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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Afetividade, memória e transtornos



Exibindo Fichier:El cerebro según Fludd.jpg — Wikipédia
Reprodução/wikipedia



Não é mais novidade que a afetividade faz toda a diferença na aprendizagem. Disso, ninguém duvida. O que fica difícil de entender é como ainda em pleno século XXI ainda se usa de mecanismos para medir a inteligência de alguém – o famoso teste do Q.I., usado por alguns especialistas para detectar se o “possível candidato” ao diagnóstico de TDAH ou Dislexia tem problemas de baixa inteligência.

Os cientistas poderiam muito bem descobrir um medidor de afetividade. Por que será que ainda não acharam?   Aí, talvez,  o problema da aprendizagem  deixaria de ser um verdadeiro transtorno.

“O que vale para os músculos não poderia valer para os neurônios”, afirma How Gardner, psicólogo cognitivo e educacional, pesquisador da Universidade de Harvard, fazendo uma comparação entre músculo – que você tem como pesar e medir e com neurônios – que você não tem como pesar nem medir. Desconheço que a ciência conseguiu construir uma aparelho medidor de quantidade e peso de  neurônios. Alguém aí já ouviu falar sobre isso?????????

Gardner também é  autor da Teoria das Inteligências Múltiplas e de diversos livros, dentre eles, o “Estruturas da Mente”, que aborda elementos teóricos da neurologia, da psicologia cognitiva, do estudo de superdotados e de crianças diferentes.

Um estudo publicado pela Universidad Complutense, Madrid, Espanha, apontou para a mesma direção. O estudo conseguiu mostrar que os transtornos afetivos afetam o desenvolvimento de certas estruturas neurais dificultando a aprendizagem. Foi realizado com ratos, que foram separados de suas mães logo após o nascimento. Com a ausência da mãe, os animais não foram capazes de reagir a estímulos e houve complicações na capacidade de memória. Concluíram que quando há privação de afeto nos primeiros anos de vida, o desempenho é prejudicado ao longo da vida.

.....................Entendo que os testes de Q.I. já tiveram sua vez na História da Humanidade. Mudamos de século,  de milênio e continuamos com essa visão cartesiana que propõe a separação entre mente e matéria, oferecendo uma visão fragmentada da realidade porque permite ao homem, infelizmente, separar a razão do sentimento..............................

enquanto isso............................ tudo continua ............. e continuará ..............na mesma............................

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Para saber mais sobre o estudo da Universidade Complutense, clique aqui

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

TDAH & Déficit de Natureza



Fonte: Divulgação

“A criança na natureza é uma espécie em extinção"
"A saúde da criança e a saúde do planeta são inseparáveis”
Richard Louv



Você já ouviu falar em Transtorno do Déficit de Natureza? Este termo foi criado pelo jornalista americano Richard Louv,  autor do livro “Last Child in the Wood” cuja tradução livre é “A Última Criança na Natureza”. Ele passou 10 anos viajando pelos EUA entrevistando e conversando com pais e filhos sobre suas experiências na natureza. Chegou à conclusão de que as crianças têm cada vez menos contato com a natureza, o que resulta em uma grande gama de problemas de comportamento.

Um dos motivos pela falta de contato com a natureza, seria de acordo com o autor, proteção exagerada dos pais a fim de manter as crianças longe do perigo e um dos efeitos seria o desenvolvimento de transtornos da atenção e depressão.

O autor sugere que se a “terapia da natureza” reduz os sintomas do TDAH, o TDAH pode ser um conjunto de sintomas agravados pela falta de exposição à natureza. “Privar as crianças de natureza pode ser equivalente a privá-las de oxigênio”, afirma.

A Última Criança na Natureza já foi traduzido para 15 idiomas, publicado em 20 países e ultrapassou a marca de 500 mil cópias vendidas. O Instituto Alana traduziu o livro para o português e, assim, pretende ampliar significativamente o alcance dessa mensagem fundamental para a compreensão e o tratamento do tema criança e natureza no mundo.


Susan Andrews/Reprodução

De acordo com artigo “Déficit de Natureza”, da psicóloga e monja iogue, Susan Andrews,  publicado na revista Época (edição 455), pesquisas na Universidade Cornell, Nova York, mostraram que crianças com mais natureza perto de casa têm menos distúrbios de comportamento, menos ansiedade e depressão e mais auto-estima.

O artigo cita ainda a pesquisa de suecos que compararam crianças em duas creches: numa delas, o playground era cercado de altos prédios; na outra era num pomar próximo a um exuberante jardim. As crianças na creche "verde", que brincavam ao ar livre todos os dias, independentemente do tempo, tinham melhor coordenação motora e maior capacidade de concentração. Fala também sobre a opinião de alguns cientistas que sugerem a natureza  como uma terapia complementar ou preventiva para crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e do relato do professor Robin Moore, da Universidade da Carolina do Norte, que afirma: "Experiências multissensoriais na natureza ajudam a construir a base cognitiva para o desenvolvimento intelectual".


A edição 478 da revista Planeta também abordou o assunto. Em entrevista à revista, Daniel Becker, pediatra e fundador do Centro de Promoção da Saúde, no Rio de Janeiro, afirmou que a infância está sendo hiperestimulada sem nenhuma atividade corporal e por isso é óbvio que haverá consequências. “Doenças infantis recorrentes, como obesidade, TDAH, ansiedade e diabetes são resultado de uma infância passada no console do televisor e no controle do viodeogame”. A cura? A natureza!!!



