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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"Eu me achava uma burra" afirma psiquiatra diagnosticada com TDAH



Psiquiatra é entrevista no programa do Jô


"Eu me achava uma burra" afirma psiquiatra diagnosticada com TDAH 

"Quando tive o diagnóstico e comecei o tratamento, eu me senti como um míope que põe o primeiro par de óculos e percebe que o mundo é cheio de detalhes", afirmou a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Filho, autora do best-seller Mentes Inquietas, que fala sobre o TDAH, à edição 2132 da revista Veja. De acordo com a médica, "quem tem TDA presta uma atenção acima da média naquilo que desperta seu interesse verdadeiro. É o que a gente chama de hiperfoco. Por isso, acho injusto falar de déficit de atenção. O que existe é uma atenção instável", afirmou.

Questionada sobre a cura do TDAH, a médica foi enfática: "Não tem cura, mas há grandes chances de um final feliz. No momento em que você entende sua engrenagem, passa a dominá-la em vez de ser dominado por ela. Aí pode até levar vantagens. O excesso de pensamento – que causa exaustão, desorganização e esquecimento – também traz ideias. Existem ideias boas e más. O grande aliado de quem sofre de TDAH é um caderninho. Em qualquer lugar, eu anoto pensamentos que já deram origem a capítulos de livros. Mesmo para ideias sem sentido, é vital ter organização. Dalí pode sair algo realmente inovador". explicou.

  Sobre o sucesso de seu livro Mentes Inquietas, que chegou a vender mais de 200 mil cópias, a médica afirmou que começou sem nenhuma pretensão. "Aliás, o diretor da primeira editora que procurei, quando viu o livro, disse que o tema déficit de atenção não vendia e queria me convencer a escrever sobre compulsão por compras. Fiquei muito brava e, de maneira impulsiva, rasguei o contrato que já havia assinado. Decidi vender meu Peugeot 205 e mandei fazer 3.000 exemplares do livro. Minha ideia era colocar no site da clínica e vender pela internet. Em um mês o livro vendeu 20 mil cópias", disse.

Dislexia


De acordo com a psiquiatra, além do TDAH, ela também tem Dislexia. "Quando eu era pequena, tinha um diário, mas escrevia tudo errado. Trocava ou repetia as sílabas. Eu adorava escrever na máquina Olivetti. Meu pai, que era professor de português, vinha e corrigia tudo. No final, o texto só tinha vermelho. Ele brincava: "Filhinha, ainda bem que você não vai ser escritora". Minha mãe já era o contrário. Ela dizia: "Adorei o conteúdo, mas, filha, você precisa prestar atenção nas palavras, nos acentos", contou.

Excesso de diagnósticos e tratamento

Em matéria veiculada pelo caderno Folha Equilíbrio a psiquiatra afirmou que concorda que exista um grande excesso de diagnosticos e tratamento de TDAH. "Recebo muitas crianças cujos pais chegam ao consultório dizendo que os filhos têm TDA. Teve uma mãe que dizia que o filho tinha TDA porque era muito "criativo" e citou o fato dele ter ateado fogo em pererecas para parecerem fogos de artifício. Aquilo não era criatividade e sim perversidade. Também tem pai achando que o filho tem TDAH porque está disperso na época do vestibular. Mas ele pode estar apaixonado ou usando drogas. Há exames que mostram se a pessoa usou drogas nos últimos três meses. Ela não precisa dizer", disse.


Snopse do livro Mentes Inquietas

Distraído, avoado, enrolado, esquecido, desorganizado, impulsivo, agitado, inquieto, vive a "mil por hora". Estes são alguns adjetivos mais comuns usados para descrever o comportamento de pessoas que, injustamente, são tidas como preguiçosas, irresponsáveis e rebeldes. Na realidade, elas possuem um funcionamento cerebral diferente denominado Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade  (TDAH), caracterizado por distração, impulsividade e hiperatividade. Escrito com clareza, espontaneidade e muito bom humor, Mentes Inquietas soa como uma conversa na sala de estar de nossas casas, trazendo um alento ao coração das pessoas que por muito tempo se sentiram como "peixes fora d'água".
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Quer saber mais sobre a psiquiatra?Visite o site dela clicando aqui.

Para ler a da Folha Equilíbrio, clique aqui.

A entrevista publicada na Veja está disponível na versão online. Clique aqui e leia na íntegra.



 
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sou Disléxico, e Daí?


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Reprodução/pxhere



Sou Disléxico e Daí? é o título do livro de Hélio Magri Filho, especialsita em Dislexia e membro da Associação Brasileira de Dislexia, da International Dyslexia Association e da Associação Brasileira do Déficit de Atenção. De acordo com entrevista publicada no Blog da Família e das Mães, Hélio afirma por ser disléxico viveu várias dificuldades, como discalculia (dificuldades com números), desatenção e outros "dis" que o fizeram sempre viver se questionando, como seria se tivesse que mentalizar todos os seus movimentos, suas ações e reações antes de manifestá-los. "Isso é desgastante, muito estressante, mas também enriquecedor. Sempre sentia que era diferente, não conseguia me inserir no cenário e questionava, interna e incessantemente minha postura. Isso para quem está tentando assimilar os caminhos do mundo é um peso extra que carregamos. Se não entendemos quem somos e como somos, como poderemos entender a vida como ela é?" afirmou ao portal.

