que estaria fazendo em um livro sobre técnicas pedagógicas e em uma Universidade como tema de curso de mestrado? Precisava descobrir logo essas respostas porque poderiam ajudar-me a entender melhor sobre as polêmicas a respeito da  existência ou não do TDAH (Déficit de Atenção com Hiperatividade) e da Dislexia.  Afinal, enquanto a ciência não se entende, poderia estar surgindo uma terceira via de entendimento.

Confesso que no começo achei tudo meio estranho, parecia ser coisa de filme de ficção científica. O que posso dizer agora é que tudo indica que este novo conceito poderá promover a quebra dos atuais paradigmas educacionais. E, vamos concordar comigo: já está na hora disso acontecer...

Para quem não sabe o  significado de índigo

De  acordo com o  site wikipedia,   “crianças índigo” é uma teoria  que fala sobre o surgimento de uma nova geração de crianças com habilidades especiais  e que estão nascendo, principalmente em grande peso, depois dos anos 80,  para promover  a “Nova Era”, a construção de uma nova "Humanidade centrada nos reais valores humanos”. De acordo com essa teoria, “essas crianças”, teriam habilidades sociais mais refinadas, maior sensibilidade, desenvolvimento profundo de questões ético-morais e portariam personalidades peculiares que possibilitariam facilmente sua identificação em meio a outras crianças. As “crianças índigo” são também comumente associadas à geração Y.

A ENTREVISTA

Além  de escritora e doutora em educação pela Universidade do Porto, uma das mais antigas do mundo, Maria Antónia Jardim também é coordenadora do mestrado em Criatividade e Inovação da Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, e também  professora de psicologia da arte. Já deu palestras aqui no Brasil, na Universidade Federal de Pernambuco.  Concedeu-me a entrevista abaixo, via email, em 08/03/2011,  para publicação em meu livro sobre os transtornos de aprendizagem, que logo sairá do forno. Enquanto o livro não fica pronto, compartilho com vocês um pouco do que ela me disse:

Vanessa M Gasquez:  Como surgiu a ideia de escrever um livro unindo o universo da ciência oficial com o da chamada “nova era”,  “new age”?
Maria Antónia Jardim: Surgiu porque era necessário um livro acadêmico sobre o fenômeno índigo que anulasse a aura esotérica deste tema.  A energia dos índigos é uma energia de ruptura com antigas formas de ensinar.Vocês podem perceber, observar, essas crianças obrigam-nos a questionar as coisas, a mudar a forma como procedemos e até a forma de vivermos, com vista a um maior crescimento e progresso.

VMG – Chegou a encontrar alguma dificuldade em fazer essa ponte, essa ligação entre dois universos totalmente opostos?
MAJ:  Não senti dificuldade alguma. A ponte é feita por quem lê e não por quem coordena o livro.  Enfatizei as novas atitudes pedagógicas e a revolução de consciência que urge fazer.

VMG : Em algum momento sentiu preconceito?
MAJ:  Sim, algum. No entanto, quando ministrava  palestras, explicava sobre o ponto de vista acadêmico, os convidados, no geral, mostravam-se muito satisfeitos e curiosos em saber mais. Tanto é que o livro já está  na 2º edição e  foi até  lançado na  Biblioteca de Alexandrina, no Egito, em maio de 2009.

VMG : Como tem sido a recepção das ideias sobre as novas atitudes pedagógicas?
MAJ A  recepção tem sido ótima. Freqüentemente sou convidada a participar de programas de rádio e televisão e também ministrar palestras em escolas, universidades. Os pais sempre são os que mais  querem saber. Mas, percebo que há receio por parte de alguns professores. No fundo, creio que sabem  que a pedagogia tem que ser alterada e muito.

VMG  - O livro  faz uma relação entre o universo índigo e as crianças com transtornos de aprendizagem, entre eles o TDAH e a Dislexia. Como essa relação é possível? 
MAJ:   Por falta de informação, o universo índigo é confundido permanentemente com autismo, hiperatividade e défict de atenção. É possível verificar a relação observando o comportamento. 

VMG  Qual sua opinião sobre o uso da medicalização quando uma criança tem diagnóstico de TDAH? O Brasil já é o segundo maior país consumidor no mundo de Ritalina, conhecida também como a "droga da obediência".
MAJ:   Florais de Bach, será a melhor terapia. Os Florais são utilizados no tratamento de muitas crianças índigo e é a experiência  que dá os créditos do bem fazer.

VMG Qual sua opinião sobre os índices que mensuram a educação, como é o caso do PISA.
MAJ:   Não revelam o que é essencial: mudar a maneira de pensar dos adultos sobre si próprios e sobre a sua autoridade e poder.


VMG  - Esses índices prejudicam o desenvolvimento de uma nova prática pedagógica? No Brasil, por exemplo, esses  índices são usados também para bonificar os professores e colocar um ranking de quais são as melhores escolas.
MAJ Saber muito não é saber ser e isso é muito mais importante na sociedade de hoje! Saber pensar, a arte de viver e de sentir é que deve constar de um currículo, obrigatoriamente.

VMG  - Em sua opinião, como seria um modelo de educação  capaz de atender às exigências do mundo contemporâneo.
MAJ:   De uma educação, deveria sair modelos de  que todos nós, sem exceção,  somos superdotados  e especiais. Uma educação voltada aos talentos, individualizada,  motivada, em que o botão de “start”, “começar”, estivesse sempre presente. Em que os alunos marcassem TPCs (reuniões entre professores) junto aos professores e estes ficassem contentes com isso! Uma educação que preparasse para o imprevisível, para o absurdo, para o híbrido e o diferente. É isso a vida e é disso que a matéria deste século é feita. Portanto, o saber deve adaptar-se à novas situações, improvisar e usar a imaginação torna-se básico no mundo contemporâneo.

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