Transtornos Mentais

São Paulo lidera o ranking de um estudo publicado na revista PLoS One sobre transtornos mentais. O estudo revela que 29,6% dos habitantes de São Paulo apresentam algum tipo de transtornos mentais. É o índice mais alto entre 24 países participantes do estudo. Os transtornos de ansiedade vêm em primeiro lugar (19,9%), seguidos pelos transtornos de comportamento (11%), de controle de impulso (4,3%) e de abuso de substâncias (3,6%).

............................................Será que estamos no meio de uma epidemia??????????????????

Será que a “Selva de Pedra” está conseguindo acabar com o equilíbro mental ................tão importante para a manifestação plena da vida??????????????????????

E ...............pior...........

........................................................matando  o gérmen do Conhecimento......................


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Para saber mais sobre o autor Richard Louv, clique aqui

Para ler na íntegra o artigo de Susan Andrews, clique aqui

Para conhecer a estudo da revista PLoS One, clique aqui

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dislexia e TDAH não são doenças





   Em entrevista a este BLOG, o  neuropediatra Rubens Wajnsztej, Coordenador do NEA – Núcleo Especializado em Aprendizagem da Faculdade de Medicina do ABC, afirmou que tanto a Dislexia quanto o TDAH (Distúrbio do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade) não são doenças no sentido literal da palavra.  Falou ainda sobre outros pontos polêmicos, como por exemplo,  a existência dos marcadores biológicos;  os argumentos da corrente de pesquisadores que defendem a tese de que tanto a Dislexia quanto o TDAH não existem; sobre as alterações previstas para a V edição do DSM ; sobre a medicalização e também sobre os Projetos de Lei que tramitam no Congresso Nacional com a finalidade de transformar em obrigatoriedade o encaminhando para diagnóstico via escola.


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Para saber mais sobre o dr. Rubens Wajnsztej, clique aqui e conheça o curriculum lattes dele.


Para saber mais sobre o NEA – Núcleo Especializado em Aprendizagem da Faculdade de Medicina do ABC -  clique aqui 

Para conhecer a Faculdade de Medicina do ABC clique aqui 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

É adulto? Foi diagnosticado TDAH? Precisa saber disso....


Exibindo Chave para responder Foto stock gratuita - Public Domain Pictures
Public Domain Pictures


Está acontecendo uma pesquisa muito interessante na Universidade Federal do Espírito Santo. Um grupo de pesquisadores, ligados ao Núcleo de Estudos e Pesquisa em Subjetividade e Política, o NEPESP, busca contactar adultos que foram diagnosticados TDAH para pesquisar o impacto que um laudo positivo tem na vida destas pessoas bem como a questão da medicalização.

A pesquisa está sendo coordenada por Luciana Caliman,  pós-doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,  doutora e mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da  Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Atualmente Caliman é  professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Institucional da Universidade Federal do Espírito Santo.


Entrei em contato com a pesquisadora  para saber mais  informações e ela concedeu a entrevista abaixo, por email em 28/11/2011.


Vanessa Martos Gasquez - Por que escolheu pesquisar o impacto que o diagnóstico de TDAH tem em indivíduos adultos? A Dislexia também entra na pesquisa? 

Luciana Caliman – Desde o doutorado tenho trabalhado com a temática da atenção e (des)atenção e o TDAH e este diagnóstico está no foco do meu trabalho. Ao discutir o processo de expansão do TDAH, falamos que ele se expandiu interna e externamente: interna, porque a categoria cresceu, se alargou para incluir outros sintomas e outros grupos etários, como o adulto; externa, porque cada vez mais o TDAH tem alargado as fronteiras espaciais de seu mapa epidemiológico. Daí surge a necessidade de pesquisar o diagnóstico adulto, que é super recente e nem sequer é totalmente incluído no DSM IV.

Agora estou desenvolvendo outras pesquisas, especialmente no que diz respeito às políticas de educação e saúde voltadas para o TDAH. Na saúde, estamos pesquisando as políticas da Assistência Farmacêutica do Espírito Santo, voltadas para o transtorno, já que o Estado dispensa o Metilfenidato (Ritalina) pelo SUS. O número de adultos diagnosticados tem crescido significativamente e de forma acelerada, enquanto quase nenhuma pesquisa de caráter  qualitativo tem sido feita para acompanhar os efeitos deste crescimento.

Muito se fala sobre os riscos de problemas cardiovasculares associados ao consumo do remédio Metilfenidato, especialmente em adultos, mas poucas são as iniciativas de estudos que acompanham o efeito a longo prazo do medicamento no adulto. Por outro lado, meu objetivo maior é pensar o impacto não do medicamento, que é super importante, mas do diagnóstico na vida das pessoas diagnosticadas. Vejo o diagnóstico como uma tecnologia subjetiva que produz efeitos existenciais, políticos e sociais e quero analisar que efeitos são estes. Não trabalho diretamente com a Dislexia, mas quando analisamos o efeito de um diagnóstico psiquiátrico na vida das pessoas diagnosticadas, percebemos que alguns efeitos podem ser generalizados para outros diagnósticos.


VMG - Poderia resumir em qual momento da pesquisa a professora está?

LC - Então, a pesquisa do pós-doutorado foi finalizada em 2009, mas muitas coisas do material produzido ainda estão sendo analisadas e repensadas. Parece que nunca efetivamente terminamos uma pesquisa quando continuamos estudando o assunto!