1- O que é dislexia?
A definição oficial, aceita pela Associação Brasileira de Dislexia: Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária.
Minha definição: Nosso cérebro, quando visto de cima, lembra duas metades de uma noz. Cada metade recebe o nome de hemisfério cerebral. Os hemisférios comunicam-se através de um feixe de fibras nervosas denominado CORPO CALOSO. A grande maioria das pessoas foi acostumada a pensar e agir de acordo com o paradigma cartesiano, baseado no raciocínio lógico, linear, sequencial, deixando de lado suas emoções, a intuição, a criatividade, a capacidade de ousar soluções diferentes. Utilizando mais o hemisfério esquerdo, considerado racional, deixamos de usufruir dos benefícios contidos no hemisfério direito, como a imaginação criativa, a serenidade, visão global, capacidade de síntese e facilidade de memorizar, dentre outros. Eu costumo dizer que não tenho "atleticidade" cerebral suficiente para cruzar a "ponte" (corpo caloso) do hemisfério esquerdo para o direito, e vice versa, do meu cérebro. Tenho uma tendência maior em permanecer no lado direito, ou seja, mais no mundo da "lua", comprometendo atenção, concentração e aprendizagem.
2- Conte-nos um pouco da sua experiência de vida como disléxico.
A vida com dislexia, discalculia (dificuldades com números), desatenção e outros "dis" me deixou sempre numa posição de questionamento, é como se eu tivesse que mentalizar todos meus movimentos, minhas ações e reações, antes de manifestá-los. Isso é desgastante, muito estressante, mas também enriquecedor. Sempre sentia que era diferente, não conseguia me inserir no cenário e questionava, interna e incessantemente minha postura. Isso para quem está tentando assimilar os caminhos do mundo é um peso extra que carregamos. Se não entendemos quem somos e como somos, como poderemos entender a vida como ela é? Como tudo na vida parece ter sempre um jeito, eu criava estratégias para lidar com números, evitava leituras em voz alta, alegava sempre algum mal estar súbito e outras tantas desculpas. E nessa introspecção eu fui descobrindo quem realmente sou… e daí escolhi manifestar isso todos os dias da minha vida.
3- O que foi mais difícil em sua infância?
A mais difícil na infância, e na vida adulta, são os rótulos. Entendo que as pessoas não têm a paciência suficiente, e nem o conhecimento necessário para entender que somos diferentes. A crueldade destes rótulos, mais a incapacidade de desempenhar tarefas consideradas normais para as outras crianças deixaram suas marcas na auto-estima. A frustração de uma criança que não consegue se ajustar é algo silencioso e pessoal. Uma batalha constante. Isso foi o mais difícil: Cada dia era uma luta para se inserir nos cenários e corresponder às expectativas da família, da escola e etc.
4- Como pode ser identificado precocemente que uma criança tem Dislexia
A Dislexia pode ser identificada já nos primeiros anos escolares, sendo que a primeira condição para o diagnóstico é que a criança já tenha sido alfabetizada e que a criança já tenha tido uma vivência com a leitura e escrita de, pelo menos, dois anos para que seja possível a caracterização das dificuldades disléxicas. NNecessita de um tratamento apropriado. Por não ser um problema que passa com o tempo, a dislexia merece atenção para não passar despercebida. É importante que o diagnóstico seja efetuado o quanto antes, assim, as crianças tratadas desde cedo, têm grandes chances de superar ou conviver melhor com os sintomas. São vários os sinais que identificam a dislexia: Dificuldade com cálculos mentais, dificuldade em organizar tarefas, dificuldades com noções espaço- temporais, entre outras. Podemos observar também um desempenho inconstante com relação à aprendizagem da leitura e da escrita; Dificuldade com os sons das palavras e, consequentemente, com a soletração; Escrita incorreta, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas; Relutância para escrever; Confusão entre letras de formas vizinhas, como "moite" por "noite", "espuerda" por "esquerda"; Confusão entre letras foneticamente semelhantes: "tinda" por "tinta", "popre" por "pobre", "gomida" por "comida"; Omissão de letras e/ou sílabas, como "entrando" por "encontrando", "giado" por "guiado", "BNDT" por "Benedito"; Adição de letras e/ou sílabas: "muimto" por "muito", "fiaque" por "fique", "aprendendendo" por "aprendendo"; União de uma ou mais palavras e/ou divisão inadequada de vocábulos: "Eraumaves um omem" por "Era uma vez um homem", "a mi versario" por "aniversário"; Leitura e escrita em espelho; Existem ainda outros sinais importantes de dislexia na idade escolar: Lentidão na aprendizagem dos mecanismos da leitura e escrita; Trocas ortográficas, dependendo do tipo de dislexia; Problema para reconhecer rimas e alterações; Desatenção e dispersão; Desempenho escolar abaixo da média, em matérias específicas, que dependem da linguagem escrita; Melhores resultados nas avaliações orais, do que nas escritas; Dificuldade de coordenação motora fina (para desenhar, escrever e pintar) e grossa (é descoordenada); Dificuldade de copiar as lições do quadro, ou de um livro; Problema na lateralidade (confusão entre esquerda e direita, ginástica) Dificuldades de expressão: vocabulário pobre, frases curtas, estruturas simples, sentenças vagas; Dificuldades em manusear mapas e dicionários; Esquecimento de palavras; Problema de conduta: retração, timidez excessiva e depressão; Desinteresse ou negação da necessidade de ler; Leitura demorada, silabadas e com erros. Esquecimento de tudo o que lê; Salta linhas durante a leitura, acompanha a linha de leitura com o dedo; Dificuldade em matemática, desenho geométrico e em decorar sequências; Desnível entre o que ouve e o que lê. Aproveita o que ouve, mas não o que lê; Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa; Não gosta de ir à escola; Apresenta "picos de aprendizagem". Em alguns dias parece assimilar e compreender os conteúdos e em outros, parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente; Pode evidenciar capacidade acima da média em áreas como: desenho, pintura, música, teatro, esporte, etc;
Quando um aluno demonstra contínua dificuldade com os problemas acima, deverá ser imediatamente encaminhado aos profissionais especializados, estes farão averiguações concretas. O diagnóstico deve sempre ser feito por uma equipe multidisciplinar composta de fonoaudiólogos, neuropsicólogos, psicólogos, e etc.
5- Como devem agir os pais ao perceber que o filho tem dislexia?
Tudo deve ser feito em PARCERIA com a escola. Constatado a dislexia, é fundamental que o professor esclareça em sala de aula quanto às dificuldades do colega, para que se mantenha um ambiente de respeito e consideração sem rejeições. Quero enfatizar a importância do acompanhamento dos pais com o disléxico, estes devem ser esclarecidos para que possam entender melhor as dificuldades que seu filho demonstra e ajudá-lo a contorná-las. A Associação Brasileira de Dislexia (ABD) através de seu site: www.dislexia.org.br disponibiliza ferramentas, apoio e recursos que os pais podem usar para lidar com o problema. Além de tudo isso, os pais devem encontrar uma escola que possa atender as necessidades do seu filho disléxico. As escolas devem oferecer adaptações do sistema escolar às necessidades do aluno disléxico, para que ele possa entrar em contato com experiências e informações, para a construção de sua aprendizagem. Não há uma escola perfeita, o fundamental então é selecionar uma escola que mais se adapte às prioridades da Criança, e acompanhar sistematicamente sua aprendizagem, contando com o auxílio de uma equipe multidisciplinar. A busca por uma escola é essencial, pois no Brasil, a maioria dos modelos de escola que conhecemos, públicas e particulares, geralmente não foram feitas para disléxicos. Um bom programa educacional para crianças disléxicas precisa estabelecer objetivos específicos de progresso para o ano letivo. É necessário dedicar muita atenção para que a dislexia seja superada; sendo assim, seja paciente com um aluno ou filho disléxico, e não deixe que ele sofra de baixa auto-estima. Incentive-o a buscar novas atividades e interesses, tais como esportes ou música, e sempre o recompense quando ele progredir em seus estudos.
6- Porque em pleno 2011, os educadores e as escolas ainda têm dificuldade em identificar a dislexia numa criança?