Aqui no Espírito Santo, esta pesquisa se desdobrou em outra que está em seu início e que definimos como pesquisa-intervenção. No semestre que vem, começaremos a realizar rodas de conversa com adultos diagnosticados com TDAH que retiram o medicamento (Metilfenidato) na farmácia cidadã metropolitana. Nosso objetivo é dar voz à experiência que estes sujeitos têm da medicação e de serem diagnosticados com TDAH, ou seja, queremos investigar os efeitos do medicamento e do diagnóstico na vida destas pessoas.

Acreditamos que quando narramos e  compartilhamos uma experiência ela é também alterada, re-significada, interferida pelo processo, por isso a escolha das rodas de conversa ou da técnica da conversa. Uma conversa não é monólogo e nem  diálogo. Uma conversa é sempre aberta ao plural, ao que destoa, ao que difere. Uma das coisas que me incomoda na fala das pessoas que narram a experiência de ser diagnosticado com TDAH, seja em livros ou na net, é que a narrativa é quase sempre a mesma, a história, os nomes, os apelidos, são sempre os mesmos. Buscamos acessar e/ou produzir falas singulares e encarnadas, que digam do concreto de suas vidas e não apenas repitam narrativas vendidas pela midia. Pensamos que a vida é mais singular.


VMG - De que forma  as pessoas adultas que já foram diagnosticadas como
portadoras de TDAH poderão ajudar na pesquisa?

LC - Acho que as pessoas que foram diagnosticadas com TDAH precisam dizer de sua experiência, compartilha-la e também repensá-la na conversa com o outro. É com base nesta experiência que podemos criar ferramentas para melhor acompanhar as políticas direcionadas ao TDAH e neste sentido torná-las  efetivamente públicas.  

Uma coisa que descobrimos em uma pesquisa anterior que fizemos aqui no Espírito Santo  é que as pessoas que pegam o Metilfenidato no SUS não o fazem por muito tempo. Por que será? Podemos indagar, imaginar mas, precisamos dos usuários para dizer o que realmente acontece.

O Usuário não deve apenas "usar"  ou utilizar o SUS, mas geri-lo, criá-lo, construí-lo. A pesquisa tem também este caráter, estamos analisando o efeito de uma política pública. Neste caso, desta pesquisa especificamente, estamos trabalhando com uma população circunscrita: usuários de Metilfenidato da farmácia cidadã metropolitana de Vitória, ES. Aqui, não trabalhamos com entrevistas, mas com conversas, o que se aproxima da técnica dos grupos focais. Por isso,  neste momento estamos fazendo isso de forma presencial. Vejo possibilidades futuras de poder trabalhar com esta narrativa, via entrevista pela net, por exemplo.

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Quem foi diagnosticado TDAH na fase adulta e tiver interesse em colaborar com a narrativa da experiência da medicação e do diagnóstico, pode entrar em contato com a pesquisadora pelo email : calimanluciana@gmail.com


Para conhecer o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Subjetividade e Políticas – NEPESP/CNPq clique aqui
http://www.ufes.br/ppgpsi/nucleos_nepesp.html

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

“Remédio para TDAH ajuda crianças ou escolas?”


                      Heloisa Villela. Foto: Vanessa Gasquez


Heloisa Villela, jornalista, correspondente internacional e mãe de um garoto diagnosticado TDAH, foi convidada a participar do II Seminário Internacional “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos” para falar sobre sua história pessoal e os motivos que a levaram a pesquisar e escrever sobre o TDAH.

Começou a fala com uma pergunta: - Remédio para TDAH ajuda crianças ou escolas? Logo depois, contou  como foi ter ouvido dos educadores que seu filho apresentava “algo de errado” e que por isso era preciso buscar ajuda médica. Relatou ainda como foi a “via-crúcis”:  ouviu vários especialistas nos EUA e Brasil e como alguns deles recomendaram o uso do metilfenidato, decidiu pesquisar mais sobre o tal  remédio e como é feito o diagnóstico, elaborado, normalmente, via DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais). 

“Consegui uma entrevista com o Psiquiatra e professor Emeritus da Unversidade Duke, Dr. Allen Francês, que presidiu a força-tarefa que elaborou o DSM-IV.  Está bastante preocupado com os rumos que vem tomando a elaboração do DSM-V. Se antes, era possível diagnosticar o TDAH com apenas 6 dos 10 sintomas previstos pelo DSM-IV, agora com o V, ficará muito mais fácil porque pretendem baixar para apenas 3 sintomas”, afirmou.

Na entrevista, publicada pelo site Viomundo, o Dr. Francês afirma achar que existe um aumento surpreendente e alarmante do número de diagnósticos de TDAH e se segue a isso o excesso de prescrições de estimulantes. “Parte disso tem a ver com mudanças feitas no DSM-V mas é, principalmente, consequência da campanha de marketing agressiva da indústria farmacêutica, que começou três anos depois da publicação do DSM-V. E foi incentivada por dois motivos: trazer para o mercado novas drogas que ainda estavam sob patente e por isso mesmo poderiam ser vendidas por um preço alto. Em segundo lugar, nos Estados Unidos houve uma mudança na regulamentação que permitiu à indústria farmacêutica fazer propaganda direta ao consumidor, permitindo a eles colocar anúncios na TV, divulgar informação na internet, atingir pais, crianças, professores e médicos, especialmente clínicos gerais que foram encorajados a ver TDAH em comportamentos que antes não eram considerados parte do TDAH. Isso incentivou diagnósticos fáceis e um grande aumento no número de prescrições. O DSM-V promete piorar isso tudo ainda mais”, afirmou.

Por mudanças,
abaixo-assinado!

De acordo ainda com a entrevista, o Dr. Francês afirmou existir um abaixo-assinado circulando e que cerca de 5.000 profissionais da área de saúde mental já o assinaram logo na primeira semana. Na opinião dele, se esse abaixo-assinado decolar e centenas de milhares de pessoas o assinarem, acredita que o DSM-V vai ter que tomar conhecimento.


Mais informações...............

A jornalista também escreveu um artigo no site Viomundo onde fala sobre o livro “Anatomia de uma epidemia” (tradução literal para o português já que ainda não existe versão na nossa língua), do escritor Robert Whitaker, ganhador de prêmios na área de jornalismo científico.

Parte do artigo diz o seguinte: ..... Estamos falando em medicar e alterar, talvez para sempre, a química do cérebro de crianças de 6, 7 ou 8 anos de idade. E pior, sem saber exatamente o que está sendo alterado! Os mesmos psiquiatras, que receitam os remédios, não sabem dizer quais serão as consequências na vida daquele paciente mirim, dentro de 12, 15 ou 20 anos. Mas ressaltam que tudo é uma questão de custo/benefício. “Não é melhor a criança conseguir se concentrar para assistir aula e fazer os deveres?”, costumam perguntar. Uma amiga minha ouviu o seguinte: “Você não quer que o ambiente, na sua casa, se torne mais tranquilo?” Mãe de quatro filhos, o mais velho com 9 anos, ela garantiu que não. Se estivesse procurando sossego, não teria uma prole tão vasta.

Se os psiquiatras não sabem dizer o que vai acontecer com as crianças medicadas, as estatísticas já dão motivo de sobra para preocupação. Os estimulantes  usados para tratar a TDAH (ritalina e seus derivados) provocam uma montanha-russa diária nos sentimentos da criança. Ela sente o coração apressado pela manhã, depois de tomar o remédio. Algo estranho se passando por dentro do corpo, que deixa a criança quieta, calada e atenta. No fim do dia, normalmente, existe uma explosão de raiva, choro. É como diz o Whitaker: “Toda criança, sob o efeito de estimulantes, se torna um pouco bipolar”.

O doutor Joseph Biederman e a equipe do Massachussetts General Hospital mostraram, em 1996, que 11% das crianças diagnosticadas com TDHA, quatro anos depois foram diagnosticadas com bipolaridade, doença que não fazia parte do quadro inicial. Em 2003, o psiquiatra Rif ElMallakh, da Universidade de Louisville, costatou que 62% dos pacientes jovens com bipolaridade já haviam sido tratados com estimulantes e antidepressivos antes de apresentarem bipolaridade. E Gianni Faedda descobriu que 84% das crianças tratadas com bipolaridade na Luci Bini Mood Disorders Clinic, de Nova York, entre 1998 e 2000, já tinham sido expostas a remédios psiquiátricos......

E, termina concluindo: .....duvido que professores e diretores das escolas americanas, que descrevem os estimulantes como algo simples e necessário tal qual os óculos para os míopes, tenham alguma noção a respeito das possíveis consequências da medicação no longo prazo. Duvido que saibam diferenciar entre uma criança que tem problemas mentais agudos e talvez precise de remédios, de outra com alguma dificuldade de aprendizagem associada a um momento pessoal difícil, que produz um quadro parecido com a TDAH.

Mas eles são rápidos em sugerir uma visita ao pediatra ou, imediatamente, ao psiquiatra. E a avaliação dos professores, a respeito do comportamento dos alunos, em sala de aula, tem um peso enorme no diagnóstico final. Me parece que o assunto é muito sério e que os professores, por melhores que sejam, não estão capacitados para sugerir a necessidade de algum tratamento psiquiátrico.

Os remédios, com certeza, tornam mais administrável a sala de aula com quase 30 crianças. Já pensou se várias forem levadas da breca? Não pararem sentadas um minuto? Todas levam para a classe os problemas que trazem de casa. Mas eu sempre me pergunto o que faziam a Tia Rosa e a Tia Bela (juro que esses eram os nomes das minhas professoras primárias!). Também tínhamos uma sala de aula cheia. E me lembro bem de ter de sentar ao lado do pestinha da turma e chegar em casa com as maria-chiquinhas destroçadas de tanto que ele puxava meu cabelo, tentando sair da carteira. O que será que essas Tias-professoras têm a dizer dessa epidemia de TDAH?
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Para ler na íntegra a entrevista com o Dr. Allen Francês,  clique aqui.

Para ler na íntegra o artigo da jornalista Heloisa Villela, clique aqui.

Para saber sobre o Seminário, clique aqui. 

Para saber sobre o  DSM-V, clique aqui.  
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nobel de Medicina, Eric Kandel, afirma: “Não há marcadores biológicos e faltam provas científicas”



                                                                              Crédito: Wikipédia


O neurocientista  Eric Kandel está chegando ao Brasil para participar do Congresso Brasileiro de Psiquiatria que irá acontecer no Rio de Janeiro. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, em  2 de novembro de 2011, afirmou que a psiquiatria está em crise por falta de provas científicas e criticou o uso indiscriminado de medicamentos para tratamento do déficit de atenção, como o Metilfenidato/Ritalina.  De acordo com ele, como não há os chamados “marcadores biológicos”, não há objetividade no diagnóstico. “A preocupação com a objetividade foi introduzida há uns 20 anos quando houve uma tentativa de validar os critérios do manual para descrever transtornos. Isso foi extremamente importante para que diferentes psiquiatras pudessem dar o mesmo diagnóstico a um mesmo paciente. Mas não houve muitos avanços desde então. Uma das razões para isso é que os psiquiatras não têm os chamados marcadores biológicos à disposição. Se você diagnostica  diabetes ou hipertensão, pode usar medições objetivas, independentes. Não precisa se basear apenas naquilo que o paciente lhe conta.”, afirmou Kandel.