Eu tenho um sonho: O ideal seria que toda criança fosse testada para detectar se ela sofre de dislexia. Porém, o sistema educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de recursos na maioria das escolas do País. Apesar das salas de aula estarem lotadas e apesar da falta de recursos para pesquisas, a dislexia precisa ser combatida. Muitos casos de dislexia passam despercebidos em nossas escolas por causa da falta de conhecimento dos educadores, dos pais e pelo próprio sistema de ensino que ignora as necessidades mais básicas de alfabetização. Eu morei no exterior por mais de vinte anos, e em minhas pesquisas descobri que em outros países a questão da dislexia, e de outros distúrbios de aprendizagem, está ligada aos assuntos de SAÚDE. Aqui no Brasil, insistimos que isso tudo é do ENSINO. Muitas vezes, crianças inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se envergonham de suas dificuldades acadêmicas, abandonam a escola e se isolam de amigos e familiares. Muitos pais, ainda por falta de conhecimento, se envergonham de ter um filho disléxico e evitam tratar do problema. Isso é lamentável, pois crianças disléxicas que recebem um tratamento apropriado podem não apenas superar essa dificuldade, mas até utilizá-la como benefício para se sobressair pessoal e profissionalmente.
Não é suficiente incluir uma criança disléxica em sala de aula, precisamos, antes de tudo, de professores e coordenadores capacitados em dislexia para atender com eficiência as necessidades que estas crianças apresentam. A abrangência da inclusão escolar é muito ampla. Uma educação para todos precisa valorizar a diversidade em todos os sentidos, dinamizando e enriquecendo as relações e interações, despertando nos alunos o desejo de conhecer e conviver com grupos diferentes do seu. A escola é um lugar privilegiado de encontro com o outro, onde o respeito às diferenças deve prevalecer. Fica aqui um desafio para os professores: VOCÊ, COMO EDUCADOR, É CAPAZ DE ENSINAR DE ACORDO COM A NECESSIDADE DA CRIANÇA, OU ACHA QUE A CRIANÇA DEVE APRENDER DE ACORDO COM O SEU MÉTODO DE ENSINO?
7- Qual caminho os pais devem seguir ao constatar que o filho tem dislexia?
Além do que já falamos anteriormente quero acrescentar ainda que, assim como qualquer criança, os disléxicos necessitam do apoio dos pais. Não só para a satisfação das suas necessidades imediatas e físicas, mas também para ajudar na criação de mecanismos para superar suas dificuldades.
Usar exercícios criativos que envolvam a memória, tais como recitar poemas infantis em conjunto, ler poemas, utilizar mímica, teatro, falar de imagens, utilizar a ação, os jogos de tabuleiro, e cantar músicas, podem ser muito úteis.
Estas são algumas dicas/estratégias que também poderão ser importantes:
* Incentivar a prática de exercício físico, em que se promova o atirar, capturar, chutar bolas, saltar e treinar o equilíbrio;
* Incentivar a prática de atividades lúdicas e artísticas, como dança, pintura ou outra que a criança se sinta inclinada;
* Incentivar o gosto pela leitura, usando a linguagem dos livros — as imagens, as palavras e as letras — para perceber que os livros podem ser analisados, lidos e desfrutados;
* Mostrar como segurar um livro, de que forma ele abre, onde começa a história, onde é o topo da página e que direção segue o texto, apreciar as imagens;
* Promover o aspecto cultural: visitar museus, assitir peças de teatro ou musicais, conhecer outras cidades, etc
* Ajudar a criança disléxica a aprender a seguir instruções, por exemplo, "por favor pegue no lápis e coloque-o na caixa", e fazer gradativamente sequências mais longas, por exemplo, "ir à prateleira, encontrar a caixa vermelha, trazê-la para mim".
Incentive sempre a criança disléxica a repetir a instrução antes de realizar a tarefa desejada.
8- Existe alguma metodologia de ensino específica para crianças disléxicas?
O professor, quando preocupado com o desempenho e o progresso de um aluno, deve consultar os pais e a própria escola a fim de obter maiores informações sobre a vida escolar do aluno. Se a preocupação e os sinais persistirem, o professor deve sugerir, juntamente com o psicólogo da escola, um acompanhamento clínico especializado. Desta forma, tornará sua ajuda muito valiosa, já que não é o professor que fará as terapias e tratamento necessários, mas tem o dever de identificar e posteriormente dedicar-se de maneira especial ao aluno disléxico em sala de aula, resgatando também, sua autoconfiança.
O professor de um aluno disléxico deve rever suas estratégias metodológicas e descobrir habilidades nestes alunos, para que eles possam descobrir-se, conhecer-se e possivelmente destacar-se em outras áreas, pois se os disléxicos fracassarem no período escolar, significa que não fracassaram sozinhos: a escola, desde o gestor até o professor, também fracassou.
Não há um só tratamento, ou intervenção escolar, que seja adequado a todas as pessoas. Contudo, a maioria dos tratamentos e intervenções enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos e intervenções ajudam o disléxico a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. É aconselhável que a criança disléxica leia em voz alta com um adulto para que ele possa corrigi-la. É importante saber que ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção e repetição. Mas um bom tratamento e intervenção adequados, certamente rendem bons resultados. Alguns estudos sugerem que quando administrados ainda cedo na vida escolar de uma criança, podem amenizar e até mesmo corrigir as falhas nas conexões cerebrais.
9- O que fazer para facilitar a vida de uma criança disléxica?
Crianças precisam de amor… Uma criança disléxica precisa de muito amor e da conscientização, pelos pais e professores de três regras básicas: Nunca julgue; Nunca critique e Nunca condene!
Se os pais e professores sabem que a dislexia persiste, apesar da boa escolaridade. É necessário que estejam cientes de que um alto número de crianças sofre de dislexia. Se você julgar, certamente confundirá dislexia com preguiça ou má disciplina. E, se critica, certamente verá que as crianças disléxicas expressam sua frustração por meio de mal-comportamento, dentro e fora da sala de aula. Portanto, pais e educadores devem saber identificar, sem condenar, os sinais que indicam que uma criança é disléxica – e não preguiçosa, pouco inteligente ou mal-comportada.
10- Para finalizar deixe-nos as suas considerações finais sobre o tema ‘Dislexia’ que julgar importante ser esclarecido.
Nunca é tarde demais para ensinar disléxicos a ler e a processar informações com mais eficiência. Entretanto, diferente da fala – que qualquer criança acaba adquirindo – a leitura precisa ser ensinada. Utilizando métodos adequados de tratamento e com muita atenção e carinho, a dislexia pode ser derrotada. Crianças disléxicas que receberam tratamento desde cedo apresentam uma menor dificuldade ao aprender a ler. Isso evita com que a criança se atrase na escola ou passe a detestar estudar.
O primeiro sinal de possível dislexia pode ser detectado quando a criança, apesar de estudar numa boa escola, tem grande dificuldade em assimilar o que é ensinado pelo professor. Crianças cujo desenvolvimento educacional é retardatário podem ser bastante inteligentes, mas sofrer de dislexia. O melhor procedimento a ser adotado é permitir que profissionais qualificados examinem a criança para averiguar se ela é disléxica. A dislexia não é o único distúrbio que inibe o aprendizado, mas é o mais comum.
São muitos os sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande freqüência. Entretanto, esse indicativo não é totalmente confiável, pois muitas crianças, inclusive não-disléxicas, freqüentemente confundem as letras do alfabeto e as escrevem de lado ou ao contrário. No Jardim de Infância, crianças disléxicas demonstram dificuldade ao tentar rimar palavras e reconhecer letras e fonemas. Na primeira série, elas não conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Da segunda à quinta série, crianças disléxicas têm dificuldade em soletrar, ler em voz alta e memorizar palavras; elas também freqüentemente confundem palavras. Esses são apenas alguns dos muitos sinais que identificam que uma criança sofre de dislexia.
Um último esclarecimento: A dislexia é tão comum em meninos quanto em meninas.
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A história de Carla e Pedro