Kandel recebeu em 2000, junto com Paul Greengard e Arvid Carlsson, o prêmio Nobel de medicina pelo estudo da fisiologia do cérebro e como ocorre o armazenamento de memórias em neurônios. Carlsson demonstrou que a Dopamina é um neurotransmissor no cérebro e que a ausência dela causa problemas motores, como os observados na doença de Parkinson. Greengard investigou o que acontece quando a Dopamina se liga aos seus receptores em neurônios pós-sinápticos e revelou a cascata de eventos moleculares disparadas dentro de neurônio pela Dopamina para que um sinal passe através das sinapses. Kandel recebeu o prêmio por descrever os mecanismos moleculares envolvidos na aprendizagem e memória.

Estes estudos mostraram que a atividade bioquímica do cérebro tem estreitas ligações com os processos cognitivos, ou seja, como o cérebro aprende. Descobriram que o transmissor chamado Dopamina desempenha um papel central nos distúrbios cognitivos. Por isso, indivíduos diagnosticados com TDAH são medicados com o Metilfenidato (Ritalina) porque este remédio “controla” a atividade neural, ou seja, inibe a recaptação de dopamina no estriado, sem disparar a liberação deste transmissor no cérebro, resultando numa maior concentração.


Neurociência irá mudar a Educação


Para Eric Kandel a neurociência tem o poder de mudar a educação porque permite um melhor conhecimento dos circuitos neurais para a linguagem oral, visual e motora com o intuito de modelar processos mais eficientes de alfabelização e aprendizagem. Em entrevista à revista Super Interessante, o neurocientista afirmou: “descobrimos que o treinamento espaçado é melhor que o treinamento em massa. Ou seja, se você aprender as coisas em pequenos episódios separados absorve mais do que em uma longa sessão. Portanto, precisamos ter aulas curtas e com intervalos regulares. Acho que as pessoas ainda podem descobrir muito sobre os aspectos temporais dos eventos do aprendizado. Podemos entender melhor que parte do ciclo sono/vigília é ideal para o aprendizado, como aprender a associar as coisas, quais os tipos de dicas que facilitam a memorização de um poema. A neurociência nos ensinará uma variedade de técnicas para otimizar o armazenamento de informações no cérebro”.

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Para ler a entrevista na íntegra publicada pela Folha de São Paulo, clique aqui

Para ler a entrevista publicada pela revista Super Interessante clique aqui

Para saber mais sobre o Nobel recebido por Eric Kandel, clique aqui e entre direto na página da premiação (em inglês)

Para acessar a página de Eric Kandel na University Columbia, onde leciona, clique aqui

Quer saber mais sobre os manuais dos transtornos mentais? Está em andamento estudos para a publicação da V edição, prevista para 2013. Clique aqui e acesse o post a respeito.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

TDAH e Dislexia & Distúrbio do Processamento Auditivo Central



Exibindo Ouvir Mulher Jovem - Foto gratuita no Pixabay
Fonte: Pixabay




O Processamento Auditivo Central (PAC) compreende um conjunto de habilidades auditivas realizadas pelo sistema nervoso central, necessárias à interpretação das informações que chegam por meio da audição. Pessoas que sofrem do Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) possuem alterações em uma ou mais destas habilidades auditivas de linguagem e aprendizagem. Apresentam também uma audição periférica normal e dificuldade de compreender o que é falado.

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) a razão para se avaliar o processamento auditivo (PA) em disléxicos está baseada na hipótese que um déficit perceptual auditivo pode agravar em muito os problemas de aprendizagem, incluindo problemas específicos de leitura e distúrbios de linguagem. Para avaliar o grau do distúrbio e suas conseqüências são realizados testes por fonoaudiólogos para averiguar  os mecanismos fisiológicos de atenção eletiva para sons não verbais em escuta dicótica, discriminação de sons em seqüência e reconhecimento de padrões temporais.

Estudo

Dez sujeitos disléxicos  diagnosticados pela  equipe de saúde da ABD, cujas faixas etárias variaram entre  12 a 15 anos de idade, sendo nove do sexo masculino e um  do sexo feminino foram avaliados  quanto aos diferentes mecanismos auditivos. Esses indivíduos  possuíam nível de escolaridade de 4ª a 7ª série  do Ensino Fundamental e todos eram destros. Quanto à presença de dificuldades em ouvir, foram registrados 50 % de ocorrências de queixas; quanto à dificuldade de falar, 60% de ocorrências; a desatenção persistiu em 90% de ocorrências e antecedentes de otites na infância, ficou em cerca de 50% de queixas.

Nesse grupo de disléxicos estudados  ficou evidenciada a dificuldade em lidar com sons verbais e não verbais  mostrando que no trabalho de linguagem realizado com esses pacientes devem ser destacadas os  aspectos de   compreensão da fala   trabalhando a análise auditiva dos sons da língua materna, ou seja, os aspectos segmentais da linguagem, a compreensão da linguagem,  bem como trabalhar aqueles  parâmetros que permeiam a mensagem lingüistica propriamente dita que são denominados aspectos suprasegmentais da linguagem. Que são  freqüência, intensidade do som, a tonicidade, o ritmo e a entoação da fala.


TDAH

Na avaliação de Carmelita Rodrigues, psicóloga junguiana,  há uma nova luz no fim do túnel para pessoas  com  sintomas de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).  “Nos últimos quatro anos, especialistas têm trabalhado com uma nova investigação e novo diagnóstico que muda muita coisa nos casos de agitação e falta de concentração:  o DPAC”, afirmou a psicóloga em artigo publicado no site psicopauta. De acordo com ela, o distúrbio causa alterações em uma ou mais das habilidades auditivas que afetam o desenvolvimento da aprendizagem e da linguagem e por conta deste distúrbio, a criança apresenta sintomas e comportamentos semelhantes aos registrados em portadores  do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) o que no entendimento dela, leva ao erro de diagnóstico. “Assim, crianças que hoje estão sendo medicadas com a  Ritalina, por terem sido equivocadamente diagnosticadas como TDAH, precisam de revisão no tratamento urgente porque quando se trata de DPAC, a Ritalina não funciona e nem é necessária”, afirma a psicóloga. Para ela, a terapêutica para os DPACs  são exercícios de reabilitação fonoaudiológicos, realizados por profissionais especializados. O diagnóstico exige um exame audiométrico específico.


Causas do DPAC

As causas do DPAC podem ser as mais variadas possíveis, porém, destacam-se:

-         Otites freqüentes na primeira infância (a privação sensorial provocada por otites de repetição pode causar dificuldade para reconhecer padrões sonoros e na formação dos engramas dos sons da fala);
-         Alterações de ouvido médio e interno;
-         Pouca estimulação auditiva;
-         Disfunções subclínicas das vias auditivas causadas por: hiperbilirrubinemia, anóxia neonatal, sífilis, malformações congênitas, entre outros;
-         Hereditariedade;
-         Síndromes neurológicas; doenças neurológicas e degenerativas, epilepsia, entre outros.


Sinais e Sintomas do DPAC

De acordo com especialistas, pessoas que sofrem do DPAC podem apresentar alguns destes sintomas e não necessariamente todos:

-         Solicitam freqüentemente a repetição da mensagem falada dizendo: hã?, o quê, oi?. São distraídos e desorganizados;
-         Tem comportamento agitado ou quieto demais;
-         Tem dificuldade em seguir direções e instruções orais;
-         Apresentam vocabulário restrito;
-         Tem dificuldade em compreender a mensagem falada em presença de ruído competitivo;
-         Tem dificuldade de memória e, tempo de atenção curto;
-         Tem dificuldade em entender piadas e mensagens de duplo sentido; confundem o que ouvem;
-         Apresentam dificuldades de linguagem, fala, leitura e/ou escrita.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Declaração Internacional de Consenso sobre o TDAH

Um grupo de especialistas de diferentes países, que defende a tese da existência do TDAH, preocupados com a má informação que vem cercando o conhecimento sobre o transtorno, decidiu assinar uma declaração conjunta com a intenção de desfazer uma série de mal entendidos que os meios de comunicação têm veiculado. De acordo com estes especialistas, a mídia tem contribuído de forma imprecisa e negativa na divulgação sobre o que vem a ser o transtorno e também sobre as polêmicas acerca dos conflitos científicos.

A lista dos pesquisadores que assinaram a declaração  foi encabeçada pelo professor de Psiquiatria e Neurologia da Universidade da Massachussetts Medical School, EUA,  Russell A. Barkley, e contou com a assinatura de cerca de 80 profissionais.

De acordo com o texto da declaração, o TDAH é um transtorno com o qual os cientistas estão bastante familiarizados e muitos deles, inclusive, dedicam uma vida inteira à  pesquisa científica. Estes pesquisadores afirmam  ainda temer que histórias incorretas, que apresentam o TDAH como um mito, uma fraude ou uma condição benigna, possam impedir milhares de portadores a procurarem tratamento para o seu problema. Para eles, essas informações criam no público uma sensação geral de que o transtorno não é legítimo nem real, ou consiste em aflição trivial.

TDAH x Moda

Para o mestre em Psiquiatria e Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do GEDA (Grupo de Estudos do Déficit de Atenção), Daniel Segenreich, em toda época há tendência de se falar de novos sintomas e os da atualidade são a Anorexia, a Bulimia e o TDAH. “As pessoas tendem a optar pelo que é mostrado como novo e o TDAH está na crista da onda, mas o transtorno não é novo. É estudado desde a década de 60”, afirmou o pesquisador durante palestra sobre o contexto histórico, etiologia e aspectos epidemiológicos do TDAH em curso direcionado aos professores no portal Atenção Professor.

Agora, se você for dar um “google” na sigla TDAH e selecionar algumas reportagens publicadas pelos meios de comunicação  irá conferir que a maioria delas relaciona o transtorno com nomes dos principais gênios da humanidade, como Albert Einstein, Thomas Edison, Ágata Christie etc. Será que este tipo de exposição/relação pela mídia não contribui para forçar um laudo positivo? Eu acredito que sim porque enquanto não houver evidências científicas para sanar qualquer tipo de dúvida quanto à existência do transtorno para poder separar o “joio” do “trigo”  e  enquanto o diagnóstico for realizado mediante um questionário, que na minha opinião, mais parece um questionário de revista feminina, é muito fácil manipular e maquiar dados do que enfrentar a possível realidade: a escola tem de mudar.


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Para ler a íntegra da Declaração Internacional de Consenso sobre o TDAH, clique aqui. O documento está na língua inglesa. Caso prefira ler um resumo, foi publicado um na língua espanhola, é só clicar aqui.

Para assistir à palestra do  pesquisador Daniel Segenreich, clique aqui.