Moro em Curitiba, Paraná. Meu filho, o Pedro, sempre foi uma criança muito inteligente, andou uma semana antes de fazer um ano e nunca falou igual ao cebolinha, como a maioria das crianças desta faixa etária. Contudo, as dificuldades dele com leitura e escrita começaram logo na 1ª série e eu mesma procurei ajudá-lo por diversas vezes. Ele sempre escrevia "ao contrário" o número três, o número 8, algumas letras do alfabeto mas, por estar ainda na fase de alfabetização achava ser normal, acreditava que era pelo fato dele estar apenas começando! No entanto, conforme foi passando o tempo essa dificuldade foi aumentando junto com minha angústia.

Para você ter uma ideia, vivia na escola e cobrava a professora porque percebia que alguma coisa não estava certa. Queria entender o que acontecia e o caminho foi torturoso. Quando começou a 3ª série já tinha visto um estrago grande em seu aprendizado, aí resolvi trocá-lo de escola, para ver se em outra escola as coisas melhorassem. Logo nas primeiras semanas de aula a professora me chamou para falar sobre o processo de aprendizagem do Pedro. Fiquei muito feliz pois, alguém tinha percebido alguma coisa diferente em meu filho, mas só ficou naquela conversa, tanto que no meio do ano troquei de escola novamente. Tudo em vão porque a nova escola também deixou a desejar, nunca tinha lição no caderno. Sempre fiz questão de estar sempre presente na escola querendo saber o que acontecia com meu filho. Ficava louca da vida quando olhava o caderno dele e via que tinha feito tudo errado, a professora corrigia como se estivesse certo e aí eu não pensava duas vezes: ia falar com a professora dele e acho que esta professora acabou foi é ficando com raiva de mim porque acabou deixando meu filho de lado. Ela só me falava: - O Pedro vive no mundo da lua, sempre temos que chamar a atenção dele!  O engraçado é que nunca me dizia o que poderia ser, ou então, para eu procurar ajuda especializada! Aí vemos o quanto os professores estão despreparados. Pelo menos no meu caso vivi na pele um sofrimento que poderia ter sido solucionado desde o início, creio eu.

Essa professora era da 4ª série chegou até a dar apelidos ao meu filho: "o lesma da sala" ou então "o lerdinho da sala" coisas desse gênero que hoje, com 13 anos, ele não esquece. E dessa forma, terminou a 4ª série. Sem saber o que acontecia, andei por diversos consultórios de pscicólogos que me diziam que ele era imaturo porque simplesmente era um menino! Gastei algum dinheiro tentando descobrir até que um dia, já quase na metade da 5ª série, em um novo colégio, minha cunhada assistiu uma reportagem sobre Déficit de Atenção (TDA) que chamou a atenção dela, pois parecia que estavam falando sobre o meu Pedro e como ela via minhas reclamações me deu um toque para pesquisar sobre o assunto. Dito e feito! Pesquisei na internet sobre o TDA e parecia que estavam falando do meu filho. Por isso, resolvi consultar um neurologista que diagnosticou além do TDA, a Dislexia e o Distúrbio do sono! Fiquei desesperada, me faltou o chão, não consegui entender o motivo de ser o meu Pedro!