Para conhecer o questionário utilizado para o diagnóstico do TDAH, clique aqui.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Plasticidade cerebral e o TDAH





Fonte: wikipedia/commons




De acordo com os estudos relacionados à neurobiologia da aprendizagem, toda vez que ocorre uma nova informação o sistema nervoso central (SNC) aciona o cérebro, produzindo novas conexões as quais podem gerar novos aprendizados. Se a informação já existe, a área acionada é a da memória.

Mas como o cérebro guarda as novas informações?  Como relaciona as antigas com as novas? Com base em estudos da neurociência,  resumidamente, a resposta está na base genética da aprendizagem: ela causa alterações neuroquímicas provocadas durante a aprendizagem por meio de um processo ligado à plasticidade cerebral.

O artigo Caminhos da informação no cérebro, publicado pela edição, nº 217, de fevereiro de 2011, da revista Mente e Cérebro, afirma que a plasticidade cerebral pode ser melhorada. É tudo uma questão de treino. E isso vale tanto para jovens como idosos.

Mesmo que as es­truturas cerebrais degenerem com a idade, os neurocientistas afirmam que isso não significa que a capacidade cognitiva sofra. Afinal, o cérebro pode se adaptar a novas condições - ele aprende a aprender. E ainda mais, caso o desempenho de algumas regiões cerebrais piore, outras áreas reforçam sua atividade para compensar as deficiências.

Estes neurocientistas chegaram a esta conclusão realizando um experimento científico com jovens em torno de 20 anos e idosos com mais de 65 anos. No entanto, os pesquisadores ainda sabem muito pouco a respeito do que exatamente acontece durante o processo de aprendizagem. Não há como saber, por exemplo, se as informações já existentes das células cerebrais são adaptadas a cada situação ou unidades de processamento completa­mente novas são criadas e integradas, ou seja, a pesquisa não responde se  apenas a comunicação entre os neurônios se altera ou toda a estrutura do cérebro também se modifica durante a aprendizagem.

Eis o mistério a ser desvendado.................

As células neurais funcionam como unidades processadoras de informações. Seus corpos formam a substância cinzenta, o córtex, que compõe a camada externa do cérebro. Cada neurônio pode receber sinais de outras células, transmitidos pelos pontos de contato, as sinapses, e depois encaminhados ao longo de extensões, chamadas axônios. Eles ficam dentro do cérebro, ou seja,  embaixo do córtex, e são chamados substância branca. Sua função é ligar os neurônios por longas distâncias, permitindo  comunicação entre diversas áreas.

Embora o aprendizado baseia-se em uma alteração da comunicação entre as células do cérebro, a questão principal é: qual a plasticidade cere­bral "disponível" para que o órgão reaja a um novo aprendizado? Já se sabe que há um aumento da substância cinzenta toda vez que ocorre um novo aprendizado. Ainda resta pesquisar se a massa branca também se altera no cérebro. A única certeza que se tem até agora é que um misto de aprendi­zagem e atividade física parece ser bastante útil e  que é possível adquirir outras habilida­des que estimulam a plasticidade neural. Dançar, aprender outro idioma, nadar, praticar arvorismo, luta marcial, jogar tênis, xadrez etc. O que conta mesmo é não parar de aprender. Independente da idade ...............

Mas e o TDAH?

Em entrevista publicada no portal da ABDA (Associação Brasileira de Défict de Atenção), o psiquiatra holandês Joseph Sergeant, coordenador da Rede Europeia de Pesquisa em TDAH e professor emérito de Neuropsicologia Clínica da Universidade Vrije, afirmou que como a plasticidade cerebral diminui por volta do 24º aniversário, indivíduos diagnosticados como sendo portadores do  TDAH devem ser  tratado o mais cedo possível.

De acordo com ele, a habilidade de inteligência depende do desenvolvimento neural do cérebro e como as redes neurais, responsáveis em  conectar diferentes partes do cérebro, são as que nos dão flexibilidade, nos permitem desenvolver novas funções, detectar erros e corrigi-los, as crianças com dificuldades de aprendizagem possuem um menor número de conexões entre os dois hemisférios cerebrais. Argumentou seu ponto de vista dizendo ser sabido que pelo menos 40% das crianças com TDAH têm dificuldades de aprendizagem, pois o cérebro delas se desenvolve mais lentamente.
 

E, agora? Ficou confuso?

Seus neurônios estão em guerra??????????

Calma!!!! É  assim mesmo!!! A ciência não é exata... uns vão te dizer uma coisa e outros irão te dizer outra e se você não dominar o idioma de Babel.. apele......  para a oração porque quando o assunto envolve TDAH as respostas são múltiplas e confusas.... Afinal, a língua que mais se fala nesta terra é a da dúvida.

Veja: o psiquiatra Sergeant afirma que a plasticidade cerebral diminui com o tempo e por isso é urgente tratar o TDAH para não prejudicar a “aprendizagem” dos portadores porque eles têm um cérebro que se desenvolve mais lentamente... então.....

 pergunta: se o cérebro TDAH desenvolve mais lentamente porque a urgência?  Se é mais lento, como pode, em alguns casos, ser hiperativo?  Pela lógica não teria que ser o contrário?

2º pergunta: essa teoria já não está ultrapassada? A neurociência vem comprovando que não importa a idade  para que  a plasticidade cerebral desenvolva-se, desde que se pratique?

3º pergunta: onde está a evidência científica provando que a rede neural do cérebro TDAH é mesmo diferente dos ditos "normais" e também onde está a evidência científíca que comprove o desenvolvimento lento?