Começei uma nova luta, achar um profissional que soubesse o que estava tratando, outra coisa muito difícil de se conseguir. Cheguei a consultar vários neurologistas e depois desta busca, de encontrar um profissional que soubesse do que se tratava, soube que seria hereditário e que ele herdou do pai. Acabei encontrando ainda uma psicopedagoga que foi um verdadeiro anjo em nossa vida, ela ainda descobriu o motivo de tanta dor de cabeca e naúseas enquanto ele estava em aula e também porque ele não conseguia fazer uma simples cópia. Ele tem uma alteração no processamento visual (SINDROME DE IRLEN) que digamos distorce o que ele vê, hoje ele está em alta da psicopedagoga vai apenas uma vez por mês para uma manutenção, ele toma Ritalina somente nos dias em que vai à escola para poder ter atenção, mas penso que a maioria do sofrimento que passamos poderia ter sido evitada se houvesse mais conhecimento por parte dos profissionais que lidam com crianças, como professores e os da saúde.

Depoimento cedido por Carla via email em 11/08/2011.



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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Relatora da Comissão de Educação da Câmara acata PL sobre Dislexia e TDAH

A Deputada  Federal Mara Gabrilli  (PSDB/SP), designada pela Comissão de Educação da Câmara, como  Relatora do Projeto de Lei 7081/2010, que dispõem sobre o diagnóstico e o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia na educação básica, afirmou em entrevista, concedida por email, em 16/08/2010, ter acatado por completo o texto do Substitutivo do PL.  Agora,  será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça e caso tenha parecer favorável, não precisará ir à votação em Plenário. Trata-se de um “projeto conclusivo de comissões”, conforme explica a Deputada. 


A ENTREVISTA

Vanessa Martos Gasquez  - Como tem sido os trabalhos da Comissão de Educação sobre o PL 7.081/2010? Chegaram a ouvir setores da sociedade civil?

Mara Gabrilli :  A presidente da Comissão de Educação designou-me como Relatora do Projeto de Lei 7.081 de 2010. O Relatório de minha autoria foi enviado à Comissão no dia 3 de agosto, no retorno do recesso parlamentar. Para entender a minha posição com relação ao Projeto é preciso antes lembrar que a Comissão de Seguridade Social e Família, através de sua Relatora, a Deputada Rita Camata, fez um trabalho de reestruturação do Projeto, na forma de um Substitutivo (um novo texto). Esse substitutivo foi feito a partir do diálogo com diversos setores da Sociedade Civil Organizada, e instituições que trabalham com o assunto. Foram especialistas, educadores e profissionais ligados à fonoaudiologia, pedagogia, psicologia e outras áreas, que contribuíram para a elaboração do Substitutivo.

Acatei por completo o texto do Substitutivo, e em meu Relatório darei outras contribuições para defender a aprovação do Projeto e sua conversão em Lei. No trabalho de construção de meu Relatório também mantive contato com Setores da Sociedade Civil Organizada como a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) e a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, entre outros.


VMG - Deputada há alguma data limite para que a Comissão de Educação apresente o relatório?

MG -  Não há uma data limite para a apreciação do Projeto. Projetos de Lei podem tramitar por anos - e, por incoerente que possa parecer, até mesmo por décadas - na Câmara dos Deputados. A decisão de colocar ou não um Projeto na pauta da Comissão é EXCLUSIVA da presidência da Comissão, na forma do Regimento da Câmara dos Deputados.


VMG – Com relação a determinadas proposições ou Projetos de Lei, as Comissões se manifestam emitindo opinião técnica sobre o assunto por meio de pareceres, antes de o assunto ser levado ao Plenário da Câmara para votação.  Porém,  existe algumas proposições/Projetos de Lei que  não precisam passar pela votação na Câmara caso tenham pareceres favoráveis das Comissões.  Caso seja aprovado pelas demais  Comissões qual será o próximo passo deste PL? Ele não precisará passar em votação pelo Plenário da Câmara para efetivamente tornar-se uma Lei?

MG: Nenhum Projeto de Lei jamais será aprovado pela Câmara dos Deputados sem passar por Comissões, e nem todo projeto precisa passar pelo Plenário. A esses Projetos nós chamamos de "conclusivos das Comissões". No caso deste Projeto de Lei 7.081 de 2010, ele não terá que ir à votação em Plenário. A última Comissão à avaliá-lo será a de Constituição e Justiça.


VMG – A Comissão de Seguridade Social e Família votou favorável alegando que tanto o TDAH quanto a Dislexia podem gerar prejuízos envolvendo a vida social, familiar, afetiva, acadêmica e profissional. No entanto, esses argumentos não levam em consideração a situação atual do próprio sistema de ensino e nem a realidade do povo brasileiro. Na educação, os índices de mensuração apontam desempenho em língua portuguesa e matemática  aquém do esperado e na parte social sabemos que a pobreza também acarreta em tais circunstâncias. A Comissão de Educação está analisando outros fatores ou irá seguir a mesma linha de argumentação da Comissão de Seguridade Social e Família?

MG: Não entendo exatamente em que medida os argumentos da Comissão de Seguridade Social e Família "não levam em consideração a situação atual do próprio sistema de ensino e nem a realidade do povo brasileiro". Pelo contrário, me parece justamente que o projeto se justifica à luz de dados que conformam um diagnóstico claro: não há uma política sistemática para identificação e atendimento desses alunos e ela se faz necessária. Um Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 6, de 5 de junho de 2008, do Ministério da Educação, debruçou-se sobre o tema dos Transtornos Funcionais Específicos - TFEs (dentre os quais se inclui a Dislexia e o TDAH). O documento elaborado pelo Grupo de Trabalho reconhece que “uma das tarefas das redes de ensino e suas escolas é a de construir um projeto e ambiente escolar que promovam o pleno desenvolvimento humano e escolar dos educandos com TFEs”, e recomenda a “elaboração de políticas, programas e ações dirigidas especificamente à inclusão e acompanhamento dos educandos com TFEs”.

Estamos falando de universo de milhões de educandos. Logo, o diagnóstico da Comissão de Seguridade Social e Família está respaldado simultaneamente em números estatísticos, estudos técnicos e apoio da Sociedade Civil. Falar que tal diagnóstico ignorou a realidade brasileira causa estranheza - o que não significa que aprimoramentos não possam ser feitos, afinal ninguém é infalível. Quando construímos um Projeto de Lei jamais podemos garantir (ter a certeza) de que estamos fazendo exatamente a melhor Lei. O legislador está tão sujeito ao erro quanto qualquer pessoa. Por isso o que podemos e devemos fazer é tomar todos os cuidados possíveis para que cheguemos tão perto da melhor Lei quanto possível, através da consideração de dados estatísticos, estudos técnicos e questões orçamentárias. É justamente o que temos aqui.

Apenas concluindo, estive em agosto em um congresso internacional sobre déficit de atenção no Rio de Janeiro e o número de mães, pais, crianças e adultos que relataram as dificuldades sofridas devido ao transtorno era grande. Foram muitos os depoimentos de jovens expulsos de escolas e adultos que não conseguiam concluir os estudos antes do diagnóstico. E ali estávamos com um grupo de famílias mais esclarecidas, com acesso a profissionais de saúde e educação para ajudá-los a superar as dificuldades de socialização e escolarização. Agora, imagine uma criança que nasceu de uma família humilde, de pais que não concluíram o ensino fundamental, que divide com mais 6 irmãos uma casa de 2 cômodos e que sempre dá problema na escola, é agitada, não se concentra, não obedece. Ela muito provavelmente irá apanhar todos os dias de seus pais por isso. Se não fugir de casa para viver nas ruas, já será uma vitória. É justamente para essas crianças que a Lei teria seu maior propósito. A realidade dela já é dura e será ainda pior se não houver uma política na escola para diagnóstico e atenção para seu transtorno. 

Uma Lei que tenha foco no atendimento aos transtornos referidos aqui não está negando que existam fragilidades e deficiências do sistema educacional que atinjam toda a população. Seria como dizer que uma política focada na educação sexual de jovens e adolescentes ignora que pessoas em idade adulta também são vítimas de DSTs. O jovem brasileiro que não é diagnosticado com Dislexia ou TDAH também precisa ser objeto de uma política pública educacional mais eficiente - e isso não repele a pertinência da presente proposição, creio.


VMG- O PL propõe que o poder público mantenha programa de diagnóstico e tratamento de estudantes da educação básica com Dislexia e TDAH por meio de equipe multidisciplinar composta, entre outros, por educadores, psicólogos, psicopedagogos, médicos e fonoaudiólogos. Na prática como isso será viabilizado? Porque se for via SUS, o sistema terá como garantir esse tipo de atendimento? Há equipes multidisciplinares operando no sistema com essa qualificação?

MG: A pergunta é muito pertinente, mas é preciso fazer uma ressalva: existe uma diferença entre fazer uma Lei (atribuição do Poder Legislativo) e regulamentar a aplicação desta Lei (atribuição do Poder Executivo). Um Poder simplesmente não pode usurpar a atribuição do outro, e nosso sistema, de tripartição dos Poderes, se apoia nessa premissa.

Portanto, neste caso - como em qualquer caso, na verdade - o Poder Executivo é quem deverá estabelecer a regulamentação através de um Decreto Federal (é literalmente uma obrigação do Poder Executivo). De que forma o serviço criado por essa Lei será prestado é algo que precisará ser discutido, e muito. Essa discussão trará a tona discordâncias conceituais e problematizações de ordem prática, não tenho dúvidas.

Nada disso significa, entretanto, que não devemos fazer a Lei. A dificuldade em estruturar um serviço não afasta a necessidade de criá-lo. Em países como os EUA e a Inglaterra o serviço de atendimento educacional está obviamente dentro do próprio sistema de ensino (portanto fora do "SUS", naqueles países). O trabalho multidisciplinar pode também exigir atenção de diferentes setores do próprio Governo. Por hora, prefiro não me posicionar em definitivo sobre o modelo do serviço. Esse será um segundo momento.


VMG - A Deputada tem conhecimento das divergências na área científica a respeito da existência ou não destes transtornos? Como não há marcadores biológicos que os caracterizem o fechamento do diagnóstico é controverso. Já entrevistei pais de alunos que passaram por vários especialistas e cada um emitiu um diagnóstico diferente. Por isso, gostaria de saber como a Comissão vem analisando essa questão.

MG - Acredito que haja controvérsias e divergências sobre o correto diagnóstico, porém esses transtornos existem segundo a Organização Mundial de Saúde, havendo os números dos CIDs correspondentes. Muitos transtornos genéticos também são de difícil diagnóstico, mas isso não impede de propormos uma política de diagnóstico e acompanhamento destes transtornos.

Como já disse, acredito que tudo possa evoluir e ser aprimorado para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Até 2010, por exemplo, a Síndrome Pós-Poliomielite (SPP) não era reconhecida e não existia no CID. Foi uma iniciativa de profissionais brasileiros da Unifesp e encaminhada a um comitê internacional que conseguiu incluir a SPP no CID. Antes disso, havia o entendimento generalizado de que os danos causados pela poliomielite não evoluíam e centenas de milhares de pessoas estavam desamparadas de políticas de atendimento.

Reitero que percebo que a proposta deste projeto de lei é que se encontrem soluções para o desenvolvimento educacional dessas crianças e não simplesmente rotulá-las. Trecho de meu relatório: “A proposição determina que as escolas assegurem aos alunos com dislexia e TDAH acesso aos recursos didáticos adequados ao desenvolvimento de sua aprendizagem e, simultaneamente, que os sistemas de ensino garantam aos professores formação própria sobre a identificação e abordagem pedagógica das referidas disfunções, para que os docentes possam contribuir para a efetividade do trabalho realizado pela equipe multidisciplinar.”