Entendo que a ciência deveria fornecer provas concretas de sua teoria. Como ainda não as tenho resta continuar investigando esse idioma confuso de Babel. Durante esta prática linguística acabei descobrindo uma pesquisa  que, na minha opinião, aponta para a unicidade da língua: a biologia das emoções. Um dos neurocientistas mais respeitados neste campo é o português António Damásio, que afirma ser a emoção a responsável por modular constantemente a forma de armazenamento dos dados na memória.  

Concluindo............. como a afetividade está ligada às emoções e  as emoções têm relação com à memória, talvez seja esse o motivo da medicação não influir no processo de cognição..... clique e aqui e leia o post sobre "Pesquisa da USP aponta: Ritalina não melhora cognição".

Curiosidades

Você sabia que o sistema cerebral humano possui apro­ximadamente 100 bilhões de células? Que os cursos neurais que as conectam atingem juntos um comprimento com o qual poderíamos percorrer a linha do equador pelo menos 15 vezes? E que as células, porém, não estão conectadas entre si de forma fixa, diferentemente do que acontece, por exemplo, no ambiente eletrônico, no interior de um computador? Realmente a natureza é muito sábia!!!!


Quer saber mais?

Para ler na íntegra a entrevista com o psiquiatra holandês Joseph Sergeant, clique aqui.

A revista Época, edição de 01/07/2011, publicada a reportagem: Como a idade faz nosso cérebro florescer. A matéria afirma que a ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria e que a partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes. Clique aqui e leia na íntegra a reportagem, disponível em versão online no portal da revista.

Ficou interessado nas pesquisas do neurocientista António Damásio? Clique aqui e conheça o Brain and Creativity Institute, fundado por ele.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pesquisa da USP aponta: Ritalina não melhora cognição








A doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, Camila Tarif Ferreira Folquitto, defendeu em 2009, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), uma dissertação de mestrado sobre suas pesquisas a respeito da afetividade e cognição, fazendo um recorte em dois grupos de alunos diagnosticados com TDAH. Um que utilizava o medicamento e outro que não usava. Descobriu  que o uso do Metilfenitado/Ritalina não ajuda no processo de cognição, responsável pela aprendizagem.

De acordo com as pesquisas dela, do ponto de vista cognitivo, existem diferenças importantes no desenvolvimento de crianças com TDAH quando comparadas com crianças sem qualquer diagnóstico e que a teoria de Piaget acerca do desenvolvimento psicológico, do processo de transição do estágio pré-operatório para o estágio operatório concreto de desenvolvimento, é um subsídio teórico importante para a compreensão deste transtorno, em especial a construção operatória da noção de tempo.

A hipótese geral trabalhada pela pesquisadora foi a de que crianças com TDAH apresentariam déficits no desenvolvimento de noções operatórias, como a conservação, reversibilidade e apreensão temporal. De acordo com ela, foram entrevistadas 62 crianças, com idades entre 6 a 12 anos, subdividas em dois grupos: uma amostra clínica de crianças diagnosticadas com TDAH e uma amostra de crianças sem diagnóstico. A amostra clínica foi também dividida entre crianças que faziam uso do Metilfenidato/Ritalina e de crianças não medicadas. O intuito da pesquisa foi observar se a medicação exerceria alguma influência no desempenho das crianças em provas piagetianas.

Os resultados da pesquisa demonstraram haver diferença estatisticamente significativa entre o desempenho das crianças dos diferentes grupos. Crianças com TDAH apresentaram uma tendência a terem suas respostas classificadas em níveis inferiores ao esperado, quando comparadas ao grupo de controle, que é  aquele composto por crianças sem o diagnóstico.

Porém, em relação ao grupo de alunos que utilizou o Metilfenidato/Ritalina, a pesquisadora descobriu não haver diferença significativa entre os grupos, ou seja, o remédio não ajuda no processo de cognição. Apesar  da pesquisadora citar ser importante no tratamento, na realidade o Metilfenidato/Ritalina não demonstrou ser suficiente para potencializar o desenvolvimento cognitivo de crianças com TDAH, superando os déficits observados. De acordo com ela, esses achados corroboram a hipótese de déficit na aquisição das noções operatórias em crianças com TDAH e concluiu ser necessária novas reflexões a respeito do TDAH, considerando alternativas de intervenções que considerem os déficits observados, ultrapassando o tratamento medicamentoso.

Quer conhecer melhor os estudos da pesquisadora? Clique aqui e leia a dissertação, que está disponível online.


Neuroaprimoramento

Vale muito a pena ler também a edição deste mês da revista Mente Cérebro, que reproduz artigos publicados pela Scientif American. A edição é a de nº 221 e publica o artigo Cérebro Turbinado, assinado por vários neurocientistas.

O artigo reflete a respeito do uso de medicamentos, como o Metilfenidato/Ritalina,  até que ponto vale a pena  correr os riscos e usam de um termo, que para mim foi novidade: neuroaprimoramento, que de acordo com o artigo, visa o melhoramento cerebral com uso de substâncias químicas, feito, inclusive, por pessoas saudáveis.

Estes neurocientistas criticam o uso destes medicamentos afirmando que seus efeitos colaterais são ainda um mistério. Refletem ainda se as exigências do mercado de trabalho contemporâneo não estão contribuindo para que padrões há alguns anos considerados normais sejam vistos hoje como patológicos e vão além: falam também sobre os resultados de uma boa educação e que cuidados amorosos modificam o cérebro infantil, ou seja, seus efeitos podem ser comparados aos obtidos com substâncias químicas. É uma pena a revista não disponibilizar os artigos na versão online. Quem se interessou deve correr para as bancas e desembolsar a quantia  de R$ 11,90 ou procurar o exemplar em alguma biblioteca pública.


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