VMG – De acordo com matéria veiculada pelo jornal Globo News, em 12/11/2010, o Brasil já é o segundo maior consumidor do Metilfenidato (Ritalina), medicação utilizada em tratamento do TDAH, que é da mesma família da cocaína e está listada na Anvisa como entorpecente. É um remédio forte cujas consequências são completamente desconhecidas a longo prazo porque trata-se de um remédio novo no mercado. Por isso, gostaria de saber se a Comissão de Educação também tem levado em conta este aspecto.

MG - A preocupação é válida e inafastável. Contudo, associar imediatamente a metodologia de diagnóstico e atendimento educacional de crianças com tais transtornos à prescrição de ritalina pode ser enganoso. O Brasil, sem dúvida, é um país que tolera a prática da automedicação de maneira sistemática e o consumo de medicação é de fato abusiva (mesmo das controladas). Mas a abordagem a partir do Projeto de Lei não é necessariamente medicamentosa. Novamente reforço que a proposta, especialmente sob o ponto de vista da Comissão de Educação, é favorecer o desenvolvimento da aprendizagem por meio de recursos pedagógicos adequados. Queremos que a investigação para o diagnóstico seja bem detalhada e que outros problemas psicológicos sejam excluídos – como depressão e ansiedade, por exemplo. Por isso a proposta de uma equipe multidisciplinar. Acreditamos que já existem órgãos, normas e legislação que zelam tanto pela clareza do diagnóstico quanto pelo combate à prescrição indiscriminada de medicamentos.

VMG  – Como psicóloga a Deputada poderia nos fornecer uma opinião particular sobre o TDAH e a Dislexia?

MG - Nunca atendi ou diagnostiquei uma pessoa com os transtornos, por isso não tenho uma experiência ou vivência particular. Porém percebo que há dois lados nessa questão: uma clara necessidade em atender as pessoas cuidadosamente diagnosticadas. Por isso, o cuidado em haver uma equipe multidisciplinar. E outro lado, das mães ou pais que procuram um profissional – seja psicólogo ou psiquiatra – e chegam com o diagnóstico pronto: “meu filho é hiperativo, faça alguma coisa”. É necessário uma avaliação cuidadosa, inclusive do meio familiar. Não queremos rotular pessoas tampouco medicá-las. Queremos a possibilidade de que sejam incluídas e tenham seus talentos desenvolvidos, respeitando suas características.

Por muito tempo, as pessoas diferentes do padrão simplesmente eram excluídas até elas próprias se adequarem. Hoje, o conceito de inclusão inverte essa lógica perversa e a obrigação passou a ser do MEIO. São as cidades, seus espaços e serviços que devem estar preparados para receber toda a diversidade humana. Não podemos jamais ter pena ou criar aparatos isolados para atendimento, circulação e atividades. Isso é segregação. A inclusão, diferentemente, não impõe condições - se melhorar, se puder subir, se acompanhar... Essa é a minha luta: de chegarmos a uma sociedade que acolha a todos, em que ninguém seja discriminado por motivo de doença, deficiência ou transtorno. Por isso, uma modificação ou ajuste razoável, que não provoque ônus indevido, como a que estamos propondo neste PL ou em tantos outros, que atendam às necessidades de pessoas cegas, surdas, com deficiência intelectual ou física, permitirá o exercício de cidadania em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

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Para saber mais sobre  o PL, clique aqui

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Entendendo a Dislexia com o filme: Somos todos diferentes: Como Estrelas na Terra



O trecho acima faz parte do filme Somos todos diferentes: Como Estrelas na Terra, do cineastra indiano Aamir Khan.  Relata a história de um garoto indiano, Ishaan Awasthi, de 9 anos, que já havia repetido o ano escolar por duas vezes consecutivas.

Ishaan apresenta muita dificuldade de aprendizagem e não consegue acompanhar a turma. Por isso, é taxado de burro, preguiçoso, indisciplinado e outros adjetivos impublicáveis. O próprio pai também o julga assim, tanto é que após várias queixas resolve mandar o menino para um internato. Ishaan ficou muito triste com a decisão e o sofrimento aumentava cada vez mais por conta dos pré-julgamentos de seus professores e colegas de turma.

Longe da família, acaba isolando-se ainda mais e perdendo totalmente a vontade de aprender e viver, refugiando-se em um mundo de muita tristeza, dor e falta de vontade de viver.

Quando um novo professor de artes chega para substituir outro, logo percebe que Ishaan passava pelos menos apuros que, um dia, ele próprio já vivenciou. Começa a ajudá-lo a superar os obstáculos e aos poucos o menino foi aprendendo a amar a vida, as letras, a recuperar a dignidade bem como a alegria e vontade de viver.

O filme emociona. Retrata o preconceito, a marginalização de uma sociedade que exige beleza e perfeição intelectual em cima de um "modelo" pré-estabelecido. Quem foge desse "modelo" e não se enquadra no perfil, é "lido" pelos integrantes do "modelo" com os adjetivos descritos acima. Faz-nos refletir sobre nossos atos para que não deixemos que nosso preconceito apague a estrela de uma criança especial.......de qualquer criança que seja................... e nem a rotule de qualquer nome ....................por mais "pomposo" que seja.............................

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Plasticidade cerebral e o TDAH





Fonte: wikipedia/commons




De acordo com os estudos relacionados à neurobiologia da aprendizagem, toda vez que ocorre uma nova informação o sistema nervoso central (SNC) aciona o cérebro, produzindo novas conexões as quais podem gerar novos aprendizados. Se a informação já existe, a área acionada é a da memória.

Mas como o cérebro guarda as novas informações?  Como relaciona as antigas com as novas? Com base em estudos da neurociência,  resumidamente, a resposta está na base genética da aprendizagem: ela causa alterações neuroquímicas provocadas durante a aprendizagem por meio de um processo ligado à plasticidade cerebral.

O artigo Caminhos da informação no cérebro, publicado pela edição, nº 217, de fevereiro de 2011, da revista Mente e Cérebro, afirma que a plasticidade cerebral pode ser melhorada. É tudo uma questão de treino. E isso vale tanto para jovens como idosos.

Mesmo que as es­truturas cerebrais degenerem com a idade, os neurocientistas afirmam que isso não significa que a capacidade cognitiva sofra. Afinal, o cérebro pode se adaptar a novas condições - ele aprende a aprender. E ainda mais, caso o desempenho de algumas regiões cerebrais piore, outras áreas reforçam sua atividade para compensar as deficiências.

Estes neurocientistas chegaram a esta conclusão realizando um experimento científico com jovens em torno de 20 anos e idosos com mais de 65 anos. No entanto, os pesquisadores ainda sabem muito pouco a respeito do que exatamente acontece durante o processo de aprendizagem. Não há como saber, por exemplo, se as informações já existentes das células cerebrais são adaptadas a cada situação ou unidades de processamento completa­mente novas são criadas e integradas, ou seja, a pesquisa não responde se  apenas a comunicação entre os neurônios se altera ou toda a estrutura do cérebro também se modifica durante a aprendizagem.

Eis o mistério a ser desvendado.................

As células neurais funcionam como unidades processadoras de informações. Seus corpos formam a substância cinzenta, o córtex, que compõe a camada externa do cérebro. Cada neurônio pode receber sinais de outras células, transmitidos pelos pontos de contato, as sinapses, e depois encaminhados ao longo de extensões, chamadas axônios. Eles ficam dentro do cérebro, ou seja,  embaixo do córtex, e são chamados substância branca. Sua função é ligar os neurônios por longas distâncias, permitindo  comunicação entre diversas áreas.

Embora o aprendizado baseia-se em uma alteração da comunicação entre as células do cérebro, a questão principal é: qual a plasticidade cere­bral "disponível" para que o órgão reaja a um novo aprendizado? Já se sabe que há um aumento da substância cinzenta toda vez que ocorre um novo aprendizado. Ainda resta pesquisar se a massa branca também se altera no cérebro. A única certeza que se tem até agora é que um misto de aprendi­zagem e atividade física parece ser bastante útil e  que é possível adquirir outras habilida­des que estimulam a plasticidade neural. Dançar, aprender outro idioma, nadar, praticar arvorismo, luta marcial, jogar tênis, xadrez etc. O que conta mesmo é não parar de aprender. Independente da idade ...............

Mas e o TDAH?

Em entrevista publicada no portal da ABDA (Associação Brasileira de Défict de Atenção), o psiquiatra holandês Joseph Sergeant, coordenador da Rede Europeia de Pesquisa em TDAH e professor emérito de Neuropsicologia Clínica da Universidade Vrije, afirmou que como a plasticidade cerebral diminui por volta do 24º aniversário, indivíduos diagnosticados como sendo portadores do  TDAH devem ser  tratado o mais cedo possível.

De acordo com ele, a habilidade de inteligência depende do desenvolvimento neural do cérebro e como as redes neurais, responsáveis em  conectar diferentes partes do cérebro, são as que nos dão flexibilidade, nos permitem desenvolver novas funções, detectar erros e corrigi-los, as crianças com dificuldades de aprendizagem possuem um menor número de conexões entre os dois hemisférios cerebrais. Argumentou seu ponto de vista dizendo ser sabido que pelo menos 40% das crianças com TDAH têm dificuldades de aprendizagem, pois o cérebro delas se desenvolve mais lentamente.
 

E, agora? Ficou confuso?

Seus neurônios estão em guerra??????????

Calma!!!! É  assim mesmo!!! A ciência não é exata... uns vão te dizer uma coisa e outros irão te dizer outra e se você não dominar o idioma de Babel.. apele......  para a oração porque quando o assunto envolve TDAH as respostas são múltiplas e confusas.... Afinal, a língua que mais se fala nesta terra é a da dúvida.

Veja: o psiquiatra Sergeant afirma que a plasticidade cerebral diminui com o tempo e por isso é urgente tratar o TDAH para não prejudicar a “aprendizagem” dos portadores porque eles têm um cérebro que se desenvolve mais lentamente... então.....

 pergunta: se o cérebro TDAH desenvolve mais lentamente porque a urgência?  Se é mais lento, como pode, em alguns casos, ser hiperativo?  Pela lógica não teria que ser o contrário?

2º pergunta: essa teoria já não está ultrapassada? A neurociência vem comprovando que não importa a idade  para que  a plasticidade cerebral desenvolva-se, desde que se pratique?

3º pergunta: onde está a evidência científica provando que a rede neural do cérebro TDAH é mesmo diferente dos ditos "normais" e também onde está a evidência científíca que comprove o desenvolvimento lento?

Entendo que a ciência deveria fornecer provas concretas de sua teoria. Como ainda não as tenho resta continuar investigando esse idioma confuso de Babel. Durante esta prática linguística acabei descobrindo uma pesquisa  que, na minha opinião, aponta para a unicidade da língua: a biologia das emoções. Um dos neurocientistas mais respeitados neste campo é o português António Damásio, que afirma ser a emoção a responsável por modular constantemente a forma de armazenamento dos dados na memória.  

Concluindo............. como a afetividade está ligada às emoções e  as emoções têm relação com à memória, talvez seja esse o motivo da medicação não influir no processo de cognição..... clique e aqui e leia o post sobre "Pesquisa da USP aponta: Ritalina não melhora cognição".

Curiosidades

Você sabia que o sistema cerebral humano possui apro­ximadamente 100 bilhões de células? Que os cursos neurais que as conectam atingem juntos um comprimento com o qual poderíamos percorrer a linha do equador pelo menos 15 vezes? E que as células, porém, não estão conectadas entre si de forma fixa, diferentemente do que acontece, por exemplo, no ambiente eletrônico, no interior de um computador? Realmente a natureza é muito sábia!!!!


Quer saber mais?

Para ler na íntegra a entrevista com o psiquiatra holandês Joseph Sergeant, clique aqui.

A revista Época, edição de 01/07/2011, publicada a reportagem: Como a idade faz nosso cérebro florescer. A matéria afirma que a ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria e que a partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes. Clique aqui e leia na íntegra a reportagem, disponível em versão online no portal da revista.

Ficou interessado nas pesquisas do neurocientista António Damásio? Clique aqui e conheça o Brain and Creativity Institute, fundado por ele.
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